Ontem, pela primeira vez, não celebrámos o Corpo de Deus no dia próprio. De manhã, ao subir a serra, dos Cavaleiros para Fajão, a estrada, do lado contrário, estava coberta de flores. As pétalas das giestas, amarelas e abundantes, cairam de maduras com a chuva e o vento da noite. Talvez ainda não tivessem passado muitos carros em sentido contrário e, coincidência ou não, a via parecia ter sido enfeitada como se fosse para a procissão do Santíssimo Sacramento. Logo me lembrei: hoje é dia de Corpo de Deus!
Ao chegar à igreja, celebrei a Missa votiva da Santíssima Eucaristia, seguindo a opção de usar as orações da Missa do dia de Corpo de Deus, e até as leituras. Sentia que tinha que o fazer. E, para mim e para as pessoas que lá estavam, foi Dia de Corpo de Deus, tal como o era em toda a Igreja!
sexta-feira, 31 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Vale de Ferro
Todos os anos lá íamos, no Domingo de Pentecostes, à tarde. Os naturais de lá foram embora há anos e o lugar ficou deserto e com as casas em ruínas, mas a capela lá está, sobre um morro, coroando a povoação. O lugar foi recentemente repovoado por um casal belga, mas conserva as suas característica de povoação quase deserta. Num extremo da freguesia do Ervedal, já próximo do rio Mondego, à volta só há giestas e não há estrada alcatroada para lá. É um lugar de silêncio e de paz. A capela, no cimo do pequeno outeiro, tem a magestade de um santuário, embora seja pequena e tenha aspecto de velha. O largo da capela, sustentado por uma parede de granito, é bastante rústico, pois a ausência de moradores naturais do lugar proporcionou que não se fizessem lá melhoramentos. Dali está ausente o cimento e o alcatrão: apenas há chão de terra, muro de pedra, rebouco antigo e espinhosas, árvores que, naquela zona, se vêem, com alguma frequência, nos adros. É um despojamento encantador, que nos conserva o passado tal como ele era.
Embora já não haja moradores naturais de lá, naquela tarde, pessoas de toda a Cordinha comparecem em peso! Aquele continua a ser o dia em que, tradicionalmente, ali se celebra a festa de Nossa Senhora das Necessidades, padroeira do lugar. A festa era bela, porque muito simples. Celebrávamos a Missa, e pouco mais. Uns vinham para a Missa, outros nem por isso, mas vinham muitos. Alguns traziam merendas e havia quem chegasse a trazer um acordeão.
Embora já não haja moradores naturais de lá, naquela tarde, pessoas de toda a Cordinha comparecem em peso! Aquele continua a ser o dia em que, tradicionalmente, ali se celebra a festa de Nossa Senhora das Necessidades, padroeira do lugar. A festa era bela, porque muito simples. Celebrávamos a Missa, e pouco mais. Uns vinham para a Missa, outros nem por isso, mas vinham muitos. Alguns traziam merendas e havia quem chegasse a trazer um acordeão.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Sermão do Encontro
Para o Encontro entre a Mãe
Santíssima e o seu Divino Filho na procissão do Senhor dos Passus, em Domingo
de Ramos, na Pampilhosa da Serra (24-03-2013).
Esta é a maior das notícias. Esta é a Boa Nova digna desse nome.
O amor de Deus é salvação.
E foi Ele que nos amou primeiro! É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados (1º João 4, 10). E, por isso, também o mesmo Filho de Deus nos diz: Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça (João 15, 16-17).
Tal como ninguém O reconheceu na pobreza do presépio em que nasceu, também agora dificilmente o reconheceríamos na crueldade da Cruz que leva às costas, ferido e humilhado. Tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano (Is 52, 14)
Esperávamos a vinda de Deus glorioso, mas… Deus ferido e humilhado?! Que escândalo!!! Que loucura!...
Nós não O conhecemos. Nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. (Is 53, 4-5)
Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. (Is 53, 6-7)
É a Paixão de Cristo que nos
conforta!
