Todos os anos, de 18 a 25 de Janeiro, celebramos oito dias de oração pela unidade dos cristãos. O que é isso? E para quê?
No princípio, a Igreja estava unida… Em 1050, depois de uma série de discussões e num contexto histórico polémico, deu-se a grande separação entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, que subsiste até hoje. No séc. XVI, o monge alemão Martinho Lutero deu início à reforma protestante. Depois, sobretudo entre os protestantes, continuaram as sub-divisões…
Estas duas grandes rupturas mantêm os cristãos escandalosamente divididos. Uma cristandade assim dividida entristece profundamente o nosso Mestre e prejudica a eficácia do nosso testemunho e da evangelização.
Será que a unidade é possível? Sim, há sinais de esperança: por um lado, ao longo dos séculos, muitas Igrejas Ortodoxas voltaram à comunhão com o Santo Padre (são as chamadas Igrejas “uniatas”); por outro lado, muitos protestantes, individualmente, começam a perceber, na Bíblia e na história da Igreja, os sinais que apontam para a originalidade e autenticidade da Igreja Católica, muitos deles desiludidos com o cada vez maior relativismo das suas comunidades protestantes.
De 18 a 25 de Janeiro, de um modo especial, rezemos pelos nossos irmãos separados, os protestantes e ortodoxos, para que, redescobrindo a beleza e a verdade da única Igreja de Cristo, regressem à casa paterna e, assim, volte a haver um só rebanho e um só Pastor.
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
domingo, 11 de janeiro de 2015
Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos
Todos os anos, de 18 a 25 de Janeiro, celebramos oito dias de oração pela unidade dos cristãos. O que é isso? E para quê?
No princípio, a Igreja estava unida… Em 1050, depois de uma série de discussões e num contexto histórico polémico, deu-se a grande separação entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, que subsiste até hoje. No séc. XVI, o monge alemão Martinho Lutero deu início à reforma protestante. Depois, sobretudo entre os protestantes, continuaram as sub-divisões…
Estas duas grandes rupturas mantêm os cristãos escandalosamente divididos. Uma cristandade assim dividida entristece profundamente o nosso Mestre e prejudica a eficácia do nosso testemunho e da evangelização.
Será que a unidade é possível? Sim, há sinais de esperança: por um lado, ao longo dos séculos, muitas Igrejas Ortodoxas voltaram à comunhão com o Santo Padre (são as chamadas Igrejas “uniatas”); por outro lado, muitos protestantes, individualmente, começam a perceber, na Bíblia e na história da Igreja, os sinais que apontam para a originalidade e autenticidade da Igreja Católica, muitos deles desiludidos com o cada vez maior relativismo das suas comunidades protestantes.
De 18 a 25 de Janeiro, de um modo especial, rezemos pelos nossos irmãos separados, os protestantes e ortodoxos, para que, redescobrindo a beleza e a verdade da única Igreja de Cristo, regressem à casa paterna e, assim, volte a haver um só rebanho e um só Pastor.
No princípio, a Igreja estava unida… Em 1050, depois de uma série de discussões e num contexto histórico polémico, deu-se a grande separação entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, que subsiste até hoje. No séc. XVI, o monge alemão Martinho Lutero deu início à reforma protestante. Depois, sobretudo entre os protestantes, continuaram as sub-divisões…
Estas duas grandes rupturas mantêm os cristãos escandalosamente divididos. Uma cristandade assim dividida entristece profundamente o nosso Mestre e prejudica a eficácia do nosso testemunho e da evangelização.
Será que a unidade é possível? Sim, há sinais de esperança: por um lado, ao longo dos séculos, muitas Igrejas Ortodoxas voltaram à comunhão com o Santo Padre (são as chamadas Igrejas “uniatas”); por outro lado, muitos protestantes, individualmente, começam a perceber, na Bíblia e na história da Igreja, os sinais que apontam para a originalidade e autenticidade da Igreja Católica, muitos deles desiludidos com o cada vez maior relativismo das suas comunidades protestantes.
De 18 a 25 de Janeiro, de um modo especial, rezemos pelos nossos irmãos separados, os protestantes e ortodoxos, para que, redescobrindo a beleza e a verdade da única Igreja de Cristo, regressem à casa paterna e, assim, volte a haver um só rebanho e um só Pastor.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Baptizar as crianças? Claro que sim!
Há quem diga que se devia deixar as crianças crescer para, em adultos, decidirem livremente se queriam ser baptizadas ou não… Os ateus, em concreto, acham que o Baptismo das crianças é uma imposição, um atentado à liberdade da pessoa…
É claro que tanto os ateus como os “católicos” que o são só pela metade são, todos eles, incapazes de perceber que o Baptismo é uma vocação. Não, vocação não é só coisa de “padres e freiras”. Vocação quer dizer “chamamento”: vem do latim “vocare”, que significa “chamar”. Portanto, não sou eu que escolho Deus, é Deus que me chama! Perante o chamamento, eu posso responder ou não, mas a iniciativa é de Quem chama, e não de quem responde. Foi Deus que nos amou primeiro, antes de nós podermos escolher amá-l’O ou não.
Disse Jesus: “Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça” (Jo 17, 16). Se acredito que Deus é real, posso acreditar que foi Ele que me chamou, servindo-Se dos meus pais, que me levaram à fonte baptismal; mas quem não acredita no chamamento de Deus será que acredita que Ele existe?
Nem sequer ninguém nos perguntou se queríamos vir ao mundo, e muitas das coisas mais importantes da nossa vida não fomos nós que escolhemos: não escolhemos o nosso nome, nem a nossa terra, nem a família em que nascemos... E ninguém considera isso uma violência à nossa liberdade.
Quem acha que a fé e a vida divina são coisas mesmo importantes não está a perder tempo com “teorias”: baptiza os seus filhos quanto antes por que isso é que é importante.
Diz o Catecismo da Igreja Católica no nº 1250: “Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Baptismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Baptismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento.”
É claro que tanto os ateus como os “católicos” que o são só pela metade são, todos eles, incapazes de perceber que o Baptismo é uma vocação. Não, vocação não é só coisa de “padres e freiras”. Vocação quer dizer “chamamento”: vem do latim “vocare”, que significa “chamar”. Portanto, não sou eu que escolho Deus, é Deus que me chama! Perante o chamamento, eu posso responder ou não, mas a iniciativa é de Quem chama, e não de quem responde. Foi Deus que nos amou primeiro, antes de nós podermos escolher amá-l’O ou não.
Disse Jesus: “Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça” (Jo 17, 16). Se acredito que Deus é real, posso acreditar que foi Ele que me chamou, servindo-Se dos meus pais, que me levaram à fonte baptismal; mas quem não acredita no chamamento de Deus será que acredita que Ele existe?
Nem sequer ninguém nos perguntou se queríamos vir ao mundo, e muitas das coisas mais importantes da nossa vida não fomos nós que escolhemos: não escolhemos o nosso nome, nem a nossa terra, nem a família em que nascemos... E ninguém considera isso uma violência à nossa liberdade.
Quem acha que a fé e a vida divina são coisas mesmo importantes não está a perder tempo com “teorias”: baptiza os seus filhos quanto antes por que isso é que é importante.
Diz o Catecismo da Igreja Católica no nº 1250: “Nascidas com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças também têm necessidade do novo nascimento no Baptismo para serem libertas do poder das trevas e transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, a que todos os homens são chamados. A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Baptismo das crianças. Por isso, a Igreja e os pais privariam, a criança da graça inestimável de se tornar filho de Deus, se não lhe conferissem o Baptismo pouco depois do seu nascimento.”
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Entre a vida e a morte
Sempre que rezamos o terço, rezamos, no final de cada mistério, aquela famosa jaculatória: “Ó meu bom Jesus, perdoai-
-nos e livrai-nos do fogo do inferno/ e levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem”. Foi ensinada por Nossa Senhora, em Fátima (13-07-1917), aos pastorinhos, com a recomendação de que a rezassem sempre no final de cada mistério do terço.
Mas pode surgir a pergunta: afinal, que “almas” são estas? Serão as almas dos que morreram, as almas do purgatório? Se não sabia, então surpreenda-se: esta oração não é pelos defuntos! Pelo contrário, é pelos que estão bem vivos! Sim, somos nós as almas que precisam de ser livres do inferno, nós pecadores que andamos aqui de pé, sobre esta terra. Por isso, se pede a Jesus para levar para o céu os “que mais precisarem”, isto é, os pecadores mais fechados ao arrependimento e à conversão, em maior perigo de condenação. Esses sim, estão entre a Vida e a morte; nesta vida terrena é que decidimos o nosso futuro de Vida eterna ou morte eterna.
