Pelo menos é o que dizem todos os caixotes do lixo em Oliveira do Hospital.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
O novo acordo ortográfico e o reaccionário que há em cada um de nós
Não gosto do novo acordo ortográfico. Temos pena, mas não gosto, e, já que a nossa sociedade se gaba se ser tão pluralista, então tem que me aceitar assim…
Porém, sempre que falo no assunto, quase sempre os meus interlocutores me devolvem: “eu também não!”. Surpreendido (ou talvez não), vou encontrando cada vez mais pessoas em desacordo com o acordo. Vidas reais de pessoas que vivem o drama de serem obrigadas (por trabalharem em instituições públicas, por exemplo) a escrever de uma forma que lhes causa aversão, ou então outros que se podem dar ao luxo de, pura e simplesmente, dizer que continuam a escrever como sempre escreveram, venha quem vier e doa a quem doer!
Será que os meus interlocutores são todos reaccionários? Ou será que há um sentimento mais amplo de ruptura com as modernices e o “português antigo” promete continuar actual?
Talvez haja um um reaccionário em cada um de nós...
Novo acordo ortográfico? Solta o reaccionário que há em ti!
Porém, sempre que falo no assunto, quase sempre os meus interlocutores me devolvem: “eu também não!”. Surpreendido (ou talvez não), vou encontrando cada vez mais pessoas em desacordo com o acordo. Vidas reais de pessoas que vivem o drama de serem obrigadas (por trabalharem em instituições públicas, por exemplo) a escrever de uma forma que lhes causa aversão, ou então outros que se podem dar ao luxo de, pura e simplesmente, dizer que continuam a escrever como sempre escreveram, venha quem vier e doa a quem doer!
Será que os meus interlocutores são todos reaccionários? Ou será que há um sentimento mais amplo de ruptura com as modernices e o “português antigo” promete continuar actual?
Talvez haja um um reaccionário em cada um de nós...
Novo acordo ortográfico? Solta o reaccionário que há em ti!
sábado, 26 de outubro de 2013
A Fé
(Apresentado na Ultreia de 25-10-2013 na Sé Nova)
Com efeito, quem será tão malévolo para com a humanidade e tão inimigo de Deus que pretenda impedir este progresso?
Mas é preciso que seja um verdadeiro progresso da fé e não uma alteração da fé. Verifica-se um verdadeiro progresso quando uma coisa se desenvolve sem deixar de ser ela mesma; dá-se uma alteração quando deixa de ser o que é, e se transforma noutra.
É necessário portanto que, através das idades e dos 4 séculos, cresça e se desenvolva continuamente a inteligência, a ciência e a sabedoria de todos e cada um, de cada homem e de toda a Igreja Mas este desenvolvimento ria fé deve dar-se segundo a sua natureza, isto é, conservando a identidade do dogma, da doutrina e do seu significado.
O conhecimento religioso das almas imita no seu desenvolvimento a estrutura dos corpos Estes crescem e desenvolvem-se através dos anos, mas conservam sempre a sua natureza. Há uma grande diferença entre a flor da infância e a maturidade da velhice; mas os que atingem a velhice são os mesmos que outrora eram adolescentes. Mudam a condição física e a aparência do homem; no entanto continua igual a sua natureza, permanece idêntica a sua pessoa.
São pequenos os membros dos recém-nascidos e grandes os dos jovens; e contudo, os membros são os mesmos.
Os adultos têm o mesmo número de órgãos que as crianças e se é verdade que alguns órgãos vão aparecendo com o processo de desenvolvimento, eles encontravam-se já incluídos no embrião, de tal modo que nada de novo se revela nos mais velhos que não estivesse já latente nas crianças.
Sobre isto não há dúvida alguma. É esta a norma legítima de todo o progresso, são estas as eis maravilhosas de todo o crescimento: com o decorrer dos anos, vão-se manifestando nos adultos aquelas perfeições que a sabedoria do Criador tinha formado previamente no corpo do recém-nascido.
Se um ser humano mudasse de tal modo que viesse a apresentar uma estrutura não correspondente a sua espécie. quer aumentando quer subtraindo algum dos seus membros, necessariamente pereceria todo o organismo ou converter-se-ia num ser monstruoso ou pelo menos ter-se-ia gravemente deformado. Também o dogma da religião cristã deve seguir estas leis de desenvolvimento: fortalece-se com o decorrer dos anos, desenvolve-se através das idades, cresce com o andar dos tempos.
Os nossos antepassados semearam outrora neste campo da Igreja a semente da fé. Seria gravemente iníquo e incongruente que nós, seus descendentes, substituíssemos a autêntica verdade daquele trigo pelo erro da cizânia.
