Quem já assumiu algumas responsabilidades sabe que a liberdade é uma questão de coragem. Há momentos em que a liberdade autêntica está tão longe de “fazer o que apetece”! Tão longe!
Liberdade é ter CORAGEM para tomar as atitudes certas, mesmo que doa. Quer doa aos outros, quer nos doa a nós. Porque quem tem responsabilidades sabe que tudo na vida tem consequências. De facto, nem toda a gente sabe que cada escolha que faz tem as suas consequências. Até não escolher tem consequências!
Ser livre é ser capaz de tomar decisões que, embora sejam as necessárias, são pouco populares. Quem é livre toma essas decisões mesmo sabendo que alguns o hão-de criticar, às vezes até mentido.
Mas, quando temos essa coragem, quando sabemos as consequências das coisas e somos capazes de evitar o pior, que sensação de liberdade! Liberdade autêntica!
domingo, 14 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Manual de sobrevivência para totós
Texto apresentado por João Henriques (patrulha 4) no “Dia Fora” do Acaférias 2011
Prefácio
Com o intuito de permitir que uma maior variedade de pessoas, mesmo sem treino prévio, consiga sobreviver nas mais adversas condições terrestres, foi criado este manual. Com uma linguagem de fácil compreensão, este manual vem no seguimento da colecção “Para Totós”, do original em inglês “For Dummies”.
Esperamos somente que não percam o manual no caso de se encontrarem nalguma situação de sobrevivência.
Capítulo I
Sobrevivência na selva
A selva é uma espécie de “Caixa de Pandora” de perigos fatais à sobrevivência de qualquer um, mesmo o mais bem treinado. Quem lá entra raramente sai. Assim, é necessário que este capítulo seja lido com a maior atenção possível e, de preferência, relembrado todas as noites antes de ir dormir.
1. Não pisar a caca dos bichos.
2. Se vir um macaco, comporte-se como ele.
3. Lembre-se que até o mais pequeno animal pode representar um perigo à sua sobrevivência. “As iludências aparudem.”
4. Quando um animal começar a olhar para si e a salivar, não se mexa. Corra somente em último recurso.
5. Mantenha a calma.
6. Não vista fralda nem se arme em Tarzan a saltar de liana em liana e à espera que a Jane lhe vá dar uma beijaça.
7. Faça silêncio e mantenha-se atento.
Capítulo II
Sobrevivência na savana
A grande vantagem de sobreviver na savana em relação a sobreviver na selva é o facto de os grandes predadores, como leões, chitas, ligres, leôncios, leonardos, leopoldos e leopildos, preferirem caçar zebras, impalas, elibúfalos e zebríus.
1. Não pisar a caca dos bichos.
2. Subir às árvores só serve para fugir de leões.
3. Se for mais alto que uma hiena, esta não o atacará.
4. Se aparecer uma chita, morda-lhe na orelha.
5. Se um hipopótamo o estiver a espreitar com o focinhito fofo de fora, não pense que ele quer algum tipo de amizade.
6. Cuidado com os que se escondem entre as ervas. Só o querem atacar.
Capítulo III
Sobrevivência no deserto
O deserto… Quente de dia, frio de noite. Areia, tempestades, animais venenosos e… nada de água. Como se pode sobreviver neste clima?
1. Não pisar a caca dos bichos.
2. Não dispa a camisola. Assim irá prevenir que a água da transpiração se evapore tão facilmente.
3. Evite comer. A água é gasta nos processos de digestão.
4. Os cactos podem parecer feios e ter picos, mas, no seu interior, têm grandes quantidades de água.
5. Cuidado com os escorpiões e cobras venenosas. Podem aparecer em qualquer momento no seu caminho.
Capítulo IV
Sobrevivência na sociedade
Este é, talvez, o ambiente mais agreste e mais propício à concorrência entre indivíduos da mesma espécie. Trata-se de um canibalismo não usual, que não envolve antropofagia mas sim inveja, desentendimentos, agressividade e exclusão de alguns indivíduos.
1. Não pisar a caca dos bichos.
2. Mantenha a calma, não se enerve.
3. Se vir um macaco, não se comporte como ele.
4. Lembre-se: Deus deu-lhe dois ouvidos mas apenas uma boca. Isto diz muito sobre quanto devemos ouvir e quanto devemos falar.