Durante muitos anos, divulgou-se uma versão errada desta oração, em que se dizia “aliviai as almas do purgatório, principalmente as mais abandonadas”. Ora, talvez não valesse a pena N.ª Senhora aparecer em Fátima por causa disso… Embora seja uma obra de misericórdia contribuir para diminuir a pena das almas do purgatório, elas já estão salvas, é só uma questão de repararem o mal que fizeram em vida para, de seguida, entrarem no céu; quem está no purgatório não desce ao inferno, parte de lá para o céu, isto é, já está salvo. Mas para quem ainda vive nesta terra está tudo em aberto… Portanto, é muito mais urgente e importante rezar por aqueles que ainda podem vir a condenar-se!
Seria muito pouco que a Virgem Santíssima se dignasse descer a esta terra só para nos mandar rezar por pessoas que já estão salvas. Fátima não é uma pastoral de mortos, mas de vivos, e, reconhecendo que o pecado é a pior morte, que nos conduz à morte eterna, Fátima é uma mensagem de conversão, de luta contra os vícios e de oração e sacrifício solidários pela conversão dos pecadores.
-nos e livrai-nos do fogo do inferno/ e levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem”. Foi ensinada por Nossa Senhora, em Fátima (13-07-1917), aos pastorinhos, com a recomendação de que a rezassem sempre no final de cada mistério do terço.
Mas pode surgir a pergunta: afinal, que “almas” são estas? Serão as almas dos que morreram, as almas do purgatório? Se não sabia, então surpreenda-se: esta oração não é pelos defuntos! Pelo contrário, é pelos que estão bem vivos! Sim, somos nós as almas que precisam de ser livres do inferno, nós pecadores que andamos aqui de pé, sobre esta terra. Por isso, se pede a Jesus para levar para o céu os “que mais precisarem”, isto é, os pecadores mais fechados ao arrependimento e à conversão, em maior perigo de condenação. Esses sim, estão entre a Vida e a morte; nesta vida terrena é que decidimos o nosso futuro de Vida eterna ou morte eterna.
Durante muitos anos, divulgou-se uma versão errada desta oração, em que se dizia “aliviai as almas do purgatório, principalmente as mais abandonadas”. Ora, talvez não valesse a pena N.ª Senhora aparecer em Fátima por causa disso… Embora seja uma obra de misericórdia contribuir para diminuir a pena das almas do purgatório, elas já estão salvas, é só uma questão de repararem o mal que fizeram em vida para, de seguida, entrarem no céu; quem está no purgatório não desce ao inferno, parte de lá para o céu, isto é, já está salvo. Mas para quem ainda vive nesta terra está tudo em aberto… Portanto, é muito mais urgente e importante rezar por aqueles que ainda podem vir a condenar-se!
Seria muito pouco que a Virgem Santíssima se dignasse descer a esta terra só para nos mandar rezar por pessoas que já estão salvas. Fátima não é uma pastoral de mortos, mas de vivos, e, reconhecendo que o pecado é a pior morte, que nos conduz à morte eterna, Fátima é uma mensagem de conversão, de luta contra os vícios e de oração e sacrifício solidários pela conversão dos pecadores.
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terça-feira, 6 de maio de 2014
Celibato, uma riqueza na Igreja
Texto que fiz para publicar, aos poucos n'O Astrolábio.
Ser padre não é uma profissão
Ser padre não é “uma profissão como as outras”! E o celibato devia ajudar-nos a perceber isso. De facto, não falta quem diga: “por que é que os padres não se hão-de casar? Afinal, é uma profissão como as outras…”. Mas, se os sacerdotes não se casam, então é porque ser padre não é uma profissão (e muito menos uma profissão “como as outras”). Trata-se de uma vocação, e não de uma profissão. Na verdade, quando se pergunta a profissão a um homem casado, ninguém responde “sou casado”… A profissão representa, apenas, uma parte da nossa vida: o trabalho. Mas ser padre envolve toda a vida de quem o é, e não apenas os trabalhos próprios do padre. Quem diz que o padre se devia casar porque tem “uma profissão como as outras” está a colocar a questão ao contrário: se o padre é celibatário, então esse é, precisamente, o primeiro sinal de que ser padre não é uma profissão (nem “como as outras” nem como nenhuma).
O celibato é uma consagração
É uma questão de ser todo e só de Cristo, de uma forma muito especial. Não tem nada a ver com “ter mais tempo para as paróquias” ou “não ter tempo para a família”. Trata-se de ser todo só de Cristo, de se consagrar totalmente a Ele. E (embora pudesse ser de outra maneira) faz todo o sentido que o padre seja assim.
Então e as freiras?
Mas há outros celibatários para além dos sacerdotes. Ao contrário do que muitos pensarão, nem todos os frades e monges são padres. Muitos são, simplesmente, frades, ou então monges, da mesma forma que as religiosas são, simplesmente, freiras, ou então monjas (já para não falar dos leigos consagrados). Então estes e estas, que seguem uma vocação religiosa? Também se deviam casar? Ora, isso é impossível: viver em celibato faz parte da sua vocação, que não é outra senão viver os três conselhos evangélicos: pobreza voluntária, castidade perpétua e obediência inteira. É um modo de vida incompatível, sob diversos pontos de vista, com o matrimónio. Pode acontecer que os sacerdotes venham a deixar de ser celibatários, pois o sacerdócio não tem que estar obrigatoriamente ligado ao celibato. Mas a vida religiosa consagrada está absolutamente ligado ao celibato! Faz parte, não poderia existir de outra forma!
Portanto, o celibato existiria sempre na Igreja, mesmo que os sacerdotes deixassem de ser celibatários, pois a vocação à vida religiosa consagrada é sempre celibatária.
O celibato e a falta de vocações
Também não falta quem diga: “Se os padres se pudessem casar, até havia mais padres, porque alguns não vão para padres porque não se podem casar...”. Mas, se isso fosse verdade, não haveria falta de vocações entre os protestantes, cujos pastores se podem casar. O problema da falta de vocações não tem nada a ver com o celibato. A única verdadeira causa da crise de vocações é a falta de fé: se houver poucos jovens na Igreja, dificilmente os haverá no seminário!... Além disso, os que pensam que resolveriam a falta de vocações sacerdotais acabando com o celibato, como é que resolviam o problema da falta de vocações para a vida religiosa, que não pode ser senão celibatária? Para mais, o celibato é uma grande oportunidade de discernimento, que leva candidato a amadurecer a vocação e ajuda a seleccionar algumas falsas vocações. Além disso, ainda bem que “alguns não vão para padres porque não se podem casar”: é que ser padre não é um direito, nem uma coisa para quem quer, mas sim um chamamento de Deus.
“Mal empregado!”
“Mal empregado!”
Dizer de alguém “mal empregado ter ido para padre...” é um dos maiores disparates da história universal (mesmo que pretenda ser elogio). Como se o celibato fosse o destino natural de pessoas feias ou frustradas com a vida. E como se alguém fosse melhor “aproveitado” por estar comprometido apenas com uma pessoa (em vez de comprometido com Deus e com toda uma comunidade). É que as pessoas não são mercadoria para ser bem ou mal “empregadas” (o consumismo aplicado à sexualidade é que nos faz pensar isso). Olhando a vida tão frutuosa de grandes santos celibatários, mesmo os de bela aparência física, percebemos que não foram nada mal empregados, pelo contrário. Ao ver a beleza, tanto interior como exterior, de S. Teresinha do Menino Jesus, por exemplo, o que dá vontade de dizer é: “mal empregada mas era se não tivesse sido carmelita!”
Por amor do Reino dos Céus
Por amor do Reino dos Céus
Foi Cristo que instituiu o celibato! É da Sua vontade que ele exista. Não é uma vocação para todos, evidentemente, mas Cristo deixa claro que alguns são chamados a esse modo de vida: “Há eunucos que nasceram assim; há eunucos que foram feitos pelos homens; e há aqueles que se fazem eunucos por amor do Reino dos Céus” (Mt 19, 12). Isto é, há os que são obrigados a privarem-se das relações sexuais por deficiências da natureza ou causadas pelos homens; e há os que se privam delas voluntariamente “por amor do Reino dos Céus”. Isto é não só aprovado mas até sugerido por Cristo.