A retidão e a coerência exigem que não haja contradição entre a raiz e os seus frutos: se eles semearam o trigo da verdadeira doutrina, o fruto que se há-de colher é o trigo do verdadeiro dogma; e se há sempre alguma porção daquelas primitivas sementes que se pode ainda desenvolver com o andar dos tempos, isso deve continuar a ser objeto de uma feliz e frutuosa cultura.
“A fé é garantia das coisas que se esperam e certeza
daquelas que não se vêem.”
(Hebreus 11, 1)
(Hebreus 11, 1)
A fé, tal como a
esperança, é para este mundo, para esperar com perseverança aquilo que ainda
não vemos, enquanto não chegamos a essa meta em que veremos Deus face a face. A
fé, lança-nos, portanto, para o futuro.
E, por isso, é a coragem de ultrapassar as aparências, de ver para a além do
que é visível.
Rom 8, 22-27:
“Nós sabemos que
toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela,
mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente,
esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo. É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é
esperança: quem espera o que já vê? Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com
perseverança. Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza,
porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito
intercede por nós com gemidos inefáveis.”
Acerca de Abraão,
que acreditou na promessa de Deus e morreu ainda antes do seu cumprimento
total, mas acreditando que Deus não falharia, diz o Catecismo da Igreja
Católica:
146. Abraão realiza assim a definição da fé dada pela
Epístola aos Hebreus: «A fé constitui a garantia dos bens que se esperam, e a
prova de que existem as coisas que não se vêem» (Heb 11, 1). «Abraão
acreditou em Deus, e isto foi-lhe atribuído como justiça» (Rm 4, 3).
«Fortalecido» por esta fé (Rm 4, 20), Abraão tornou-se «o pai de todos
os crentes» (Rm 4, 11. 18).
Isto coloca-nos
várias interrogações…
Deus existe?
É possível chegar a
Deus observando a natureza e o universo. Há uma “teologia natural”, ou “teologia
filosófica”, com base na inteligibilidade do universo.
Para muitos
cientistas, a forma como o caos se encaminha inexplicavelmente no sentido de gerar
espontaneamente a ordem (o que aconteceu no processo da formação do universo, e
não só…), a maneira como todo o cosmos parece “conspirar” a favor do
aparecimento (e da manutenção!) da vida, tudo isso revela, para eles, atributos
divinos, como consciência e intenção.
A grande questão da
filosofia é “por que existe alguma coisa em vez do nada?” (Leibniz). Imaginemos
o nada… qualquer coisa que existisse, por minúscula que fosse, teria já o
“super-poder” de aniquilar o nada! Pois aí existiria já alguma coisa…
Ora, se existe
alguma coisa (disso nós temos 100% a certeza, quanto mais não seja porque se
“penso, logo existo” (Descartes)), então é porque algo ou Alguém teve que dizer
um grande “sim” para que exista alguma coisa em vez de nada! (YouCat, preparação
para o Crisma).
Se o mundo existe é
porque algo o gerou; e algo que tem que ser exterior a ele, algo que transcenda
o universo, pois aquilo que o provocou não pode fazer parte dele; aquilo que
fez irromper o espaço e o tempo não pode fazer parte do espaço e do tempo!
(YouCat)
Por isso, muitos
(cientistas, filósofos) chegam à conclusão que existe um deus observando a
inteligibilidade que marca o universo, a maneira sábia como a natureza está
organizada, como se fosse um relógio. Este mundo é uma “máquina” tão perfeita
que tem que haver uma inteligência por trás dela.
Só que esse deus
relojoeiro, o deus dos filósofos, ainda não é o Deus de Israel nem de Jesus
Cristo. Esse deus nem sequer é pessoal. É apenas uma inteligência cósmica
universal, abstrata, não uma pessoa. Esse é o deus da maçonaria, não é o Deus
da revelação (por isso a Igreja deixa bem claro que não se pode ser cristão e
maçon ao mesmo tempo). E um deus assim até um ateu quase podia aceitar.
Ao deus dos
filósofos e dos cientistas chega-se pela luz natural da razão; mas para chegar
ao nosso Deus não basta a nossa inteligência, é preciso que Deus Se revele…
Deus é Pessoa (a Aliança)
Abraão, o nosso pai
na fé: o primeiro homem a quem Deus falou, isto é, a quem Se revelou. Com ele
estabeleceu uma aliança:
«Deixa a tua terra,
a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu
nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te
abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E todas as famílias da
Terra serão em ti abençoadas.» (Gn 12, 1-3).
O conceito de
aliança é fundamentalíssimo em toda
a Sagrada Escritura, que é como quem diz, em toda a história de Deus com os
homens. Uma aliança só pode ser firmada entre pessoas. O nosso Deus é pessoa e revela-Se aos homens
comunicando-lhes os seus desígnios de amor e até estabelecendo aliança com
eles.