5. Dê-se bem com toda a gente. Nunca se sabe quando pode vir a precisar da ajuda de alguém com quem se dá pior.
6. Não se guie pelas aparências. “As iludências aparudem”.
7. Não vista fralda nem se arme em Tarzan a saltar de liana em liana e à espera que a Jane lhe vá dar uma beijaça.
8. Cuidado com aqueles moços que, quando bebem vinho, deixam uma marca de batom no copo.
9. Não magoes o outro se não queres que o outro te magoe.
10. Cuidado com as cobras e outros animais venenosos. Podem aparecer em qualquer momento no seu caminho.
11. E, por último mas não menos importante, vive! Agarra a Vida!
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Jovens deixam-se surpreender no Acaférias 2011
Quem participou? Este campo de férias é aberto a todos os Jovens das paróquias que tenham completado o 7º ano de Catequese, pelo que as suas idades variavam entre os treze e os vinte e três anos, embora a média andasse pelos dezasseis ou dezassete. Ainda que os Jovens fossem maioritariamente da paróquia de Seixo da Beira, havia participantes também de Bobadela, Ervedal da Beira, Lagares da Beira, Lageosa, Lagos da Beira e Travanca de Lagos. Com uma equipa de onze animadores jovem (o mais velho, o sacerdote, com vinte e sete anos) e maravilhosa, o Acaférias deste ano teve um total de 57 pessoas acampadas na mata generosamente cedida pelo Sr. João Veríssimo, onde chegaram no transporte providenciado pelo Município de Oliveira do Hospital.
Quais são os objectivos? Tratando-se de uma actividade essencialmente pastoral, os objectivos do Acaférias são sempre a formação humana e cristã dos Jovens. Neste sentido, o tema deste ano foi “Agarra a Vida”: os Jovens, ao começar a sua vida, precisam de a agarrar e viver como vale a pena, com a consciência de que essa vida é dom de Deus e de que só Deus pode dar a Vida verdadeira (daí o “V” maiúsculo de “Vida”).
Que tipo de acampamento? Uma das características mais marcantes do Acaférias é o facto de ser aquilo a que se chama “campismo selvagem”: no meio de uma mata, onde não existe qualquer tipo de infra-estruturas (apenas um furo com a respectiva bomba de água), armamos as tendas, montamos a cozinha e as mesas de refeição, escavamos as latrinas, e preparamos os espaços onde tomamos banho e construímos a “rodinha” (círculo onde nos reunimos).
Que actividades realizaram? Divididos por “patrulhas”, os Jovens jogam os jogos e desempenham todas as tarefas necessárias, tais como ajudar na cozinha, lavar a loiça, manter o campo limpo e arrumado… Entre as diversas actividades, destacam-se a Eucaristia (celebrada nos dois domingos na capela da Barra de Mira, com a comunidade local), a vigília de oração, o “raid” (caminhada com pistas até à praia da Costa Nova), a “caça”, o “paint-balão” (como o “paint-ball”, mas com… balões de água!), o “Dia fora” (contacto com a comunidade local), o “Dia com…” (este ano com o Sr. Fernando, da Cáritas), as tardes de praia com os seus jogos…
E para o ano? O Acaférias é para todos uma experiência única, inesquecível, que nos marca para toda a vida. Uma vez mais, o Acaférias contribuiu de facto para o crescimento espiritual e humano dos Jovens. Estamos motivados e, por isso, todos os animadores respondem aos Jovens ansiosos: “Sim, é para continuar para o ano! Deixem-se surpreender!”
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domingo, 3 de julho de 2011
Porque é que o Domingo XIII do Tempo Comum apareceu a seguir ao dia de Corpo de Deus?
O facto de, este ano, o Domingo a seguir ao Corpo de Deus ter sido o XIII do Tempo Comum tem um explicação simples.
O Tempo Comum começa a seguir ao Tempo do Natal. Depois do Domingo da Epifania ("Dia de Reis") vem a Festa do Baptismo do Senhor, que ocupa o lugar do Domingo I do Tempo Comum. A semana que começa logo a seguir ao Baptismo do Senhor já é a Semana I do Tempo Comum.
E o Tempo Comum segue normalmente até ser interrompido no dia de Quarta-feira de Cinzas, que começa a Quaresma. A Quaresma, que pode começar mais cedo ou mais tarde conforme a Páscoa seja mais alta ou mais baixa, vem interromper o Tempo Comum; à Quaresma segue-se imediatamente o Tempo Pascal; ao terminar o Tempo Pascal, o Tempo Comum é retomado a partir do ponto onde foi interrompido.