O celibato não é uma fuga
O celibato não é uma fuga
Mas o celibato não é fruto de um desgosto amoroso, como muitos imaginam,nem é um acto egoísta de quem evita os sacrifícios do casamento! O celibato é uma entrega feita por quem se sente feliz, é um acto de amor generoso. Diz o Papa Pio XII: “A virgindade não é virtude cristã se não é praticada "por amor do reino dos céus", isto é, para mais facilmente nos entregarmos às coisas divinas, para mais seguramente alcançarmos a bem-aventurança, e para mais livre e eficazmente podermos levar os outros para o reino dos céus. Não podem, portanto, reivindicar o título de virgens as pessoas que se abstêm do matrimónio por puro egoísmo, ou para evitarem os seus encargos (Sacra Virginitas, 12 e 13).
Precisamos dos celibatários!
Precisamos dos celibatários!
Se Cristo convida (alguns) ao celibato e se ele existiria sempre na Igreja, mesmo que os sacerdotes deixassem de ser celibatários, então é porque tem valor. A Igreja é um corpo (o Corpo místico de Cristo) e, como corpo, tem muitos membros diferentes. Os membros celibatários fazem parte desse corpo. Acabar com o celibato seria amputar um importantíssimo membro do Corpo de Cristo.
Afinal, o celibato esclarece o casamento!
Afinal, o celibato esclarece o casamento!
O teólogo protestante Max Thurian disse: «Quando é depreciada a vocação do celibato, também o é a do casamento» (é interessante que seja um protestante a dizê-lo). É sintomático que, onde quer que se negou, na Igreja, o direito de existência à virgindade, também não se reconheceu a natureza sacramental do matrimónio. A virgindade e o matrimónio iluminam-se mutuamente porque o seu modelo é o mesmo: a união de Cristo com a Igreja. São estados de vida complementares na Igreja que se evocam mutuamente.
A sociedade actual rejeita o celibato. O celibato faz confusão às pessoas! A larga maioria preferia que o celibato acabasse. Não é nada com eles, que não são celibatários, mas sentem-se incomodadíssimos! E o casamento? Afinal, descobrimos que também ele anda tão mal tratado por esta sociedade que detesta o celibato. Onde jovens não se casam e menos jovens se re-casam, é impossível que o celibato seja visto com bons olhos. Só quem compreende e aceita o matrimónio conforme a Igreja o propõe (com uma só pessoa e até que a morte os separe, em fidelidade) é que está preparado para aceitar também o celibato. Quem não aceita o casamento assim também não está preparado para entender o celibato. Se o mundo actual não aceita o casamento católico como é que há-de aceitar o celibato? Também hoje, mesmo entre “cristãos”, se confirma, uma vez mais, que quando a vocação do celibato é desvalorizada também o é a do casamento. Que isto nos sirva de exame de consciência.
Sempre houve celibato na Igreja
Sempre houve celibato na Igreja
Contra o celibato, muitos argumentam que, no início da Igreja, os padres e bispos não eram celibatários, mas respeitáveis pais de família. Isso é verdade: de facto, na Igreja primitiva, os sacerdotes eram, em geral, homens casados, e não necessariamente celibatários (embora alguns o fossem); no entanto, quem lembra essa verdade com tanta veemência esquece (ou pretende deixar esquecido…) que, embora os sacerdotes, inicialmente, não fossem obrigatoriamente celibatários, sempre houve na Igreja, desde o início, formas de celibato consagrado.
Ainda antes de haver congregações religiosas, já havia jovens raparigas que consagravam a sua virgindade a Cristo para serem esposas unicamente dEle. E não só raparigas mas também rapazes. Havia também viúvas que, não se tornando a casar, se consagravam igualmente a Cristo. Muitas das jovens mártires dessa época, que bem conhecemos e celebramos, consagraram a sua virgindade a Cristo, seu Esposo divino (S. Luzia, S. Cecília, S. Águeda, S. Inês, S. Bárbara, etc.).
Portanto, o celibato, de homens ou de mulheres, sempre existiu na Igreja!
Os abusos são fruto apenas da deturpação
Os abusos são fruto apenas da deturpação
Os tristes casos de pedofilia na Igreja que têm sido denunciados nada têm a ver com o celibato. Muitos dos pedófilos são casados: se praticam esse crime horroroso não é por falta de terem oportunidade de relações sexuais honestas. Os pedófilos, sejam eles quem forem, fazem-no porque são pessoas desequilibradas, e não por serem celibatários.
Ora, em primeiro lugar, há que lembrar que os padres, salvo raras e tristes excepções, são pessoas honestas e irrepreensíveis nesse ponto; em segundo lugar, essas tais tristes excepções são apenas uma pequeníssima parte dos pedófilos! Diz o Papa Francisco: “O celibato trazer como consequência a pedofilia está fora de questão. Mais de 70% dos casos de pedofilia ocorrem no ambiente familiar. Se um padre for pedófilo, é-o antes de ser padre. Ora, quando isso acontece, nunca se deverá tolerar. Não se pode assumir uma posição de poder e destruir a vida de outra pessoa.”
Obrigados a casar?
Obrigados a casar?
Não falta quem diga que o celibato é “contra-natura”, que não é uma realidade saudável nem possível de ser vivida, por causa da força dos instintos sexuais; há quem o veja como uma espécie de mutilação… Não admira que haja quem diga isto num mundo cada vez mais poluído pelos mais diversos tipos de pornografia. Mas dizer que o celibato é anti-natural ou que é impossível de ser realmente vivido, é a mesma coisa que querer obrigar toda a gente a casar... Mas nem toda a gente tem que se casar, há mais vocações para além do casamento.
A riqueza dos solteiros
A riqueza dos solteiros
Há pessoas que, mesmo sem terem feito qualquer voto de celibato, permanecem solteiras toda a vida, e por opção! Falamos, naturalmente, de verdadeiros solteiros/as, e não de “solteirões aventureiros”… nem de solteiros que vivem “juntos”, fazendo vida como se fossem casados… Não falamos desses, mas sim de tantas pessoas que são um bem para a comunidade pelo seu espírito de serviço e de generosidade, que é intensificado pela liberdade de tempo e movimento que a sua condição de solteiros lhes deixa. Será que a vida dessas pessoas deixa de ter sentido por serem solteiras? E a dos padres? Seria absurdo se assim fosse. Às vezes dá a impressão que os críticos do celibato querem obrigar a casar, a toda a força, pessoas que optaram por não casar, como se as pessoas não fossem livres de escolher o seu modo de vida, para além de esquecerem que o celibato é um chamamento e um dom que vêm de Deus, Aquele que está acima de tudo.
Não é fácil, mas...
Não é fácil, mas...
É certo que o celibato não é fácil de ser vivido, mas… será que casar resolve o problema? Quantos maridos e esposas infiéis!... O problema é muito mais profundo do que casar ou não casar: trata-se de ser fiel ou não ser fiel; há que viver a arte da fidelidade quer no celibato quer no casamento.
Sim, é possível ao padre ser fiel ao celibato: se confiar e viver na graça! O celibato é uma questão de fé, por isso quem não crê não consegue compreender o papel da graça no meio de todo este processo. Os críticos do celibato, geralmente, esquecem a graça, mas a graça é indispensável! Sem ela é impossível ser fiel. Só com a graça de Deus é que o celibatário consegue ser fiel, da mesma maneira que só com a graça é que os esposos conseguem ser fiéis um ao outro e por toda a vida. Aliás, a presença da graça é, exactamente, a grande diferença entre o sacramento do matrimónio e o casamento civil.
Há mais vida para além do sexo
Há mais vida para além do sexo
Os nossos meios de comunicação social repetem-nos, a toda a hora, que: “ninguém pode ser feliz sem ter sexo, muito sexo”. Mas o celibato é um testemunho contra essa perversão, e é tão incomodativo que há quem tente abafar esse testemunho fixando-se nos casos de alguns sacerdotes infiéis, procurando atingir todos, mesmo os que são fiéis. Num mundo saturado de sexo, cuja banalização e leviandade são vistas como algo normal ou até saudável, o celibato feliz de muitos mostra que, afinal, há mais vida para além do sexo! É verdade!...