A fé não é um
conjunto de valores, nem de ideias, nem de normas morais, porque normas e
valores morais também os têm as pessoas sem fé… Embora a fé tenha consequências
morais (se não as tivesse seria uma hipocrisia), não se resume a elas e nem
sequer consiste nelas: a fé é uma relação
viva com Alguém que eu acredito e
sei que está vivo. E a relação só acontece entre pessoas, como é o caso da aliança. Mesmo que as tábuas da Lei possam
ser o documento marcante de uma aliança, o compromisso não é com essas normas
morais, mas com um Deus que é pessoa.
Deus é Trindade!
Mas em Cristo Deus
estabeleceu uma Nova Aliança. E com Cristo descobrimos que Deus não só é pessoa
como até é três Pessoas! A Santíssima Trindade, o único caso em que três
Pessoas não são três deuses mas um só Deus.
Também é caso único
em toda a história Deus fazer-Se homem. Por isso, Jesus Cristo, tornando-Se verdadeiro
homem sem deixar de ser, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus, é a maior revelação
que Deus podia fazer de Si mesmo. Depois que o próprio Deus veio ter connosco
para viver a nossa vida, em tudo igual a nós excepto no pecado, está dito tudo
o que havia a dizer sobre Deus; está dita a mais bela Palavra de Deus à
humanidade. Por isso, Jesus bem pode dizer: “ninguém vai ao Pai senão por Mim”
(Jo 14, 16).
A morte de um outro
qualquer não teria o poder de nos salvar; mas, porque Ele é o Filho de Deus e é
Deus com o Pai, o seu sacrifício voluntário, morrendo por nosso amor na cruz,
tem o poder de nos perdoar os pecados e nos dar a vida eterna.
Deus é Amor!
A Santíssima Trindade
é um mistério insondável para a nossa inteligência e linguagem, que são humanas
e, portanto, limitadas. No entanto, descobrimos que faz todo o sentido Deus ser
Trindade! Dizer que Deus é Trindade é, no fim de contas, dizer que Deus é Amor.
Se Deus é Trindade, então não é solidão,
mas Amor. A comunicação de Amor no seio da própria Trindade Santíssima diz-nos
que Deus é Amor em Si Mesmo. Como o amor não se vive sozinho, o mistério da
Santíssima Trindade revela-nos que, mesmo ainda antes de criar o homem, Deus já
era Amor em Si mesmo.
Como é pobre
ficarmo-nos apenas por dizer “Deus existe”! Não nos preocupa apenas saber se
Deus existe (os ateus é que se ficam por aí, e para negar, claro). Não nos
preocupa apenas saber se Deus existe: nós queremos saborear o Seu amor!
A aventura de crer
Isto lança-nos na
aventura que é crer. Aventura porque crer tem o seu risco. Mas é também, por isso
mesmo, é uma atitude de amor, já que estou a confiar mesmo sem ter todas as
evidências a 100%: há uma parte gratuita (e, portanto, de doação amorosa) no
meu acto de crer.
A fé é a resposta do
homem à revelação que Deus faz de Si Mesmo. Diz o Catecismo da Igreja Católica:
142. Pela sua revelação, «Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos
homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão
com Ele». A resposta adequada a este convite é a fé.
143. Pela fé, o
homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu
ser, o homem dá assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura chama
«obediência da fé» a esta resposta do homem a Deus revelador.
154. O acto de fé
só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas
não é menos verdade que crer é um acto
autenticamente humano. Não é
contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir
às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário
à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de
si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas […]
156. O motivo de crer não é o facto de as verdades
reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão
natural. Nós cremos «por causa da autoridade do próprio Deus revelador, que não
pode enganar-se nem enganar-nos». «Contudo,
para que a homenagem da nossa fé fosse conforme à razão, Deus quis que os
auxílios interiores do Espírito Santo fossem acompanhados de provas exteriores
da sua Revelação». Assim, os milagres de Cristo e dos santos, as profecias,
a propagação e a santidade da Igreja, a sua fecundidade e estabilidade «são
sinais certos da Revelação, adaptados à inteligência de todos», «motivos de
credibilidade», mostrando que o assentimento da fé não é, «de modo algum, um
movimento cego do espírito».
160. Para ser humana, «a resposta da fé, dada pelo homem a
Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a
abraçara fé contra vontade. Efectivamente, o acto de fé é voluntário por sua
própria natureza»
A minha fé é a fé da Igreja!
“Eu cá tenho a minha
fé”!?... Eu cá tenho a fé da Igreja!