Assim, este ano, o dia 6 de Março foi o Domingo IX do Tempo Comum. Mas a quarta-feira seguinte foi Quarta-feira de Cinzas. O dia 12 de Maio foi o Domingo de Pentecostes, último Domingo do Tempo Pascal, e a semana que começou logo a seguir foi a Semana XI do Tempo Comum. O Domingo seguinte seria o Domingo XII do Tempo Comum, mas esse Domingo foi ocupado pela solenidade da Santíssima Trindade, que se celebra sempre no Domingo a seguir ao Pentecostes; mas a semana que se seguiu a esse Domingo da Santíssima Trindade foi a Semana XII do Tempo Comum. Por isso é que o Domingo pasado foi o Domingo XIII do Tempo Comum e este Domingo é o Domingo XIV do Tempo Comum.
Os Domingos do Tempo Comum vão suceder-se agora até ao XXXIV, que é o Domingo de Cristo Rei, último Domingo do ano litúrgico (este ano a 20 de Novembro). O Domingo seguinte é o Domingo I do Advento (este ano a 27 de Novembro), que inicia um novo ano litúrgico.
O Tempo Comum começa a seguir ao Tempo do Natal. Depois do Domingo da Epifania ("Dia de Reis") vem a Festa do Baptismo do Senhor, que ocupa o lugar do Domingo I do Tempo Comum. A semana que começa logo a seguir ao Baptismo do Senhor já é a Semana I do Tempo Comum.
E o Tempo Comum segue normalmente até ser interrompido no dia de Quarta-feira de Cinzas, que começa a Quaresma. A Quaresma, que pode começar mais cedo ou mais tarde conforme a Páscoa seja mais alta ou mais baixa, vem interromper o Tempo Comum; à Quaresma segue-se imediatamente o Tempo Pascal; ao terminar o Tempo Pascal, o Tempo Comum é retomado a partir do ponto onde foi interrompido.
Assim, este ano, o dia 6 de Março foi o Domingo IX do Tempo Comum. Mas a quarta-feira seguinte foi Quarta-feira de Cinzas. O dia 12 de Maio foi o Domingo de Pentecostes, último Domingo do Tempo Pascal, e a semana que começou logo a seguir foi a Semana XI do Tempo Comum. O Domingo seguinte seria o Domingo XII do Tempo Comum, mas esse Domingo foi ocupado pela solenidade da Santíssima Trindade, que se celebra sempre no Domingo a seguir ao Pentecostes; mas a semana que se seguiu a esse Domingo da Santíssima Trindade foi a Semana XII do Tempo Comum. Por isso é que o Domingo pasado foi o Domingo XIII do Tempo Comum e este Domingo é o Domingo XIV do Tempo Comum.
Os Domingos do Tempo Comum vão suceder-se agora até ao XXXIV, que é o Domingo de Cristo Rei, último Domingo do ano litúrgico (este ano a 20 de Novembro). O Domingo seguinte é o Domingo I do Advento (este ano a 27 de Novembro), que inicia um novo ano litúrgico.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Pobreza, uma realidade desconcertante
Testemunho solicitado por Carlos Neves, da Cáritas Diocesana de Coimbra, para uma sebenta sobre a pobreza.
A pobreza é uma realidade complexa, com muitas facetas. Não se pode olhar para ela de uma forma simplista, nem fácil, nem descomprometida. Dando o meu testemunho, posso dizer que, por um lado, vejo a crueldade, ignorância e incompreensão de tantas pessoas; por outro lado, descubro em mim muitas barreiras que me impedem de compreender e actuar.
A desconfiança! Minha e dos outros. Pergunto-me muitas vezes: será que esta associação que me vem pedir é credível? Será que esta pessoa precisa mesmo ou me está a enganar? Também oiço muitas pessoas a dizer que não dão para este ou aquele peditório porque acham que depois nada é entregue àquele destino.
Uma culpa associada à pobreza! O caso do drogado ou do alcoólico. A desorientação daquele que se endivida comprando obsessivamente coisas supérfluas que depois não pode pagar, chegando ao ponto de haver alguns dias em que não tem dinheiro, por exemplo, para algo tão básico como almoçar! Perante estes casos surge a pergunta: é uma espécie de doença ou trata-se de uma culpa moral com o consequente castigo? Como agir quando a própria pessoa é, de algum modo, culpada pela situação de pobreza que vive? Não sei, mas é, sem dúvida, desconcertante! É fácil dizer «foi bem feito, quem o mandou meter-se naquilo?». No entanto, a caridade lembra-nos que se trata de um caso de pobreza para resolver.