Toda nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele fomos salvos e livres (Cf. Gl 6, 14). Ele tinha que vir, porque nós precisávamos se ser reconciliados com Deus e uns com os outros.
*
Deus
amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito, para que todo o que
nEle crê não morra mas tenha a vida eterna (João
3, 16).Esta é a maior das notícias. Esta é a Boa Nova digna desse nome.
O amor de Deus é salvação.
E foi Ele que nos amou primeiro! É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados (1º João 4, 10). E, por isso, também o mesmo Filho de Deus nos diz: Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça (João 15, 16-17).
Desde sempre, o Verbo de Deus
existe. Foi pelo Seu Verbo que Deus disse “Faça-se”, e tudo foi feito. Desde
sempre que Ele é Deus com o Pai na unidade do Espírito. E as delícias do Verbo consistem em estar com os filhos dos homens
(Pr 8, 31). Tanto que Se fez um deles. Ele veio e habitou entre nós.
Ele tinha que vir, porque nós
precisávamos se ser reconciliados com Deus… e uns com os outros. Ele é a nossa paz (Ef 2, 14), por isso
Ele tinha que vir. Ele tinha que vir, porque nós não nos podemos salvar a nós
mesmos. Quem teria a arrogância de se julgar capaz de se salvar a si mesmo? Ele
tinha que vir porque todos nós, como
ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho (Is 53, 6).
Esperávamos ansiosamente que Ele
viesse. E Ele veio! O Filho de Deus veio ao mundo…
(entra
o andor com a imagem do Senhor dos Passus)
Ele veio… Veio mas ninguém o
conheceu! Aliás, Ele estava irreconhecível! O Seu rosto estava desfigurado! (Cf.
Is 52, 14) Esmagado pelo sofrimento, Cristo carrega a Cruz.
Ficamos, talvez, confusos…
Esperávamos que Ele viesse, não esperávamos que fosse… assim…Tal como ninguém O reconheceu na pobreza do presépio em que nasceu, também agora dificilmente o reconheceríamos na crueldade da Cruz que leva às costas, ferido e humilhado. Tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano (Is 52, 14)
Esperávamos a vinda de Deus glorioso, mas… Deus ferido e humilhado?! Que escândalo!!! Que loucura!...
Mas
aquilo que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e
o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte.
Porque o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e o que é
tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens. Por isso, enquanto os
judeus pedem sinais e os gregos andam em busca da sabedoria, nós pregamos um
Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas,
para os que são chamados, tanto judeus como não
judeus, Cristo é poder e sabedoria de
Deus. (Cf. 1ª Cor 1).
Nunca ninguém tinha visto nada
assim. Na verdade, diante dele, os reis
ficarão calados, porque hão-de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o
que nunca tinham ouvido. (Is 52, 15)
Nós não O conhecemos. Nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. (Is 53, 4-5)
Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. (Is 53, 6-7)
Ó Cristo, Vós viestes, e nós não
Vos conhecemos!
Ele
estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o
reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos
o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus
(Jo 1, 10-12).
Sim, tornámos filhos no Filho,
tornámos filhos por causa do Teu Sangue, ó Cristo! Sangue de Cristo, chuva de perdão! […] Sangue, seiva do Céu sempre a
jorrar. Sangue que lava a terra lés a lés como jamais a lavaria o mar. […] seja
em cada agonia a grande esperança e mate a sede a quem de sede morre (M.
Faria).
(pausa)
Porque se Ele oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência
duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados
os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria (Is 53, 10-11).
Mas, por agora enfrentais o duro
combate da Vossa Paixão. Os discípulos dispersaram-se e fugiram. Abandonado por
todos, agora estais sozinho…
Estará Cristo totalmente só? Sim,
porque é Ele que tem que enfrentar o combate; mas na Via Sacra de Jesus também aparece Maria, sua Mãe (J. Ratzinger).