É verdade que a fé minha
na medida em que é decisão pessoal; tenho que ser eu a assumi-la; a fé não
nasce enquanto Jesus Cristo for Alguém de Quem eu ouvi falar, mas só nasce
quando eu faço experiência de Jesus Cristo. A fé é decisão pessoal… mas, para
que seja sólida, há que ser não apenas a “minha fé”: precisa de ser a fé da
Igreja!
Quando tenho a
“minha fé”, tenho uma fé subjectiva, criada por mim, á minha maneira, de acordo
com as minhas opiniões (que podem estar muito certas ou muito erradas) e, acima
de tudo, de acordo com as minhas conveniências. Uma fé que é apenas a “minha
fé” o mais certo é ser apenas um produto da minha imaginação.
Pelo contrário,
quando assumo como minha a fé da Igreja, estou a dar o meu assentimento a algo
que é maior do que eu próprio! A algo que vem de muito antes de mim; e antes de
mim não é só dos meus pais ou avós: é desde os Apóstolos! Que é o mesmo que
dizer desde Cristo! E aí eu não erro, pois estou a sair do horizonte da minha
simples opinião falível.
A sucessão apostólica
Muitos discípulos
seguiam Jesus, mas de entre eles Jesus escolheu doze apóstolos. Os apóstolos eram
discípulos, mas nem todos os discípulos eram apóstolos. Aqueles doze Jesus
preparou-os de um modo especial para uma missão especial. A eles confiou o
ministério do sacerdócio, do perdão dos pecados, de expulsar demónios, de serem
os alicerces da sua Igreja.
E, como eles eram
mortais e não iam durar para sempre, transmitiram esse dom, esse ministério que
receberam directamente de Cristo, a outros que continuassem a missão ao longo
dos tempos, pelo gesto da imposição das mãos, isto é, a ordenação (mesmo que
inicialmente não fosse ainda chamada com esse nome). E esses, por sua vez,
impuseram as mãos a outros, e esses a outros… até chegar aos nossos bispos
actuais. Há, portanto, uma cadeia ininterrupta desde os doze apóstolos de
Cristo até cada um dos nossos bispos actuais. Chamamos a isto “sucessão
apostólica”. Os bispos são sucessores dos apóstolos e é esta cadeia de sucessão
de ordenações válidas e sem interrupções, sem quebrar a cadeia que vem desde os
apóstolos, [é isto] que garante a eficácia dos sacramentos e a fé autêntica.
Este ministério de
ser pastor da Igreja e de garantir a verdadeira fé e a eficácia dos sacramentos
foi dado por Cristo aos apóstolos (e, portanto, aos seus sucessores), a começar
por Pedro, que Cristo estabeleceu como o primeiro entre eles:
«Tu és Pedro, e
sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão
contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que
ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será
desligado no Céu.» (Mt 16, 18-19).
A São Pedro, para
além de ter sido confiado o mesmo ministério que aos outros apóstolos, Jesus
ainda confiou mais a missão de confirmar os seus irmãos na fé: «Simão, Simão,
olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. Mas Eu
roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido,
fortalece os teus irmãos.» (Lc 22, 31-32).
De facto, conhecemos
o nome de todos os Papas desde São Pedro até ao Papa Francisco, uma cadeia de
sucessão ininterrupta que faz com que cada um desses homens ao longo dos tempos
fosse Pedro, a garantir a unidade da igreja, a confirmar os irmãos a unidade de
uma mesma fé.
Perante tudo isto,
compreendemos agora ainda melhor como é ridículo alguém dizer “eu cá tenho a
minha fé” e achar que ainda é mais católico do que os outros.
Não se pode ser
católico (e, atrevo-me ousadamente a dizer que até, de algum modo, não se pode
ser completamente cristão) sem estar em comunhão com a única Igreja que está
fundada “sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular
o próprio Cristo Jesus” (Ef 2, 20). Estar com o Bispo é estar com a Igreja e
ter a fé autêntica; estar em comunhão com o Papa é estar em comunhão com a
verdadeira fé.
FIM
* * *
TEXTOS EXTRA…
Ef 2 - Judeus e pagãos unidos em Cristo - 11Lembrai-vos, portanto,
de que vós outrora - os gentios na carne, os chamados incircuncisos por aqueles
que se chamavam circuncisos, com uma circuncisão praticada na carne - 12lembrai-vos de que nesse tempo estáveis sem Cristo,
excluídos da cidadania de Israel e estranhos às alianças da promessa, sem
esperança e sem Deus no mundo. 13Mas em Cristo Jesus,
vós, que outrora estáveis longe, agora, estais perto, pelo sangue
de Cristo. 18Porque,
é por Ele que uns e outros, num só Espírito, temos acesso ao Pai. 19Portanto, já
não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros
da casa de Deus, 20edificados sobre o alicerce dos
Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. 21É nele que toda a construção, bem ajustada, cresce
para formar um templo santo, no Senhor. 22É nele que
também vós sois integrados na construção, para formardes uma habitação de Deus,
pelo Espírito.