Sinal do que há-de vir
Sinal do que há-de vir
O celibato é uma antevisão da eternidade. Jesus diz que os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento, mas, quando for a ressurreição, já não se vão casar nem dar-se em casamento (Lc 20 34-36). O matrimónio, embora seja um sacramento, é algo que pertence, apenas, a este mundo, uma vez que dura “até que a morte os separe”. O celibato, por sua vez, não é “deste mundo”, não faz sentido senão tendo em conta o mundo futuro. Aqueles que o vivem são um testemunho vivo da fé na vida eterna e daquilo que hão-de ser os que tomarem parte na ressurreição. O celibato é, então, uma questão de eternidade.
O celibato põe-nos à prova
O celibato põe-nos à prova
Se é uma questão de eternidade, então é uma questão de fé! Perante uma opção de vida tão radical, aquele que é chamado ao celibato é posto à prova, como se alguém lhe dissesse: “Acreditas mesmo ou não? Estás nisto a sério, de todo o coração? Cristo é tudo para ti, ou achas que é só uma fantasia à qual entregas, apenas, uma parte do teu tempo? Se amas mesmo a Cristo, entrega-te totalmente a Ele.” E, até para quem não é celibatário, uma entrega tão radical como o celibato lembra que, afinal, a fé é qualquer coisa bem real: não é um conto, não é umas histórias, não é apenas uns valores; quem tem fé acredita que Cristo está mesmo vivo, e as pessoas que deixam de se casar por causa d’Ele acordam-nos para essa verdade.
O celibato (tanto para quem o vive como para os outros) “encosta-nos à parede” e coloca-nos a grande questão: afinal, a fé, para ti, é a sério ou é só uma história? O celibato aí vai continuar: escandalizando uns, fortalecendo a fé de outros… depende da confiança que cada um tiver em Deus. Ainda bem que contamos com o testemunho fiel e feliz de muitos que nos dizem, com a sua própria vida, que Cristo está vivo e que a fé não é uma “léria”.
Haja celibatários! São, sem dúvida, uma grande riqueza na Igreja.
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Direito a ser Padre?
Publicado em jornais, há uns tempos atrás, como resposta a um artigo em que um Padre defendia a ordenação das mulheres.
Embora pouco cobiçada, a vida de Padre é vista por muitas pessoas como um direito, como uma coisa para quem quer. Deste erro parte a avaliação igualmente errada que muitas pessoas fazem das restrições da Igreja no que toca ao acesso às ordens sacras. É desta perspectiva desacertada, que vê a Igreja como uma empresa ou associação e o sacramento da Ordem como um cargo de poder e não de serviço, que derivam questões como: “Ele queria ser Padre mas não o deixaram”; “Os Padres deviam casar porque muitos gostavam de ser Padres e não vão por não se poderem casar”; e ainda “As mulheres têm direito a ser ordenadas e a ter poder de decisão na Igreja”.
Ora, a questão é que ninguém tem direito a ser Padre! Eu não tenho direito a ser Padre: a Igreja é que tem direito a que eu seja Padre, a que haja alguém que, enviado por Deus, lhe administre os sacramentos e alimente com a Palavra de Deus. Porque ser Padre é uma questão de os cristãos terem acesso aos sacramentos, e não de poder. Eu não sou Padre por causa de mim, nem para minha consolação pessoal: embora feliz por ser Padre, sou-o por causa de uma necessidade que a Igreja tem, e não fazia sentido ser de outra maneira.
Porque ser Padre não é uma questão de “ter direito”, a Igreja deve “filtrar” os candidatos e não deixar ordenar aqueles que descobrir que não são idóneos.
Do mesmo modo, o celibato tem a vantagem de percebermos que ser Padre não é “uma profissão como as outras”, como diz o povo.
Colocar a questão da ordenação de mulheres numa perspectiva de “ter poder” na Igreja é, no mínimo, colocar mal a questão. Não precisamos de quem queira vir mandar na Igreja. Precisamos é de quem queira vir servir a Igreja, de quem esteja disposto a deitar-se tarde e levantar-se cedo para celebrar a Missa em tantas paróquias sem Eucaristia, para acompanhar a vida espiritual e pastoral nas nossas cada vez maiores unidades pastorais, para ter a catequese em ordem, para fazer as reuniões, para resolver os problemas chatos dos centros sociais, para fazer a actividade com os jovens, para resolver os conflitos pouco agradáveis com a Fábrica da Igreja, para visitar os doentes, para confessar uma igreja cheia... Tudo isso custa muito, e tem a ver apenas com amor à Igreja, e não com direito a ser coisa nenhuma. Quem se acha com tantos direitos perante o sacramento da Ordem será que quer ser ordenado/a por amor a Deus e à Igreja ou apenas por amor a si próprio? Deus nos livre de a Igreja ser invadida, na sua hierarquia, por pessoas sedentas de poder e de ascensão pessoal em vez de espírito de serviço! Se já as há por lá, não queiramos lá mais!
Embora pouco cobiçada, a vida de Padre é vista por muitas pessoas como um direito, como uma coisa para quem quer. Deste erro parte a avaliação igualmente errada que muitas pessoas fazem das restrições da Igreja no que toca ao acesso às ordens sacras. É desta perspectiva desacertada, que vê a Igreja como uma empresa ou associação e o sacramento da Ordem como um cargo de poder e não de serviço, que derivam questões como: “Ele queria ser Padre mas não o deixaram”; “Os Padres deviam casar porque muitos gostavam de ser Padres e não vão por não se poderem casar”; e ainda “As mulheres têm direito a ser ordenadas e a ter poder de decisão na Igreja”.
Ora, a questão é que ninguém tem direito a ser Padre! Eu não tenho direito a ser Padre: a Igreja é que tem direito a que eu seja Padre, a que haja alguém que, enviado por Deus, lhe administre os sacramentos e alimente com a Palavra de Deus. Porque ser Padre é uma questão de os cristãos terem acesso aos sacramentos, e não de poder. Eu não sou Padre por causa de mim, nem para minha consolação pessoal: embora feliz por ser Padre, sou-o por causa de uma necessidade que a Igreja tem, e não fazia sentido ser de outra maneira.
Porque ser Padre não é uma questão de “ter direito”, a Igreja deve “filtrar” os candidatos e não deixar ordenar aqueles que descobrir que não são idóneos.
Do mesmo modo, o celibato tem a vantagem de percebermos que ser Padre não é “uma profissão como as outras”, como diz o povo.
Colocar a questão da ordenação de mulheres numa perspectiva de “ter poder” na Igreja é, no mínimo, colocar mal a questão. Não precisamos de quem queira vir mandar na Igreja. Precisamos é de quem queira vir servir a Igreja, de quem esteja disposto a deitar-se tarde e levantar-se cedo para celebrar a Missa em tantas paróquias sem Eucaristia, para acompanhar a vida espiritual e pastoral nas nossas cada vez maiores unidades pastorais, para ter a catequese em ordem, para fazer as reuniões, para resolver os problemas chatos dos centros sociais, para fazer a actividade com os jovens, para resolver os conflitos pouco agradáveis com a Fábrica da Igreja, para visitar os doentes, para confessar uma igreja cheia... Tudo isso custa muito, e tem a ver apenas com amor à Igreja, e não com direito a ser coisa nenhuma. Quem se acha com tantos direitos perante o sacramento da Ordem será que quer ser ordenado/a por amor a Deus e à Igreja ou apenas por amor a si próprio? Deus nos livre de a Igreja ser invadida, na sua hierarquia, por pessoas sedentas de poder e de ascensão pessoal em vez de espírito de serviço! Se já as há por lá, não queiramos lá mais!
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Teologia
sábado, 26 de outubro de 2013
A Fé
(Apresentado na Ultreia de 25-10-2013 na Sé Nova)
Com efeito, quem será tão malévolo para com a humanidade e tão inimigo de Deus que pretenda impedir este progresso?
Mas é preciso que seja um verdadeiro progresso da fé e não uma alteração da fé. Verifica-se um verdadeiro progresso quando uma coisa se desenvolve sem deixar de ser ela mesma; dá-se uma alteração quando deixa de ser o que é, e se transforma noutra.
É necessário portanto que, através das idades e dos 4 séculos, cresça e se desenvolva continuamente a inteligência, a ciência e a sabedoria de todos e cada um, de cada homem e de toda a Igreja Mas este desenvolvimento ria fé deve dar-se segundo a sua natureza, isto é, conservando a identidade do dogma, da doutrina e do seu significado.