E a Sua Mãe Santíssima veio ao Seu encontro…
(entra
o andor com a imagem de Nossa Senhora)
Senhora, quando todos fugiram,
Vós estais aqui, diante do Vosso Filho, lacrimosa mas firme, confiante. Estais
aqui porque as mães são assim. Mas, acima de tudo, estais aqui porque sois a
Mulher da Fé, e, por isso, sois Mulher de coragem!
Há trinta e tal anos atrás, ali
bem perto, no templo, ouvistes a profecia da boca do velho Simeão: Este menino está aqui para queda e
ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada
trespassará a tua alma (Lc 2, 34-35).
E agora tudo isto se torna realidade; mas Vós conservastes sempre, no
vosso Imaculado Coração, o que o Anjo Vos
disse quando tudo começou: «Não temas, Maria» (Lc 1, 30). Por isso, agora os
discípulos fugiram, mas vós estais aí, com a coragem de mãe, com a fidelidade
de mãe, com a bondade de mãe, e com a Vossa Fé, que resiste na escuridão (Cf.
J. Ratzinger): «Feliz daquela que
acreditou» (Lc 1, 45).
Nós fugiríamos, porque a nossa
Fé, muitas vezes, é morna, tíbia, insípida, e nem sempre a sabemos levar a
sério, principalmente quando chega a hora da verdade!...
Vós, Senhora, talvez mesmo sem
compreender totalmente o que está a acontecer, sabeis que é o plano de Deus a
realizar-se de forma incompreensível e surpreendente. Vós tendes Fé apesar de
tudo, porque sabeis que o pensamento de Deus está acima do nosso e que o Seu plano
é misterioso e se realiza por caminhos que nós, às vezes, não compreendemos. E,
por isso, acreditais e confiais mesmo contra toda a esperança. Podeis até nem
saber como são os planos de Deus, mas confiais.
Por estranho que tudo isto pareça
e por doloroso que isto seja, Vós sabeis que o plano salvador de Deus passa por
aqui, mesmo que não o compreendamos por agora. Por estranho que isto pareça e
por doloroso que isto seja, Vós sabeis que, no fundo, este sofrimento e morte
hão-de trazer consigo a Vida. Sofreis com paciência o sofrimento do Vosso Filho
porque sabeis que ele há-de dar fruto de Vida e não de morte, mesmo que agora
ainda não consigamos ver como.
Senhora, Vós sofrestes mas não
desesperastes, porque o vosso sofrimento estava unido ao do Vosso Filho; era o mesmo
sofrimento, um sofrimento que é doloroso mas não é trágico, porque acaba em
ressurreição. Senhora, ensinai-nos a unir também os nossos sofrimentos ao único
sacrifício de Cristo. Porque assim o nosso sofrimento já não é desespero,
porque termina em caminhos de Vida verdadeira. Senhora, ensinai-me unir os meus
sofrimentos ao único sacrifício de Cristo, porque assim eu completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do Seu
Corpo, que é a Igreja (Cl 1, 24), e assim já não é um sofrimento estéril.
Toda nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele fomos salvos e livres (Cf. Gl 6, 14). Ele tinha que vir, porque nós precisávamos se ser reconciliados com Deus e uns com os outros.
Juntamente com Nossa Senhora,
rezemos juntos:
Alma de
Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos. Ámen.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos. Ámen.
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sábado, 17 de novembro de 2012
Domingo XXXIII do Tempo Comum, ano B
Tanto
a 1ª leitura de hoje como o Evangelho são discursos de género apocalíptico. Esta
maneira de escrever e de falar umas vezes refere-se a catástrofes, outras vezes
apresenta símbolos que nos podem parecer um pouco estranhos. Mas a mensagem
destes textos não é negativa. O objectivo não é meter medo às pessoas. Pelo
contrário, a finalidade é dar esperança e fortalecer a fé, até porque são
textos que foram escritos em momentos difíceis, normalmente momentos de
perseguição, de crise, de sofrimento, épocas em que o povo se interrogava como
e quando acabaria o seu sofrimento.