1ª Tim 1
3Quando parti para a Macedónia, recomendei-te que
ficasses em Éfeso, para dissuadir alguns de ensinarem doutrinas estranhas 4e de se ocuparem de fábulas ou de genealogias
intermináveis, que favorecem mais as discussões do que o desígnio de Deus que
se realiza na fé. 5O objectivo desta recomendação é o amor que procede de
um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera. 6Por
se terem afastado desta linha, alguns perderam-se em discursos vãos. 7Pretendendo
serem mestres da lei, não sabem nem o que dizem, nem o que afirmam com tanta
segurança.
A evolução do dogma cristão - Da Primeira Exortação de S. Vicente de Lerins,
presbítero (Sec. V)
Não haverá progresso
algum dos conhecimentos religiosos na Igreja de Cristo? Há, sem dúvida, e muito
grande.Com efeito, quem será tão malévolo para com a humanidade e tão inimigo de Deus que pretenda impedir este progresso?
Mas é preciso que seja um verdadeiro progresso da fé e não uma alteração da fé. Verifica-se um verdadeiro progresso quando uma coisa se desenvolve sem deixar de ser ela mesma; dá-se uma alteração quando deixa de ser o que é, e se transforma noutra.
É necessário portanto que, através das idades e dos 4 séculos, cresça e se desenvolva continuamente a inteligência, a ciência e a sabedoria de todos e cada um, de cada homem e de toda a Igreja Mas este desenvolvimento ria fé deve dar-se segundo a sua natureza, isto é, conservando a identidade do dogma, da doutrina e do seu significado.
O conhecimento religioso das almas imita no seu desenvolvimento a estrutura dos corpos Estes crescem e desenvolvem-se através dos anos, mas conservam sempre a sua natureza. Há uma grande diferença entre a flor da infância e a maturidade da velhice; mas os que atingem a velhice são os mesmos que outrora eram adolescentes. Mudam a condição física e a aparência do homem; no entanto continua igual a sua natureza, permanece idêntica a sua pessoa.
São pequenos os membros dos recém-nascidos e grandes os dos jovens; e contudo, os membros são os mesmos.
Os adultos têm o mesmo número de órgãos que as crianças e se é verdade que alguns órgãos vão aparecendo com o processo de desenvolvimento, eles encontravam-se já incluídos no embrião, de tal modo que nada de novo se revela nos mais velhos que não estivesse já latente nas crianças.
Sobre isto não há dúvida alguma. É esta a norma legítima de todo o progresso, são estas as eis maravilhosas de todo o crescimento: com o decorrer dos anos, vão-se manifestando nos adultos aquelas perfeições que a sabedoria do Criador tinha formado previamente no corpo do recém-nascido.
Se um ser humano mudasse de tal modo que viesse a apresentar uma estrutura não correspondente a sua espécie. quer aumentando quer subtraindo algum dos seus membros, necessariamente pereceria todo o organismo ou converter-se-ia num ser monstruoso ou pelo menos ter-se-ia gravemente deformado. Também o dogma da religião cristã deve seguir estas leis de desenvolvimento: fortalece-se com o decorrer dos anos, desenvolve-se através das idades, cresce com o andar dos tempos.
Os nossos antepassados semearam outrora neste campo da Igreja a semente da fé. Seria gravemente iníquo e incongruente que nós, seus descendentes, substituíssemos a autêntica verdade daquele trigo pelo erro da cizânia.
A retidão e a coerência exigem que não haja contradição entre a raiz e os seus frutos: se eles semearam o trigo da verdadeira doutrina, o fruto que se há-de colher é o trigo do verdadeiro dogma; e se há sempre alguma porção daquelas primitivas sementes que se pode ainda desenvolver com o andar dos tempos, isso deve continuar a ser objeto de uma feliz e frutuosa cultura.
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sexta-feira, 31 de maio de 2013
Dia Santo (Corpo de Deus)
Ontem, pela primeira vez, não celebrámos o Corpo de Deus no dia próprio. De manhã, ao subir a serra, dos Cavaleiros para Fajão, a estrada, do lado contrário, estava coberta de flores. As pétalas das giestas, amarelas e abundantes, cairam de maduras com a chuva e o vento da noite. Talvez ainda não tivessem passado muitos carros em sentido contrário e, coincidência ou não, a via parecia ter sido enfeitada como se fosse para a procissão do Santíssimo Sacramento. Logo me lembrei: hoje é dia de Corpo de Deus!
Ao chegar à igreja, celebrei a Missa votiva da Santíssima Eucaristia, seguindo a opção de usar as orações da Missa do dia de Corpo de Deus, e até as leituras. Sentia que tinha que o fazer. E, para mim e para as pessoas que lá estavam, foi Dia de Corpo de Deus, tal como o era em toda a Igreja!