O conhecimento religioso das almas imita no seu desenvolvimento a estrutura dos corpos Estes crescem e desenvolvem-se através dos anos, mas conservam sempre a sua natureza. Há uma grande diferença entre a flor da infância e a maturidade da velhice; mas os que atingem a velhice são os mesmos que outrora eram adolescentes. Mudam a condição física e a aparência do homem; no entanto continua igual a sua natureza, permanece idêntica a sua pessoa.
São pequenos os membros dos recém-nascidos e grandes os dos jovens; e contudo, os membros são os mesmos.
Os adultos têm o mesmo número de órgãos que as crianças e se é verdade que alguns órgãos vão aparecendo com o processo de desenvolvimento, eles encontravam-se já incluídos no embrião, de tal modo que nada de novo se revela nos mais velhos que não estivesse já latente nas crianças.
Sobre isto não há dúvida alguma. É esta a norma legítima de todo o progresso, são estas as eis maravilhosas de todo o crescimento: com o decorrer dos anos, vão-se manifestando nos adultos aquelas perfeições que a sabedoria do Criador tinha formado previamente no corpo do recém-nascido.
Se um ser humano mudasse de tal modo que viesse a apresentar uma estrutura não correspondente a sua espécie. quer aumentando quer subtraindo algum dos seus membros, necessariamente pereceria todo o organismo ou converter-se-ia num ser monstruoso ou pelo menos ter-se-ia gravemente deformado. Também o dogma da religião cristã deve seguir estas leis de desenvolvimento: fortalece-se com o decorrer dos anos, desenvolve-se através das idades, cresce com o andar dos tempos.
Os nossos antepassados semearam outrora neste campo da Igreja a semente da fé. Seria gravemente iníquo e incongruente que nós, seus descendentes, substituíssemos a autêntica verdade daquele trigo pelo erro da cizânia.
A retidão e a coerência exigem que não haja contradição entre a raiz e os seus frutos: se eles semearam o trigo da verdadeira doutrina, o fruto que se há-de colher é o trigo do verdadeiro dogma; e se há sempre alguma porção daquelas primitivas sementes que se pode ainda desenvolver com o andar dos tempos, isso deve continuar a ser objeto de uma feliz e frutuosa cultura.
“A fé é garantia das coisas que se esperam e certeza
daquelas que não se vêem.”
(Hebreus 11, 1)
(Hebreus 11, 1)
A fé, tal como a
esperança, é para este mundo, para esperar com perseverança aquilo que ainda
não vemos, enquanto não chegamos a essa meta em que veremos Deus face a face. A
fé, lança-nos, portanto, para o futuro.
E, por isso, é a coragem de ultrapassar as aparências, de ver para a além do
que é visível.
Rom 8, 22-27:
“Nós sabemos que
toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela,
mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente,
esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo. É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é
esperança: quem espera o que já vê? Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com
perseverança. Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza,
porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito
intercede por nós com gemidos inefáveis.”
Acerca de Abraão,
que acreditou na promessa de Deus e morreu ainda antes do seu cumprimento
total, mas acreditando que Deus não falharia, diz o Catecismo da Igreja
Católica:
146. Abraão realiza assim a definição da fé dada pela
Epístola aos Hebreus: «A fé constitui a garantia dos bens que se esperam, e a
prova de que existem as coisas que não se vêem» (Heb 11, 1). «Abraão
acreditou em Deus, e isto foi-lhe atribuído como justiça» (Rm 4, 3).
«Fortalecido» por esta fé (Rm 4, 20), Abraão tornou-se «o pai de todos
os crentes» (Rm 4, 11. 18).
Isto coloca-nos
várias interrogações…
Deus existe?
É possível chegar a
Deus observando a natureza e o universo. Há uma “teologia natural”, ou “teologia
filosófica”, com base na inteligibilidade do universo.
Para muitos
cientistas, a forma como o caos se encaminha inexplicavelmente no sentido de gerar
espontaneamente a ordem (o que aconteceu no processo da formação do universo, e
não só…), a maneira como todo o cosmos parece “conspirar” a favor do
aparecimento (e da manutenção!) da vida, tudo isso revela, para eles, atributos
divinos, como consciência e intenção.
A grande questão da
filosofia é “por que existe alguma coisa em vez do nada?” (Leibniz). Imaginemos
o nada… qualquer coisa que existisse, por minúscula que fosse, teria já o
“super-poder” de aniquilar o nada! Pois aí existiria já alguma coisa…
Ora, se existe
alguma coisa (disso nós temos 100% a certeza, quanto mais não seja porque se
“penso, logo existo” (Descartes)), então é porque algo ou Alguém teve que dizer
um grande “sim” para que exista alguma coisa em vez de nada! (YouCat, preparação
para o Crisma).
Se o mundo existe é
porque algo o gerou; e algo que tem que ser exterior a ele, algo que transcenda
o universo, pois aquilo que o provocou não pode fazer parte dele; aquilo que
fez irromper o espaço e o tempo não pode fazer parte do espaço e do tempo!
(YouCat)
Por isso, muitos
(cientistas, filósofos) chegam à conclusão que existe um deus observando a
inteligibilidade que marca o universo, a maneira sábia como a natureza está
organizada, como se fosse um relógio. Este mundo é uma “máquina” tão perfeita
que tem que haver uma inteligência por trás dela.
Só que esse deus
relojoeiro, o deus dos filósofos, ainda não é o Deus de Israel nem de Jesus
Cristo. Esse deus nem sequer é pessoal. É apenas uma inteligência cósmica
universal, abstrata, não uma pessoa. Esse é o deus da maçonaria, não é o Deus
da revelação (por isso a Igreja deixa bem claro que não se pode ser cristão e
maçon ao mesmo tempo). E um deus assim até um ateu quase podia aceitar.
Ao deus dos
filósofos e dos cientistas chega-se pela luz natural da razão; mas para chegar
ao nosso Deus não basta a nossa inteligência, é preciso que Deus Se revele…
Deus é Pessoa (a Aliança)
Abraão, o nosso pai
na fé: o primeiro homem a quem Deus falou, isto é, a quem Se revelou. Com ele
estabeleceu uma aliança:
«Deixa a tua terra,
a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu
nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te
abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E todas as famílias da
Terra serão em ti abençoadas.» (Gn 12, 1-3).
O conceito de
aliança é fundamentalíssimo em toda
a Sagrada Escritura, que é como quem diz, em toda a história de Deus com os
homens. Uma aliança só pode ser firmada entre pessoas. O nosso Deus é pessoa e revela-Se aos homens
comunicando-lhes os seus desígnios de amor e até estabelecendo aliança com
eles.
A fé não é um
conjunto de valores, nem de ideias, nem de normas morais, porque normas e
valores morais também os têm as pessoas sem fé… Embora a fé tenha consequências
morais (se não as tivesse seria uma hipocrisia), não se resume a elas e nem
sequer consiste nelas: a fé é uma relação
viva com Alguém que eu acredito e
sei que está vivo. E a relação só acontece entre pessoas, como é o caso da aliança. Mesmo que as tábuas da Lei possam
ser o documento marcante de uma aliança, o compromisso não é com essas normas
morais, mas com um Deus que é pessoa.
Deus é Trindade!
Mas em Cristo Deus
estabeleceu uma Nova Aliança. E com Cristo descobrimos que Deus não só é pessoa
como até é três Pessoas! A Santíssima Trindade, o único caso em que três
Pessoas não são três deuses mas um só Deus.
Também é caso único
em toda a história Deus fazer-Se homem. Por isso, Jesus Cristo, tornando-Se verdadeiro
homem sem deixar de ser, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus, é a maior revelação
que Deus podia fazer de Si mesmo. Depois que o próprio Deus veio ter connosco
para viver a nossa vida, em tudo igual a nós excepto no pecado, está dito tudo
o que havia a dizer sobre Deus; está dita a mais bela Palavra de Deus à
humanidade. Por isso, Jesus bem pode dizer: “ninguém vai ao Pai senão por Mim”
(Jo 14, 16).
A morte de um outro
qualquer não teria o poder de nos salvar; mas, porque Ele é o Filho de Deus e é
Deus com o Pai, o seu sacrifício voluntário, morrendo por nosso amor na cruz,
tem o poder de nos perdoar os pecados e nos dar a vida eterna.
Deus é Amor!