Estes
textos quase sempre nos remetem para o fim dos tempos. As catástrofes de que
aqui se fala significam que haverá uma decisiva e poderosa intervenção de Deus
e que acontecerá a vinda do reino de Deus no fim dos tempos, para além da
história humana, isto é, para além deste mundo, inaugurando um mundo novo, já
que este mundo está destinado a desaparecer um dia.
Na
verdade, “o cenário deste mundo é passageiro”.
O
Senhor diz hoje no Evangelho que “o sol
escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu”… E a
verdade é que nenhuma dessas coisas é eterna. Tudo neste mundo físico tem um
fim. Tudo tem uma duração limitada e há-de acabar: o sol, a lua, as estrelas, a
Terra,… e até a maldade dos homens! Só a bondade e a justiça é que permanecerão
eternamente. A 1ª leitura é clara quando diz que nesse tempo haverá angústia mas,
para o povo de Deus, vai ser tempo de libertação e salvação: “Será um tempo de angústia, como não terá
havido até então, desde que existem nações. Mas, nesse tempo, virá a salvação
para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus.” O
Dia do Senhor só pode ser terrível para quem estiver contra o Senhor. Só o pode
ser para os criminosos e os perversos. Se, neste mundo, tudo tem fim, até a
maldade humana (felizmente), as boas obras, pelo contrário, permanecem eternamente,
bem como aqueles que as praticam, como nos garante a leitura ao dizer que “os sábios resplandecerão como a luz do
firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão
como estrelas por toda a eternidade.” Também Jesus no Evangelho diz que o
Filho do Homem “mandará os Anjos, para
reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais”.
Portanto,
a mensagem que a 1ª leitura e o Evangelho nos anunciam não é de medo, mas é de
esperança: vão acabar a maldade, a injustiça, a crise, a perseguição, porque já
está a surgir um reino de justiça e de paz, o Reino de Deus.
O
fim dos tempos, mais do que a destruição da terra, significa a vinda do Reino
de Deus o momento histórico da intervenção de Deus em que salvará os que lhe
são fiéis.
Por
isso, agora compreendemos melhor porque é que os primeiros cristãos desejavam
tanto a vinda final de Cristo. Eles clamavam (e nós continuamos a clamar!): Vem,
Senhor Jesus!
As
palavras do Salmo responsorial que cantámos referem-se claramente a Cristo. Mas
nós podemos assumi-las como nossas, e, neste desejo da vinda do reino de Deus,
podemos aplica-las a nós mesmos, rezando: Vós
não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel
sofrer a corrupção. Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,alegria plena em
vossa presença, delícias eternas à vossa direita.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Saudação a Nossa Senhora do Mont'Alto 2012
Senhora do Mont’Alto, nossa Mãe!
Uma vez mais, aqui estamos aos teus pés, com as nossas velas acesas. Hoje, ao saudar-te, queremos recordar a Fé: tua Fé e a nossa Fé. Nem sempre nos apercebemos disso, mas a Fé é uma das nossas maiores riquezas, talvez a maior. Por isso, nesta noite queremos fazer-te um pedido especial: que a nossa Fé seja fortalecida. Que se torne semelhante à tua própria Fé, ó Mãe, aquela Fé que te levou a dizer “sim” sem ter certezas sobre o que ia acontecer a seguir, que te levou a dizer “sim” mesmo sem entender logo tudo, que te manteve corajosamente junto à Cruz e que te fez exultar de alegria na manhã de Páscoa.
