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quarta-feira, 2 de março de 2016

Celebrações da Palavra

Em alguns lugares, a equiparação da Celebração da Palavra à Missa ganhou proporções pateticamente descabidas.

sábado, 8 de março de 2014

Quaresma: um tempo triste?

Terminadas as folias carnavalescas, começa este tempo em que somos convidados à penitência, à renuncia…
Mas… será um tempo tristonho, como, talvez nos tenhamos habituado a vê-lo? Afinal, se eu, por penitência me privar de um vício ou fizer uma alimentação mais moderada, é ou não é verdade que a minha saúde fica logo a ganhar? E é ou não é verdade que o meu espírito fica muito mais livre para me aproximar de Deus? E para partilhar com alguém? É desagravo e acorda-me para a conversão. E é ou não verdade que a confissão me põe a vida “em pratos limpos”, reconciliando-me com Deus e com a Igreja?
Afinal, a Quaresma só nos faz voltar ao que é mesmo importante!...
Por que é que vemos como tristeza um tempo que, afinal, nos desvia de tanta coisa má, ou em excesso, e nos dá tanta coisa boa?
Tristeza é o pecado e a mediocridade em que teimamos viver todos os dias!
“Eis tempo favorável, eis o dia da salvação”: hoje é o dia!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Direito a ser Padre?

Publicado em jornais, há uns tempos atrás, como resposta a um artigo em que um Padre defendia a ordenação das mulheres.

Embora pouco cobiçada, a vida de Padre é vista por muitas pessoas como um direito, como uma coisa para quem quer. Deste erro parte a avaliação igualmente errada que muitas pessoas fazem das restrições da Igreja no que toca ao acesso às ordens sacras. É desta perspectiva desacertada, que vê a Igreja como uma empresa ou associação e o sacramento da Ordem como um cargo de poder e não de serviço, que derivam questões como: “Ele queria ser Padre mas não o deixaram”; “Os Padres deviam casar porque muitos gostavam de ser Padres e não vão por não se poderem casar”; e ainda “As mulheres têm direito a ser ordenadas e a ter poder de decisão na Igreja”.
Ora, a questão é que ninguém tem direito a ser Padre! Eu não tenho direito a ser Padre: a Igreja é que tem direito a que eu seja Padre, a que haja alguém que, enviado por Deus, lhe administre os sacramentos e alimente com a Palavra de Deus. Porque ser Padre é uma questão de os cristãos terem acesso aos sacramentos, e não de poder. Eu não sou Padre por causa de mim, nem para minha consolação pessoal: embora feliz por ser Padre, sou-o por causa de uma necessidade que a Igreja tem, e não fazia sentido ser de outra maneira.
Porque ser Padre não é uma questão de “ter direito”, a Igreja deve “filtrar” os candidatos e não deixar ordenar aqueles que descobrir que não são idóneos.
Do mesmo modo, o celibato tem a vantagem de percebermos que ser Padre não é “uma profissão como as outras”, como diz o povo.
Colocar a questão da ordenação de mulheres numa perspectiva de “ter poder” na Igreja é, no mínimo, colocar mal a questão. Não precisamos de quem queira vir mandar na Igreja. Precisamos é de quem queira vir servir a Igreja, de quem esteja disposto a deitar-se tarde e levantar-se cedo para celebrar a Missa em tantas paróquias sem Eucaristia, para acompanhar a vida espiritual e pastoral nas nossas cada vez maiores unidades pastorais, para ter a catequese em ordem, para fazer as reuniões, para resolver os problemas chatos dos centros sociais, para fazer a actividade com os jovens, para resolver os conflitos pouco agradáveis com a Fábrica da Igreja, para visitar os doentes, para confessar uma igreja cheia... Tudo isso custa muito, e tem a ver apenas com amor à Igreja, e não com direito a ser coisa nenhuma. Quem se acha com tantos direitos perante o sacramento da Ordem será que quer ser ordenado/a por amor a Deus e à Igreja ou apenas por amor a si próprio? Deus nos livre de a Igreja ser invadida, na sua hierarquia, por pessoas sedentas de poder e de ascensão pessoal em vez de espírito de serviço! Se já as há por lá, não queiramos lá mais!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Dia Santo (Corpo de Deus)

Ontem, pela primeira vez, não celebrámos o Corpo de Deus no dia próprio. De manhã, ao subir a serra, dos Cavaleiros para Fajão, a estrada, do lado contrário, estava coberta de flores. As pétalas das giestas, amarelas e abundantes, cairam de maduras com a chuva e o vento da noite. Talvez ainda não tivessem passado muitos carros em sentido contrário e, coincidência ou não, a via parecia ter sido enfeitada como se fosse para a procissão do Santíssimo Sacramento. Logo me lembrei: hoje é dia de Corpo de Deus!
Ao chegar à igreja, celebrei a Missa votiva da Santíssima Eucaristia, seguindo a opção de usar as orações da Missa do dia de Corpo de Deus, e até as leituras. Sentia que tinha que o fazer. E, para mim e para as pessoas que lá estavam, foi Dia de Corpo de Deus, tal como o era em toda a Igreja!