A Santíssima Trindade
é um mistério insondável para a nossa inteligência e linguagem, que são humanas
e, portanto, limitadas. No entanto, descobrimos que faz todo o sentido Deus ser
Trindade! Dizer que Deus é Trindade é, no fim de contas, dizer que Deus é Amor.
Se Deus é Trindade, então não é solidão,
mas Amor. A comunicação de Amor no seio da própria Trindade Santíssima diz-nos
que Deus é Amor em Si Mesmo. Como o amor não se vive sozinho, o mistério da
Santíssima Trindade revela-nos que, mesmo ainda antes de criar o homem, Deus já
era Amor em Si mesmo.
Como é pobre
ficarmo-nos apenas por dizer “Deus existe”! Não nos preocupa apenas saber se
Deus existe (os ateus é que se ficam por aí, e para negar, claro). Não nos
preocupa apenas saber se Deus existe: nós queremos saborear o Seu amor!
A aventura de crer
Isto lança-nos na
aventura que é crer. Aventura porque crer tem o seu risco. Mas é também, por isso
mesmo, é uma atitude de amor, já que estou a confiar mesmo sem ter todas as
evidências a 100%: há uma parte gratuita (e, portanto, de doação amorosa) no
meu acto de crer.
A fé é a resposta do
homem à revelação que Deus faz de Si Mesmo. Diz o Catecismo da Igreja Católica:
142. Pela sua revelação, «Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos
homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão
com Ele». A resposta adequada a este convite é a fé.
143. Pela fé, o
homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu
ser, o homem dá assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura chama
«obediência da fé» a esta resposta do homem a Deus revelador.
154. O acto de fé
só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas
não é menos verdade que crer é um acto
autenticamente humano. Não é
contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir
às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário
à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de
si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas […]
156. O motivo de crer não é o facto de as verdades
reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão
natural. Nós cremos «por causa da autoridade do próprio Deus revelador, que não
pode enganar-se nem enganar-nos». «Contudo,
para que a homenagem da nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os
auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados de provas exteriores
da sua Revelação». Assim, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias,
a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade «são
sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos», «motivos de
credibilidade», mostrando que o assentimento da fé não é, «de modo algum, um
movimento cego do espírito».
160. Para ser humana, «a resposta da fé, dada pelo homem a
Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a
abraçara fé contra vontade. Efectivamente, o acto de fé é voluntário por sua
própria natureza»
A minha fé é a fé da Igreja!
“Eu cá tenho a minha
fé”!?... Eu cá tenho a fé da Igreja!
É verdade que a fé minha
na medida em que é decisão pessoal; tenho que ser eu a assumi-la; a fé não
nasce enquanto Jesus Cristo for Alguém de Quem eu ouvi falar, mas só nasce
quando eu faço experiência de Jesus Cristo. A fé é decisão pessoal… mas, para
que seja sólida, há que ser não apenas a “minha fé”: precisa de ser a fé da
Igreja!
Quando tenho a
“minha fé”, tenho uma fé subjectiva, criada por mim, á minha maneira, de acordo
com as minhas opiniões (que podem estar muito certas ou muito erradas) e, acima
de tudo, de acordo com as minhas conveniências. Uma fé que é apenas a “minha
fé” o mais certo é ser apenas um produto da minha imaginação.
Pelo contrário,
quando assumo como minha a fé da Igreja, estou a dar o meu assentimento a algo
que é maior do que eu próprio! A algo que vem de muito antes de mim; e antes de
mim não é só dos meus pais ou avós: é desde os Apóstolos! Que é o mesmo que
dizer desde Cristo! E aí eu não erro, pois estou a sair do horizonte da minha
simples opinião falível.
A sucessão apostólica
Muitos discípulos
seguiam Jesus, mas de entre eles Jesus escolheu doze apóstolos. Os apóstolos eram
discípulos, mas nem todos os discípulos eram apóstolos. Aqueles doze Jesus
preparou-os de um modo especial para uma missão especial. A eles confiou o
ministério do sacerdócio, do perdão dos pecados, de expulsar demónios, de serem
os alicerces da sua Igreja.
E, como eles eram
mortais e não iam durar para sempre, transmitiram esse dom, esse ministério que
receberam directamente de Cristo, a outros que continuassem a missão ao longo
dos tempos, pelo gesto da imposição das mãos, isto é, a ordenação (mesmo que
inicialmente não fosse ainda chamada com esse nome). E esses, por sua vez,
impuseram as mãos a outros, e esses a outros… até chegar aos nossos bispos
actuais. Há, portanto, uma cadeia ininterrupta desde os doze apóstolos de
Cristo até cada um dos nossos bispos actuais. Chamamos a isto “sucessão
apostólica”. Os bispos são sucessores dos apóstolos e é esta cadeia de sucessão
de ordenações válidas e sem interrupções, sem quebrar a cadeia que vem desde os
apóstolos, [é isto] que garante a eficácia dos sacramentos e a fé autêntica.
Este ministério de
ser pastor da Igreja e de garantir a verdadeira fé e a eficácia dos sacramentos
foi dado por Cristo aos apóstolos (e, portanto, aos seus sucessores), a começar
por Pedro, que Cristo estabeleceu como o primeiro entre eles:
«Tu és Pedro, e
sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão
contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que
ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será
desligado no Céu.» (Mt 16, 18-19).
A São Pedro, para
além de ter sido confiado o mesmo ministério que aos outros apóstolos, Jesus
ainda confiou mais a missão de confirmar os seus irmãos na fé: «Simão, Simão,
olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. Mas Eu
roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido,
fortalece os teus irmãos.» (Lc 22, 31-32).
De facto, conhecemos
o nome de todos os Papas desde São Pedro até ao Papa Francisco, uma cadeia de
sucessão ininterrupta que faz com que cada um desses homens ao longo dos tempos
fosse Pedro, a garantir a unidade da igreja, a confirmar os irmãos a unidade de
uma mesma fé.
Perante tudo isto,
compreendemos agora ainda melhor como é ridículo alguém dizer “eu cá tenho a
minha fé” e achar que ainda é mais católico do que os outros.
Não se pode ser
católico (e, atrevo-me ousadamente a dizer que até, de algum modo, não se pode
ser completamente cristão) sem estar em comunhão com a única Igreja que está
fundada “sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular
o próprio Cristo Jesus” (Ef 2, 20). Estar com o Bispo é estar com a Igreja e
ter a fé autêntica; estar em comunhão com o Papa é estar em comunhão com a
verdadeira fé.
FIM
* * *
TEXTOS EXTRA…
Ef 2 - Judeus e pagãos unidos em Cristo - 11Lembrai-vos, portanto,
de que vós outrora - os gentios na carne, os chamados incircuncisos por aqueles
que se chamavam circuncisos, com uma circuncisão praticada na carne - 12lembrai-vos de que nesse tempo estáveis sem Cristo,
excluídos da cidadania de Israel e estranhos às alianças da promessa, sem
esperança e sem Deus no mundo. 13Mas em Cristo Jesus,
vós, que outrora estáveis longe, agora, estais perto, pelo sangue
de Cristo. 18Porque,
é por Ele que uns e outros, num só Espírito, temos acesso ao Pai. 19Portanto, já
não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros
da casa de Deus, 20edificados sobre o alicerce dos
Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. 21É nele que toda a construção, bem ajustada, cresce
para formar um templo santo, no Senhor. 22É nele que
também vós sois integrados na construção, para formardes uma habitação de Deus,
pelo Espírito.
1ª Tim 1
3Quando parti para a Macedónia, recomendei-te que
ficasses em Éfeso, para dissuadir alguns de ensinarem doutrinas estranhas 4e de se ocuparem de fábulas ou de genealogias
intermináveis, que favorecem mais as discussões do que o desígnio de Deus que
se realiza na fé. 5O objectivo desta recomendação é o amor que procede de
um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera. 6Por
se terem afastado desta linha, alguns perderam-se em discursos vãos. 7Pretendendo
serem mestres da lei, não sabem nem o que dizem, nem o que afirmam com tanta
segurança.
A evolução do dogma cristão - Da Primeira Exortação de S. Vicente de Lerins,
presbítero (Sec. V)
Não haverá progresso
algum dos conhecimentos religiosos na Igreja de Cristo? Há, sem dúvida, e muito
grande.Com efeito, quem será tão malévolo para com a humanidade e tão inimigo de Deus que pretenda impedir este progresso?