Ao chegar à igreja, celebrei a Missa votiva da Santíssima Eucaristia, seguindo a opção de usar as orações da Missa do dia de Corpo de Deus, e até as leituras. Sentia que tinha que o fazer. E, para mim e para as pessoas que lá estavam, foi Dia de Corpo de Deus, tal como o era em toda a Igreja!
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segunda-feira, 20 de maio de 2013
Vale de Ferro
Todos os anos lá íamos, no Domingo de Pentecostes, à tarde. Os naturais de lá foram embora há anos e o lugar ficou deserto e com as casas em ruínas, mas a capela lá está, sobre um morro, coroando a povoação. O lugar foi recentemente repovoado por um casal belga, mas conserva as suas característica de povoação quase deserta. Num extremo da freguesia do Ervedal, já próximo do rio Mondego, à volta só há giestas e não há estrada alcatroada para lá. É um lugar de silêncio e de paz. A capela, no cimo do pequeno outeiro, tem a magestade de um santuário, embora seja pequena e tenha aspecto de velha. O largo da capela, sustentado por uma parede de granito, é bastante rústico, pois a ausência de moradores naturais do lugar proporcionou que não se fizessem lá melhoramentos. Dali está ausente o cimento e o alcatrão: apenas há chão de terra, muro de pedra, rebouco antigo e espinhosas, árvores que, naquela zona, se vêem, com alguma frequência, nos adros. É um despojamento encantador, que nos conserva o passado tal como ele era.
Embora já não haja moradores naturais de lá, naquela tarde, pessoas de toda a Cordinha comparecem em peso! Aquele continua a ser o dia em que, tradicionalmente, ali se celebra a festa de Nossa Senhora das Necessidades, padroeira do lugar. A festa era bela, porque muito simples. Celebrávamos a Missa, e pouco mais. Uns vinham para a Missa, outros nem por isso, mas vinham muitos. Alguns traziam merendas e havia quem chegasse a trazer um acordeão.
Embora já não haja moradores naturais de lá, naquela tarde, pessoas de toda a Cordinha comparecem em peso! Aquele continua a ser o dia em que, tradicionalmente, ali se celebra a festa de Nossa Senhora das Necessidades, padroeira do lugar. A festa era bela, porque muito simples. Celebrávamos a Missa, e pouco mais. Uns vinham para a Missa, outros nem por isso, mas vinham muitos. Alguns traziam merendas e havia quem chegasse a trazer um acordeão.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Sermão do Encontro
Para o Encontro entre a Mãe
Santíssima e o seu Divino Filho na procissão do Senhor dos Passus, em Domingo
de Ramos, na Pampilhosa da Serra (24-03-2013).
Esta é a maior das notícias. Esta é a Boa Nova digna desse nome.
O amor de Deus é salvação.
E foi Ele que nos amou primeiro! É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados (1º João 4, 10). E, por isso, também o mesmo Filho de Deus nos diz: Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça (João 15, 16-17).
Tal como ninguém O reconheceu na pobreza do presépio em que nasceu, também agora dificilmente o reconheceríamos na crueldade da Cruz que leva às costas, ferido e humilhado. Tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano (Is 52, 14)
Esperávamos a vinda de Deus glorioso, mas… Deus ferido e humilhado?! Que escândalo!!! Que loucura!...
Nós não O conhecemos. Nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. (Is 53, 4-5)
Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. (Is 53, 6-7)
É a Paixão de Cristo que nos
conforta!
Toda nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele fomos salvos e livres (Cf. Gl 6, 14). Ele tinha que vir, porque nós precisávamos se ser reconciliados com Deus e uns com os outros.
*
Deus
amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito, para que todo o que
nEle crê não morra mas tenha a vida eterna (João
3, 16).Esta é a maior das notícias. Esta é a Boa Nova digna desse nome.
O amor de Deus é salvação.
E foi Ele que nos amou primeiro! É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados (1º João 4, 10). E, por isso, também o mesmo Filho de Deus nos diz: Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça (João 15, 16-17).
Desde sempre, o Verbo de Deus
existe. Foi pelo Seu Verbo que Deus disse “Faça-se”, e tudo foi feito. Desde
sempre que Ele é Deus com o Pai na unidade do Espírito. E as delícias do Verbo consistem em estar com os filhos dos homens
(Pr 8, 31). Tanto que Se fez um deles. Ele veio e habitou entre nós.