Mãe, as velas que seguramos acesas são as velas do nosso baptismo; representam a vela que foi acesa quando fomos baptizados e que simboliza a nossa Fé. Porque, na verdade, a Fé é tal e qual como uma chama: tal como uma chama, também a fé ilumina, desfaz as trevas à nossa volta e, por isso, ensina-nos a caminhar por onde é caminho seguro e sem tropeçar em obstáculos; por outro lado, a Fé, tal como uma chama, também precisa de ser alimentada! Se a chama não tiver combustível para arder nem oxigénio, começa a definhar e a definhar até que se apaga; assim também a Fé, se for uma fé não-praticante, sem o alimento da oração, da Palavra, dos sacramentos e do Domingo, também começa a definhar e a definhar e pode até mesmo vir a apagar-se. Por isso, Mãe, esta noite, uma vez mais, ensina-nos o que é a Fé e do que é que precisamos para que esta chama não se apague.
Sim, ensina-nos, porque às vezes nem sabemos bem o que é ter Fé. Confundimo-la com outras coisas que não têm nada a ver com a Fé. Ajuda-nos a viver o mistério da Cruz, em vez de vivermos a ilusão de pensar que ter Fé é estar numa redoma de vidro que nos impede de sofrer. Ter Fé não é estar inume ao sofrimento, mas é saber vivê-lo de uma outra maneira. Cristo sofreu, e Tu, Mãe, sofreste com Ele… Por que havíamos nós de ficar zangados com o Pai do Céu se sofremos também? A estrada não é perfeita, por isso ajuda-nos a acordar, a limpar as lágrimas e a lutar como quem tem Fé. Ensina-nos a viver a Cruz não como uma fatalidade, mas como caminho para uma ressureição.
Mãe, às vezes há serpentes venenosas que querem reduzir a nossa fé a peças de museu, a tradições folclóricas, a peças de arte, para que ela deixe ser uma coisa viva que transforma a nossa vida.
Mãe, defende-nos das serpentes venenosas que se infiltraram até nos poderes públicos e nos tentam fazer a lavagem cerebral dizendo que a Fé deve ser uma coisa que tem a ver só com a consciência íntima de cada um e que não deve expressar-se em público.
Mãe, protege os nossos jovens contra os perversos que lhes queimam as consciências juvenis a dizer-lhes que ter fé é hipotecar a nossa liberdade e é deixar de usar a inteligência. Mãe do Céu, até nas nossas escolas essa propaganda asquerosa é promovida! Ali, onde é paga por todos os cidadãos! E paga pelos pais que, com tanto sacrifício, são obrigados a comprar os manuais escolares que alguém decidiu serem aqueles!
Mãe, às vezes não sei se tenho fé ou se tenho apenas religião… Às vezes há religião a mais e Fé a menos! E a prova disso é que a Fé que deixou de ser decisiva nas nossas escolhas do dia-a-dia:
- Dizemos que temos fé, mas o Domingo serve para todos os convívios, passeios e desportos e só não serve, por uma hora que seja, para dedicar a Deus, ao menos na Santa Missa
- Dizemos que temos fé, mas quase ninguém se confessa assiduamente
- Diz-se que se tem fé, mas critica-se a Igreja e a discorda-se de todas as suas leis
- Dizemos que se tem fé, mas há uma pornografia socialmente aceite que toleramos
- Enfim, dizemos que temos fé, mas Deus acaba por passar para segundo lugar nas nossas vidas
Não, Mãe, nós não temos Fé: nós só temos religião!
Olha Mãe, com amor maternal, os jovens que abandonam a Fé dos seus pais. Olha-os com o amor de que tanto precisam. Encontramos tantas pessoas, mas tantas, quer jovens quer menos jovens, que acham que a fé é só para uma determinada idade. Que acham que a fé é o fato da 1ª Comunhão ou da Profissão de Fé, que logo deixou de servir. Tantos acham que viver a Fé é para a idade de catequese e que depois se sentem desobrigados. Como é que é possível, ó Mãe, alguém achar que é normal abandonar a Igreja no final pela adolescência, como se a Fé fosse uma coisa de crianças!? Como é que alguém pode achar lógico deixar a Fé a seguir à Profissão de… Fé!? Decididamente, Mãe, o nosso Deus passou para segundo lugar nas nossas vidas. Segundíssimo lugar. Decididamente, já quase não temos Fé: só temos religião. Os que ainda a têm… Mas, quando Deus tiver o primeiro lugar nas nossas vidas, ai sim, o mundo será melhor!