Mas é preciso que seja um verdadeiro progresso da fé e não uma alteração da fé. Verifica-se um verdadeiro progresso quando uma coisa se desenvolve sem deixar de ser ela mesma; dá-se uma alteração quando deixa de ser o que é, e se transforma noutra.
É necessário portanto que, através das idades e dos 4 séculos, cresça e se desenvolva continuamente a inteligência, a ciência e a sabedoria de todos e cada um, de cada homem e de toda a Igreja Mas este desenvolvimento ria fé deve dar-se segundo a sua natureza, isto é, conservando a identidade do dogma, da doutrina e do seu significado.
O conhecimento religioso das almas imita no seu desenvolvimento a estrutura dos corpos Estes crescem e desenvolvem-se através dos anos, mas conservam sempre a sua natureza. Há uma grande diferença entre a flor da infância e a maturidade da velhice; mas os que atingem a velhice são os mesmos que outrora eram adolescentes. Mudam a condição física e a aparência do homem; no entanto continua igual a sua natureza, permanece idêntica a sua pessoa.
São pequenos os membros dos recém-nascidos e grandes os dos jovens; e contudo, os membros são os mesmos.
Os adultos têm o mesmo número de órgãos que as crianças e se é verdade que alguns órgãos vão aparecendo com o processo de desenvolvimento, eles encontravam-se já incluídos no embrião, de tal modo que nada de novo se revela nos mais velhos que não estivesse já latente nas crianças.
Sobre isto não há dúvida alguma. É esta a norma legítima de todo o progresso, são estas as eis maravilhosas de todo o crescimento: com o decorrer dos anos, vão-se manifestando nos adultos aquelas perfeições que a sabedoria do Criador tinha formado previamente no corpo do recém-nascido.
Se um ser humano mudasse de tal modo que viesse a apresentar uma estrutura não correspondente a sua espécie. quer aumentando quer subtraindo algum dos seus membros, necessariamente pereceria todo o organismo ou converter-se-ia num ser monstruoso ou pelo menos ter-se-ia gravemente deformado. Também o dogma da religião cristã deve seguir estas leis de desenvolvimento: fortalece-se com o decorrer dos anos, desenvolve-se através das idades, cresce com o andar dos tempos.
Os nossos antepassados semearam outrora neste campo da Igreja a semente da fé. Seria gravemente iníquo e incongruente que nós, seus descendentes, substituíssemos a autêntica verdade daquele trigo pelo erro da cizânia.
A retidão e a coerência exigem que não haja contradição entre a raiz e os seus frutos: se eles semearam o trigo da verdadeira doutrina, o fruto que se há-de colher é o trigo do verdadeiro dogma; e se há sempre alguma porção daquelas primitivas sementes que se pode ainda desenvolver com o andar dos tempos, isso deve continuar a ser objeto de uma feliz e frutuosa cultura.
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quarta-feira, 27 de março de 2013
Sermão do Encontro
Para o Encontro entre a Mãe
Santíssima e o seu Divino Filho na procissão do Senhor dos Passus, em Domingo
de Ramos, na Pampilhosa da Serra (24-03-2013).
Esta é a maior das notícias. Esta é a Boa Nova digna desse nome.
O amor de Deus é salvação.
E foi Ele que nos amou primeiro! É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados (1º João 4, 10). E, por isso, também o mesmo Filho de Deus nos diz: Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça (João 15, 16-17).
Tal como ninguém O reconheceu na pobreza do presépio em que nasceu, também agora dificilmente o reconheceríamos na crueldade da Cruz que leva às costas, ferido e humilhado. Tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano (Is 52, 14)
Esperávamos a vinda de Deus glorioso, mas… Deus ferido e humilhado?! Que escândalo!!! Que loucura!...
Nós não O conhecemos. Nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. (Is 53, 4-5)
Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. (Is 53, 6-7)
É a Paixão de Cristo que nos
conforta!
Toda nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele fomos salvos e livres (Cf. Gl 6, 14). Ele tinha que vir, porque nós precisávamos se ser reconciliados com Deus e uns com os outros.
*
Deus
amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito, para que todo o que
nEle crê não morra mas tenha a vida eterna (João
3, 16).Esta é a maior das notícias. Esta é a Boa Nova digna desse nome.
O amor de Deus é salvação.
E foi Ele que nos amou primeiro! É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados (1º João 4, 10). E, por isso, também o mesmo Filho de Deus nos diz: Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça (João 15, 16-17).
Desde sempre, o Verbo de Deus
existe. Foi pelo Seu Verbo que Deus disse “Faça-se”, e tudo foi feito. Desde
sempre que Ele é Deus com o Pai na unidade do Espírito. E as delícias do Verbo consistem em estar com os filhos dos homens
(Pr 8, 31). Tanto que Se fez um deles. Ele veio e habitou entre nós.
Ele tinha que vir, porque nós
precisávamos se ser reconciliados com Deus… e uns com os outros. Ele é a nossa paz (Ef 2, 14), por isso
Ele tinha que vir. Ele tinha que vir, porque nós não nos podemos salvar a nós
mesmos. Quem teria a arrogância de se julgar capaz de se salvar a si mesmo? Ele
tinha que vir porque todos nós, como
ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho (Is 53, 6).
Esperávamos ansiosamente que Ele
viesse. E Ele veio! O Filho de Deus veio ao mundo…
(entra
o andor com a imagem do Senhor dos Passus)
Ele veio… Veio mas ninguém o
conheceu! Aliás, Ele estava irreconhecível! O Seu rosto estava desfigurado! (Cf.
Is 52, 14) Esmagado pelo sofrimento, Cristo carrega a Cruz.
Ficamos, talvez, confusos…
Esperávamos que Ele viesse, não esperávamos que fosse… assim…Tal como ninguém O reconheceu na pobreza do presépio em que nasceu, também agora dificilmente o reconheceríamos na crueldade da Cruz que leva às costas, ferido e humilhado. Tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano (Is 52, 14)
Esperávamos a vinda de Deus glorioso, mas… Deus ferido e humilhado?! Que escândalo!!! Que loucura!...
Mas
aquilo que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e
o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte.
Porque o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e o que é
tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens. Por isso, enquanto os
judeus pedem sinais e os gregos andam em busca da sabedoria, nós pregamos um
Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas,
para os que são chamados, tanto judeus como não
judeus, Cristo é poder e sabedoria de
Deus. (Cf. 1ª Cor 1).
Nunca ninguém tinha visto nada
assim. Na verdade, diante dele, os reis
ficarão calados, porque hão-de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o
que nunca tinham ouvido. (Is 52, 15)
Nós não O conhecemos. Nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. (Is 53, 4-5)
Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. (Is 53, 6-7)
Ó Cristo, Vós viestes, e nós não
Vos conhecemos!
Ele
estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o
reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos
o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus
(Jo 1, 10-12).
Sim, tornámos filhos no Filho,
tornámos filhos por causa do Teu Sangue, ó Cristo! Sangue de Cristo, chuva de perdão! […] Sangue, seiva do Céu sempre a
jorrar. Sangue que lava a terra lés a lés como jamais a lavaria o mar. […] seja
em cada agonia a grande esperança e mate a sede a quem de sede morre (M.
Faria).
(pausa)
Porque se Ele oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência
duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados
os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria (Is 53, 10-11).
Mas, por agora enfrentais o duro
combate da Vossa Paixão. Os discípulos dispersaram-se e fugiram. Abandonado por
todos, agora estais sozinho…
Estará Cristo totalmente só? Sim,
porque é Ele que tem que enfrentar o combate; mas na Via Sacra de Jesus também aparece Maria, sua Mãe (J. Ratzinger).
E a Sua Mãe Santíssima veio ao Seu encontro…
(entra
o andor com a imagem de Nossa Senhora)
Senhora, quando todos fugiram,
Vós estais aqui, diante do Vosso Filho, lacrimosa mas firme, confiante. Estais
aqui porque as mães são assim. Mas, acima de tudo, estais aqui porque sois a
Mulher da Fé, e, por isso, sois Mulher de coragem!
Há trinta e tal anos atrás, ali
bem perto, no templo, ouvistes a profecia da boca do velho Simeão: Este menino está aqui para queda e
ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada
trespassará a tua alma (Lc 2, 34-35).