Ele tinha que vir, porque nós
precisávamos se ser reconciliados com Deus… e uns com os outros. Ele é a nossa paz (Ef 2, 14), por isso
Ele tinha que vir. Ele tinha que vir, porque nós não nos podemos salvar a nós
mesmos. Quem teria a arrogância de se julgar capaz de se salvar a si mesmo? Ele
tinha que vir porque todos nós, como
ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho (Is 53, 6).
Esperávamos ansiosamente que Ele
viesse. E Ele veio! O Filho de Deus veio ao mundo…
(entra
o andor com a imagem do Senhor dos Passus)
Ele veio… Veio mas ninguém o
conheceu! Aliás, Ele estava irreconhecível! O Seu rosto estava desfigurado! (Cf.
Is 52, 14) Esmagado pelo sofrimento, Cristo carrega a Cruz.
Ficamos, talvez, confusos…
Esperávamos que Ele viesse, não esperávamos que fosse… assim…Tal como ninguém O reconheceu na pobreza do presépio em que nasceu, também agora dificilmente o reconheceríamos na crueldade da Cruz que leva às costas, ferido e humilhado. Tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano (Is 52, 14)
Esperávamos a vinda de Deus glorioso, mas… Deus ferido e humilhado?! Que escândalo!!! Que loucura!...
Mas
aquilo que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e
o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte.
Porque o que é tido como loucura de Deus, é mais sábio que os homens, e o que é
tido como fraqueza de Deus, é mais forte que os homens. Por isso, enquanto os
judeus pedem sinais e os gregos andam em busca da sabedoria, nós pregamos um
Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas,
para os que são chamados, tanto judeus como não
judeus, Cristo é poder e sabedoria de
Deus. (Cf. 1ª Cor 1).
Nunca ninguém tinha visto nada
assim. Na verdade, diante dele, os reis
ficarão calados, porque hão-de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o
que nunca tinham ouvido. (Is 52, 15)
Nós não O conhecemos. Nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. (Is 53, 4-5)
Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. (Is 53, 6-7)
Ó Cristo, Vós viestes, e nós não
Vos conhecemos!
Ele
estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o
reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos
o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus
(Jo 1, 10-12).
Sim, tornámos filhos no Filho,
tornámos filhos por causa do Teu Sangue, ó Cristo! Sangue de Cristo, chuva de perdão! […] Sangue, seiva do Céu sempre a
jorrar. Sangue que lava a terra lés a lés como jamais a lavaria o mar. […] seja
em cada agonia a grande esperança e mate a sede a quem de sede morre (M.
Faria).
(pausa)
Porque se Ele oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência
duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados
os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria (Is 53, 10-11).
Mas, por agora enfrentais o duro
combate da Vossa Paixão. Os discípulos dispersaram-se e fugiram. Abandonado por
todos, agora estais sozinho…
Estará Cristo totalmente só? Sim,
porque é Ele que tem que enfrentar o combate; mas na Via Sacra de Jesus também aparece Maria, sua Mãe (J. Ratzinger).
E a Sua Mãe Santíssima veio ao Seu encontro…
(entra
o andor com a imagem de Nossa Senhora)
Senhora, quando todos fugiram,
Vós estais aqui, diante do Vosso Filho, lacrimosa mas firme, confiante. Estais
aqui porque as mães são assim. Mas, acima de tudo, estais aqui porque sois a
Mulher da Fé, e, por isso, sois Mulher de coragem!
Há trinta e tal anos atrás, ali
bem perto, no templo, ouvistes a profecia da boca do velho Simeão: Este menino está aqui para queda e
ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada
trespassará a tua alma (Lc 2, 34-35).
E agora tudo isto se torna realidade; mas Vós conservastes sempre, no
vosso Imaculado Coração, o que o Anjo Vos
disse quando tudo começou: «Não temas, Maria» (Lc 1, 30). Por isso, agora os
discípulos fugiram, mas vós estais aí, com a coragem de mãe, com a fidelidade
de mãe, com a bondade de mãe, e com a Vossa Fé, que resiste na escuridão (Cf.
J. Ratzinger): «Feliz daquela que
acreditou» (Lc 1, 45).
Nós fugiríamos, porque a nossa
Fé, muitas vezes, é morna, tíbia, insípida, e nem sempre a sabemos levar a
sério, principalmente quando chega a hora da verdade!...
Vós, Senhora, talvez mesmo sem
compreender totalmente o que está a acontecer, sabeis que é o plano de Deus a
realizar-se de forma incompreensível e surpreendente. Vós tendes Fé apesar de
tudo, porque sabeis que o pensamento de Deus está acima do nosso e que o Seu plano
é misterioso e se realiza por caminhos que nós, às vezes, não compreendemos. E,
por isso, acreditais e confiais mesmo contra toda a esperança. Podeis até nem
saber como são os planos de Deus, mas confiais.