sábado, 7 de julho de 2012

Os sempre escusados refrães do Pai Nosso

Há cânticos e refrães que alguém se lembrou de juntar ao Pai Nosso, na Missa, e que, entretanto, se difundiram abundantemente. Estes refrães são uma adição que vem completamente a despropósito e que atrapalha mais do que ajuda. Vejamos porquê:
 
1. Quando o sacerdote convida “rezemos a oração que o Senhor nos ensinou”, espera-se, logicamente, que comecemos a rezar como o texto do Pai Nosso, que foi o que o Senhor nos ensinou, e não outras palavras como “junto ao mar eu ouvi hoje” ou “todo o mundo é um hino de glória”, etc.
 
2. Ao terminar juntos o Pai Nosso, com as palavras “…mas livrai-nos do mal”, o sacerdote pega nessas palavras para continuar “Livrai-nos de todo o mal, Senhor, e dai ao mundo a paz…”. Inserindo aqui um refrão corta-se esta unidade contínua de oração que vem no missal.
 
3. Quando se insere um cântico ou refrão ao Pai Nosso, pode haver um certo desrespeito pelo sacerdote, pois há a tendência de ser alguém do coro a começar a rezar o Pai Nosso, quando esse papel cabe ao Presidente da Celebração.
 
4. Além de tudo isto, cantar nesse momento cria um espaço morto e alonga extraordinariamente a celebração. Ao inserir estes cânticos, talvez com a intenção de “fazer” uma Missa mais “animada”, contribui-se, pelo contrário, para uma celebração desnecessariamente mais longa e enfadonha, isto é, uma “seca” ainda maior.
 
5. Pior ainda do que a adição destes refrães é substituir o texto do Pai Nosso por paráfrases do Pai Nosso!
 
Concluindo, queremos o Pai Nosso puro e autêntico, aquele que “o Senhor nos ensinou”, sem adições que só distraem e enfadam. Temos direito a uma celebração mais simples e verdadeira. É melhor usar esses cânticos noutras partes da Missa. Por exemplo, o “Pai Nosso galego” é um cântico vocacional que entraria bem à comunhão ou apresentação dos dons, mas nunca no Pai Nosso.

domingo, 3 de julho de 2011

Porque é que o Domingo XIII do Tempo Comum apareceu a seguir ao dia de Corpo de Deus?

O facto de, este ano, o Domingo a seguir ao Corpo de Deus ter sido o XIII do Tempo Comum tem um explicação simples.
O Tempo Comum começa a seguir ao Tempo do Natal. Depois do Domingo da Epifania ("Dia de Reis") vem a Festa do Baptismo do Senhor, que ocupa o lugar do Domingo I do Tempo Comum. A semana que começa logo a seguir ao Baptismo do Senhor já é a Semana I do Tempo Comum.
E o Tempo Comum segue normalmente até ser interrompido no dia de Quarta-feira de Cinzas, que começa a Quaresma. A Quaresma, que pode começar mais cedo ou mais tarde conforme a Páscoa seja mais alta ou mais baixa, vem interromper o Tempo Comum; à Quaresma segue-se imediatamente o Tempo Pascal; ao terminar o Tempo Pascal, o Tempo Comum é retomado a partir do ponto onde foi interrompido.
Assim, este ano, o dia 6 de Março foi o Domingo IX do Tempo Comum. Mas a quarta-feira seguinte foi Quarta-feira de Cinzas. O dia 12 de Maio foi o Domingo de Pentecostes, último Domingo do Tempo Pascal, e a semana que começou logo a seguir foi a Semana XI do Tempo Comum. O Domingo seguinte seria o Domingo XII do Tempo Comum, mas esse Domingo foi ocupado pela solenidade da Santíssima Trindade, que se celebra sempre no Domingo a seguir ao Pentecostes; mas a semana que se seguiu a esse Domingo da Santíssima Trindade foi a Semana XII do Tempo Comum. Por isso é que o Domingo pasado foi o Domingo XIII do Tempo Comum e este Domingo é o Domingo XIV do Tempo Comum.
Os Domingos do Tempo Comum vão suceder-se agora até ao XXXIV, que é o Domingo de Cristo Rei, último Domingo do ano litúrgico (este ano a 20 de Novembro). O Domingo seguinte é o Domingo I do Advento (este ano a 27 de Novembro), que inicia um novo ano litúrgico.