E agora tudo isto se torna realidade; mas Vós conservastes sempre, no
vosso Imaculado Coração, o que o Anjo Vos
disse quando tudo começou: «Não temas, Maria» (Lc 1, 30). Por isso, agora os
discípulos fugiram, mas vós estais aí, com a coragem de mãe, com a fidelidade
de mãe, com a bondade de mãe, e com a Vossa Fé, que resiste na escuridão (Cf.
J. Ratzinger): «Feliz daquela que
acreditou» (Lc 1, 45).
Nós fugiríamos, porque a nossa
Fé, muitas vezes, é morna, tíbia, insípida, e nem sempre a sabemos levar a
sério, principalmente quando chega a hora da verdade!...
Vós, Senhora, talvez mesmo sem
compreender totalmente o que está a acontecer, sabeis que é o plano de Deus a
realizar-se de forma incompreensível e surpreendente. Vós tendes Fé apesar de
tudo, porque sabeis que o pensamento de Deus está acima do nosso e que o Seu plano
é misterioso e se realiza por caminhos que nós, às vezes, não compreendemos. E,
por isso, acreditais e confiais mesmo contra toda a esperança. Podeis até nem
saber como são os planos de Deus, mas confiais.
Por estranho que tudo isto pareça
e por doloroso que isto seja, Vós sabeis que o plano salvador de Deus passa por
aqui, mesmo que não o compreendamos por agora. Por estranho que isto pareça e
por doloroso que isto seja, Vós sabeis que, no fundo, este sofrimento e morte
hão-de trazer consigo a Vida. Sofreis com paciência o sofrimento do Vosso Filho
porque sabeis que ele há-de dar fruto de Vida e não de morte, mesmo que agora
ainda não consigamos ver como.
Senhora, Vós sofrestes mas não
desesperastes, porque o vosso sofrimento estava unido ao do Vosso Filho; era o mesmo
sofrimento, um sofrimento que é doloroso mas não é trágico, porque acaba em
ressurreição. Senhora, ensinai-nos a unir também os nossos sofrimentos ao único
sacrifício de Cristo. Porque assim o nosso sofrimento já não é desespero,
porque termina em caminhos de Vida verdadeira. Senhora, ensinai-me unir os meus
sofrimentos ao único sacrifício de Cristo, porque assim eu completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do Seu
Corpo, que é a Igreja (Cl 1, 24), e assim já não é um sofrimento estéril.
Toda nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele fomos salvos e livres (Cf. Gl 6, 14). Ele tinha que vir, porque nós precisávamos se ser reconciliados com Deus e uns com os outros.
Juntamente com Nossa Senhora,
rezemos juntos:
Alma de
Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos. Ámen.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos. Ámen.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Confessar-se a um padre?
Alguém dizia: “Eu? Ir dizer os meus pecados a um homem como eu? Só se eu fosse burro!”; E um velho pároco respondeu: “De facto, se for dizer os seus pecados a um homem como o Sr., é muito burro, mas se os for dizer a um homem que é padre, aí será bem diferente!”
Muitos são os que têm dificuldade em entender a necessidade da confissão sacramental: “Afinal, se Deus me ouve sempre, basta pedir perdão directamente a Deus, não preciso do padre para nada”, pensam muitas pessoas. No entanto, mesmo que alguns achem que o padre não é preciso para o perdão dos pecados, todos aceitam sem discussão que o padre é preciso para a Eucaristia e que sem padre não há Missa. Porém, se o ministério do padre é indispensável para haver Missa, faz sentido que também o seja para haver o perdão dos pecados! Se precisamos do sacerdote para podermos comungar, é evidente que também precisamos dele para nos serem absolvidos os pecados, porque Aquele instituiu a Eucaristia foi Quem instituiu também o perdão dos pecados. Afinal, os que se confessam “directamente a Deus” quando desejam comungar não vão directamente a Deus!... Quem se confessa “directamente a Deus”, não pede o Pão do Céu “directamente a Deus”...
A atitude de quem pretende ir “directamente a Deus” é desencarnada, vaga, fica a pairar; é subjectiva, porque não tem nenhuma palavra nem gesto concreto que a garanta. Eu não posso salvar-me a mim mesmo nem perdoar-me a mim próprio. Posso dizer “Deus perdoa-me”, mas… como é que eu sei que Ele me perdoa? Que sinal concreto tenho que me dê a certeza desse perdão? O sacramento da confissão é esse sinal concreto, pois os sacramentos são “sinais eficazes da graça”.
Os sacramentos são sinais visíveis de uma realidade invisível, sinais que tornam visível o amor de Deus, sinais eficazes pelos quais Deus Se torna tão próximo de nós e Se entrega tão totalmente que é uma ingratidão sem nome rejeitá-los. Sim, é altamente ofensivo ao amor de Deus dizer “Eu confesso-me directamente a Deus, não preciso do sacramento da confeição para nada”. Era como se, no dia do nosso aniversário, atirássemos com o presente que recebemos à cara no amigo que o ofereceu, dizendo-lhe: “Eu faço anos todos os dias, não preciso de prendas de aniversário para nada!”.
E se o sacerdote for o pior dos pecadores? Tem capacidade de absolver os pecados dos outros, podendo ele ser, eventualmente, muito pior? Ainda bem que sim, porque eu tenho direito a ser perdoado, independentemente de conseguir para isso um padre muito santo ou muito pecador. O perdão de Deus não está dependente da santidade do ministro (embora ela seja desejável!). Sim, o sacerdote pode absolver-me e a absolvição é válida porque não é ele que me perdoa: é Cristo que me perdoa através dele!
Alguém dizia: “Eu? Ir dizer os meus pecados a um homem como eu? Só se eu fosse burro!”; E um velho pároco respondeu: “De facto, se for dizer os seus pecados a um homem como o Sr., é muito burro, mas se os for dizer a um homem que é padre, aí será bem diferente!"*.
Muitos são os que têm dificuldade em entender a necessidade da confissão sacramental: “Afinal, se Deus me ouve sempre, basta pedir perdão directamente a Deus, não preciso do padre para nada”, pensam muitas pessoas. No entanto, mesmo que alguns achem que o padre não é preciso para o perdão dos pecados, todos aceitam sem discussão que o padre é preciso para a Eucaristia e que sem padre não há Missa. Porém, se o ministério do padre é indispensável para haver Missa, faz sentido que também o seja para haver o perdão dos pecados! Se precisamos do sacerdote para podermos comungar, é evidente que também precisamos dele para nos serem absolvidos os pecados, porque Aquele instituiu a Eucaristia foi Quem instituiu também o perdão dos pecados. Afinal, os que se confessam “directamente a Deus” quando desejam comungar não vão directamente a Deus!... Quem se confessa “directamente a Deus”, não pede o Pão do Céu “directamente a Deus”...
A atitude de quem pretende ir “directamente a Deus” é desencarnada, vaga, fica a pairar; é subjectiva, porque não tem nenhuma palavra nem gesto concreto que a garanta. Eu não posso salvar-me a mim mesmo nem perdoar-me a mim próprio. Posso dizer “Deus perdoa-me”, mas… como é que eu sei que Ele me perdoa? Que sinal concreto tenho que me dê a certeza desse perdão? O sacramento da confissão é esse sinal concreto, pois os sacramentos são “sinais eficazes da graça”.
Os sacramentos são sinais visíveis de uma realidade invisível, sinais que tornam visível o amor de Deus, sinais eficazes pelos quais Deus Se torna tão próximo de nós e Se entrega tão totalmente que é uma ingratidão sem nome rejeitá-los. Sim, é altamente ofensivo ao amor de Deus dizer “Eu confesso-me directamente a Deus, não preciso do sacramento da confissão para nada”. Era como se, no dia do nosso aniversário, atirássemos com o presente que recebemos à cara no amigo que o ofereceu, dizendo-lhe: “Eu faço anos todos os dias, não preciso de prendas de aniversário para nada!”.
E se o sacerdote for o pior dos pecadores? Tem capacidade de absolver os pecados dos outros, podendo ele ser, eventualmente, muito pior? Ainda bem que sim, porque eu tenho direito a ser perdoado, independentemente de conseguir para isso um padre muito santo ou muito pecador. O perdão de Deus não está dependente da santidade do ministro (embora ela seja desejável!). Sim, o sacerdote pode absolver-me e a absolvição é válida porque não é ele que me perdoa: é Cristo que me perdoa através dele!
* Em memória do Padre Manuel das Neves Contumélias.
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