Mãe, afinal o que é a Fé?
Talvez seja apenas confiar. Confiar em Deus da mesma maneira que uma criança confia no pai e na Mãe. Os que não têm Fé são aqueles que ainda não descobriram que hão-de confiar n’Ele como um bebé se confia totalmente à mãe e aos pais, sabendo que depende deles, mas sem se revoltar nada com isso, pelo contrário.
Nós já sabemos que Deus é Pai. Mas ainda não estamos bem seguros disso. E quanto mais seguros estivermos dessa certeza, talvez seja maior a nossa Fé.
Tu, que és Mãe, ajuda-nos a descobrir o rosto do Pai.
Com o Filho, que trazes ao colo e que é o Caminho a Verdade e a Vida, abençoa as nossas famílias. Abençoa as nossas empresas, pequenas e grandes, e todos os que lutam pelo pão de cada dia. Abençoa as nossas escolas. Abençoa os que nos governam, para que promovam o bem comum. Abençoa aqueles que se dedicam generosamente ao voluntariado. Abençoa os nossos grupos paroquiais e todos os que se dedicam à actividade pastoral, para que a boa notícia que é o teu Filho chegue a todo o lado.
Abençoa, por mais um ano, todos este peregrinos, de perto e de longe. Assim seja.
Uma vez mais, aqui estamos aos teus pés, com as nossas velas acesas. Hoje, ao saudar-te, queremos recordar a Fé: tua Fé e a nossa Fé. Nem sempre nos apercebemos disso, mas a Fé é uma das nossas maiores riquezas, talvez a maior. Por isso, nesta noite queremos fazer-te um pedido especial: que a nossa Fé seja fortalecida. Que se torne semelhante à tua própria Fé, ó Mãe, aquela Fé que te levou a dizer “sim” sem ter certezas sobre o que ia acontecer a seguir, que te levou a dizer “sim” mesmo sem entender logo tudo, que te manteve corajosamente junto à Cruz e que te fez exultar de alegria na manhã de Páscoa.
Mãe, as velas que seguramos acesas são as velas do nosso baptismo; representam a vela que foi acesa quando fomos baptizados e que simboliza a nossa Fé. Porque, na verdade, a Fé é tal e qual como uma chama: tal como uma chama, também a fé ilumina, desfaz as trevas à nossa volta e, por isso, ensina-nos a caminhar por onde é caminho seguro e sem tropeçar em obstáculos; por outro lado, a Fé, tal como uma chama, também precisa de ser alimentada! Se a chama não tiver combustível para arder nem oxigénio, começa a definhar e a definhar até que se apaga; assim também a Fé, se for uma fé não-praticante, sem o alimento da oração, da Palavra, dos sacramentos e do Domingo, também começa a definhar e a definhar e pode até mesmo vir a apagar-se. Por isso, Mãe, esta noite, uma vez mais, ensina-nos o que é a Fé e do que é que precisamos para que esta chama não se apague.
Sim, ensina-nos, porque às vezes nem sabemos bem o que é ter Fé. Confundimo-la com outras coisas que não têm nada a ver com a Fé. Ajuda-nos a viver o mistério da Cruz, em vez de vivermos a ilusão de pensar que ter Fé é estar numa redoma de vidro que nos impede de sofrer. Ter Fé não é estar inume ao sofrimento, mas é saber vivê-lo de uma outra maneira. Cristo sofreu, e Tu, Mãe, sofreste com Ele… Por que havíamos nós de ficar zangados com o Pai do Céu se sofremos também? A estrada não é perfeita, por isso ajuda-nos a acordar, a limpar as lágrimas e a lutar como quem tem Fé. Ensina-nos a viver a Cruz não como uma fatalidade, mas como caminho para uma ressureição.
Mãe, às vezes há serpentes venenosas que querem reduzir a nossa fé a peças de museu, a tradições folclóricas, a peças de arte, para que ela deixe ser uma coisa viva que transforma a nossa vida.