Por estranho que tudo isto pareça
e por doloroso que isto seja, Vós sabeis que o plano salvador de Deus passa por
aqui, mesmo que não o compreendamos por agora. Por estranho que isto pareça e
por doloroso que isto seja, Vós sabeis que, no fundo, este sofrimento e morte
hão-de trazer consigo a Vida. Sofreis com paciência o sofrimento do Vosso Filho
porque sabeis que ele há-de dar fruto de Vida e não de morte, mesmo que agora
ainda não consigamos ver como.
Senhora, Vós sofrestes mas não
desesperastes, porque o vosso sofrimento estava unido ao do Vosso Filho; era o mesmo
sofrimento, um sofrimento que é doloroso mas não é trágico, porque acaba em
ressurreição. Senhora, ensinai-nos a unir também os nossos sofrimentos ao único
sacrifício de Cristo. Porque assim o nosso sofrimento já não é desespero,
porque termina em caminhos de Vida verdadeira. Senhora, ensinai-me unir os meus
sofrimentos ao único sacrifício de Cristo, porque assim eu completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do Seu
Corpo, que é a Igreja (Cl 1, 24), e assim já não é um sofrimento estéril.
Toda nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele fomos salvos e livres (Cf. Gl 6, 14). Ele tinha que vir, porque nós precisávamos se ser reconciliados com Deus e uns com os outros.
Juntamente com Nossa Senhora,
rezemos juntos:
Alma de
Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos. Ámen.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos. Ámen.
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sábado, 17 de novembro de 2012
Domingo XXXIII do Tempo Comum, ano B
Tanto
a 1ª leitura de hoje como o Evangelho são discursos de género apocalíptico. Esta
maneira de escrever e de falar umas vezes refere-se a catástrofes, outras vezes
apresenta símbolos que nos podem parecer um pouco estranhos. Mas a mensagem
destes textos não é negativa. O objectivo não é meter medo às pessoas. Pelo
contrário, a finalidade é dar esperança e fortalecer a fé, até porque são
textos que foram escritos em momentos difíceis, normalmente momentos de
perseguição, de crise, de sofrimento, épocas em que o povo se interrogava como
e quando acabaria o seu sofrimento.
Estes
textos quase sempre nos remetem para o fim dos tempos. As catástrofes de que
aqui se fala significam que haverá uma decisiva e poderosa intervenção de Deus
e que acontecerá a vinda do reino de Deus no fim dos tempos, para além da
história humana, isto é, para além deste mundo, inaugurando um mundo novo, já
que este mundo está destinado a desaparecer um dia.
Na
verdade, “o cenário deste mundo é passageiro”.
O
Senhor diz hoje no Evangelho que “o sol
escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu”… E a
verdade é que nenhuma dessas coisas é eterna. Tudo neste mundo físico tem um
fim. Tudo tem uma duração limitada e há-de acabar: o sol, a lua, as estrelas, a
Terra,… e até a maldade dos homens! Só a bondade e a justiça é que permanecerão
eternamente. A 1ª leitura é clara quando diz que nesse tempo haverá angústia mas,
para o povo de Deus, vai ser tempo de libertação e salvação: “Será um tempo de angústia, como não terá
havido até então, desde que existem nações. Mas, nesse tempo, virá a salvação
para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus.” O
Dia do Senhor só pode ser terrível para quem estiver contra o Senhor. Só o pode
ser para os criminosos e os perversos. Se, neste mundo, tudo tem fim, até a
maldade humana (felizmente), as boas obras, pelo contrário, permanecem eternamente,
bem como aqueles que as praticam, como nos garante a leitura ao dizer que “os sábios resplandecerão como a luz do
firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão
como estrelas por toda a eternidade.” Também Jesus no Evangelho diz que o
Filho do Homem “mandará os Anjos, para
reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais”.
Portanto,
a mensagem que a 1ª leitura e o Evangelho nos anunciam não é de medo, mas é de
esperança: vão acabar a maldade, a injustiça, a crise, a perseguição, porque já
está a surgir um reino de justiça e de paz, o Reino de Deus.
O
fim dos tempos, mais do que a destruição da terra, significa a vinda do Reino
de Deus o momento histórico da intervenção de Deus em que salvará os que lhe
são fiéis.
Por
isso, agora compreendemos melhor porque é que os primeiros cristãos desejavam
tanto a vinda final de Cristo. Eles clamavam (e nós continuamos a clamar!): Vem,
Senhor Jesus!
As
palavras do Salmo responsorial que cantámos referem-se claramente a Cristo. Mas
nós podemos assumi-las como nossas, e, neste desejo da vinda do reino de Deus,
podemos aplica-las a nós mesmos, rezando: Vós
não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel
sofrer a corrupção. Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,alegria plena em
vossa presença, delícias eternas à vossa direita.
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