A hipocrisia e a má vontade de tantas instituições responsáveis a nível local, tais como: autarquias sempre adiam “sine die” as soluções dos problemas concretos, ou que sempre encontram um oportuno entrave burocrático ou de jurisdição; assistentes sociais que deixam perpetuar casos “eternos”; comissões locais onde apenas se fala mas não se age.
A incompreensão da pobreza associada a outras misérias: álcool, droga… Destaco, sobretudo, a prostituição: na cabeça da maioria das pessoas, as prostitutas continuam a ser mulheres preguiçosas que fizeram uma opção pela vida fácil para ganhar dinheiro sem esforço ou até pelo prazer! Mas… será (sempre) assim?
Outro aspecto muito importante e que nem sempre é claro para toda a gente: a pobreza não significa necessariamente miséria! Por isso, a pobreza nem sempre é visível, por isso tantas vezes nos escapa sem que sejamos sequer capazes de a identificar. Uma pessoa ou família pode ter necessidade de alguns bens importantes e passar algumas privações mais ou menos graves sem, no entanto, viverem um grau de pobreza extrema.
A pobreza raramente é visível: tanto é real em pessoas que parecem de nada precisar como é fingida em pessoas que vivem bem embora aparentem passar miseravelmente. É uma realidade complexa e que eu sinto, acima de tudo, como algo profundamente desconcertante aos mais variados níveis.
A pobreza é uma realidade complexa, com muitas facetas. Não se pode olhar para ela de uma forma simplista, nem fácil, nem descomprometida. Dando o meu testemunho, posso dizer que, por um lado, vejo a crueldade, ignorância e incompreensão de tantas pessoas; por outro lado, descubro em mim muitas barreiras que me impedem de compreender e actuar.
A desconfiança! Minha e dos outros. Pergunto-me muitas vezes: será que esta associação que me vem pedir é credível? Será que esta pessoa precisa mesmo ou me está a enganar? Também oiço muitas pessoas a dizer que não dão para este ou aquele peditório porque acham que depois nada é entregue àquele destino.
Uma culpa associada à pobreza! O caso do drogado ou do alcoólico. A desorientação daquele que se endivida comprando obsessivamente coisas supérfluas que depois não pode pagar, chegando ao ponto de haver alguns dias em que não tem dinheiro, por exemplo, para algo tão básico como almoçar! Perante estes casos surge a pergunta: é uma espécie de doença ou trata-se de uma culpa moral com o consequente castigo? Como agir quando a própria pessoa é, de algum modo, culpada pela situação de pobreza que vive? Não sei, mas é, sem dúvida, desconcertante! É fácil dizer «foi bem feito, quem o mandou meter-se naquilo?». No entanto, a caridade lembra-nos que se trata de um caso de pobreza para resolver.
A hipocrisia e a má vontade de tantas instituições responsáveis a nível local, tais como: autarquias sempre adiam “sine die” as soluções dos problemas concretos, ou que sempre encontram um oportuno entrave burocrático ou de jurisdição; assistentes sociais que deixam perpetuar casos “eternos”; comissões locais onde apenas se fala mas não se age.
A incompreensão da pobreza associada a outras misérias: álcool, droga… Destaco, sobretudo, a prostituição: na cabeça da maioria das pessoas, as prostitutas continuam a ser mulheres preguiçosas que fizeram uma opção pela vida fácil para ganhar dinheiro sem esforço ou até pelo prazer! Mas… será (sempre) assim?
Outro aspecto muito importante e que nem sempre é claro para toda a gente: a pobreza não significa necessariamente miséria! Por isso, a pobreza nem sempre é visível, por isso tantas vezes nos escapa sem que sejamos sequer capazes de a identificar. Uma pessoa ou família pode ter necessidade de alguns bens importantes e passar algumas privações mais ou menos graves sem, no entanto, viverem um grau de pobreza extrema.
A pobreza raramente é visível: tanto é real em pessoas que parecem de nada precisar como é fingida em pessoas que vivem bem embora aparentem passar miseravelmente. É uma realidade complexa e que eu sinto, acima de tudo, como algo profundamente desconcertante aos mais variados níveis.
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