Mãe, defende-nos das serpentes venenosas que se infiltraram até nos poderes públicos e nos tentam fazer a lavagem cerebral dizendo que a Fé deve ser uma coisa que tem a ver só com a consciência íntima de cada um e que não deve expressar-se em público.
Mãe, protege os nossos jovens contra os perversos que lhes queimam as consciências juvenis a dizer-lhes que ter fé é hipotecar a nossa liberdade e é deixar de usar a inteligência. Mãe do Céu, até nas nossas escolas essa propaganda asquerosa é promovida! Ali, onde é paga por todos os cidadãos! E paga pelos pais que, com tanto sacrifício, são obrigados a comprar os manuais escolares que alguém decidiu serem aqueles!
Mãe, às vezes não sei se tenho fé ou se tenho apenas religião… Às vezes há religião a mais e Fé a menos! E a prova disso é que a Fé que deixou de ser decisiva nas nossas escolhas do dia-a-dia:
- Dizemos que temos fé, mas o Domingo serve para todos os convívios, passeios e desportos e só não serve, por uma hora que seja, para dedicar a Deus, ao menos na Santa Missa
- Dizemos que temos fé, mas quase ninguém se confessa assiduamente
- Diz-se que se tem fé, mas critica-se a Igreja e a discorda-se de todas as suas leis
- Dizemos que se tem fé, mas há uma pornografia socialmente aceite que toleramos
- Enfim, dizemos que temos fé, mas Deus acaba por passar para segundo lugar nas nossas vidas
Não, Mãe, nós não temos Fé: nós só temos religião!
Olha Mãe, com amor maternal, os jovens que abandonam a Fé dos seus pais. Olha-os com o amor de que tanto precisam. Encontramos tantas pessoas, mas tantas, quer jovens quer menos jovens, que acham que a fé é só para uma determinada idade. Que acham que a fé é o fato da 1ª Comunhão ou da Profissão de Fé, que logo deixou de servir. Tantos acham que viver a Fé é para a idade de catequese e que depois se sentem desobrigados. Como é que é possível, ó Mãe, alguém achar que é normal abandonar a Igreja no final pela adolescência, como se a Fé fosse uma coisa de crianças!? Como é que alguém pode achar lógico deixar a Fé a seguir à Profissão de… Fé!? Decididamente, Mãe, o nosso Deus passou para segundo lugar nas nossas vidas. Segundíssimo lugar. Decididamente, já quase não temos Fé: só temos religião. Os que ainda a têm… Mas, quando Deus tiver o primeiro lugar nas nossas vidas, ai sim, o mundo será melhor!
Mãe, afinal o que é a Fé?
Talvez seja apenas confiar. Confiar em Deus da mesma maneira que uma criança confia no pai e na Mãe. Os que não têm Fé são aqueles que ainda não descobriram que hão-de confiar n’Ele como um bebé se confia totalmente à mãe e aos pais, sabendo que depende deles, mas sem se revoltar nada com isso, pelo contrário.
Nós já sabemos que Deus é Pai. Mas ainda não estamos bem seguros disso. E quanto mais seguros estivermos dessa certeza, talvez seja maior a nossa Fé.
Tu, que és Mãe, ajuda-nos a descobrir o rosto do Pai.
Com o Filho, que trazes ao colo e que é o Caminho a Verdade e a Vida, abençoa as nossas famílias. Abençoa as nossas empresas, pequenas e grandes, e todos os que lutam pelo pão de cada dia. Abençoa as nossas escolas. Abençoa os que nos governam, para que promovam o bem comum. Abençoa aqueles que se dedicam generosamente ao voluntariado. Abençoa os nossos grupos paroquiais e todos os que se dedicam à actividade pastoral, para que a boa notícia que é o teu Filho chegue a todo o lado.
Abençoa, por mais um ano, todos este peregrinos, de perto e de longe. Assim seja.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
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