sábado, 7 de julho de 2012

As famosas condições para se ser padrinho

Muitas vezes, os sacerdotes vêem-se na obrigação de dizer a alguém que não pode ser padrinho ou madrinha de Baptismo. Nem sempre as pessoas compreendem as razões para essa negação, que encaram como uma simples lei que alguém se lembrou de impor (talvez com o firme propósito de “acabar com a religião”…).
Os padrinhos têm a missão ajudar os pais educar a criança baptizada na fé cristã; porém, ao escolher os padrinhos, os pais nem sempre têm isso em conta, escolhem os padrinhos apenas por razões afectivas, o que acaba por levantar este tipo de complicações e incompreensões. Vejamos o porquê de algumas “leis” que, embora tenham todo o sentido, nem sempre são bem compreendidas:

Casados pela Igreja
Os padrinhos não têm que ser casados (nem entre si nem com outras pessoas), mas se o forem têm que o ser pela Igreja. Não podem ser padrinhos os que forem casados civilmente. Muito menos podem ser padrinhos os que vivem em união de facto, que é uma situação ainda pior. Porquê? Para um verdadeiro cristão só há um tipo de casamento possível, que é pela Igreja.
Na imitação de casamento que é uma união de facto ocorre o pecado de fornicação, pois implica relações sexuais fora de um verdadeiro casamento. Com a agravante de ser um tipo de fornicação permanente, um estado permanente de pecado que, cada vez mais, se torna socialmente aceite sem contestação e que, por isso mesmo, é vivido sem qualquer tipo de arrependimento.
Já o casamento civil é um tipo de casamento que é útil e válido para os não-cristãos (que também precisam de se poderem casar), mas não serve para os cristãos: as pessoas que, podendo casar pela Igreja, o fizeram de outra maneira desprezam a Deus, excluíram-n'O de uma dimensão tão importante da sua vida como o casamento. Quem é cristão casa-se "à cristão"; se for casar-se "à não-cristão" está a transformar-se, na prática, num não-cristão.
E é aqui que entra a questão dos padrinhos, entendidos enquanto testemunhas de fé: se, num momento como o casamento, Deus e a Igreja passam para segundo plano, ou se as pessoas optam por viver num estado permanente de pecado, como é que podem ser exemplo de fé e de vida cristã para uma criança? Entre outras coisas, o exemplo que passarão para a criança baptizada é de que é indiferente casar "segundo a fé" ou de outra maneira qualquer. Mesmo que lhe digam "eu não me casei pela Igreja, mas tu não faças como eu", o exemplo de vida que se assumiu é aquilo que vai falar mais alto.
Para além daqueles que não se casam na Igreja porque não querem, há os que não se casam na Igreja porque não podem, nomeadamente os que já foram (um dos dois ou mesmo ambos) casados pela Igreja com outra pessoa. Nesse caso, ocorre uma situação de adultério (quer apenas se "juntem", quer se casem civilmente), porque continua "de pé" um casamento católico (ou, eventualmente, dois) que, até prova em contrário, é válido e, portanto, indissolúvel até que a morte os separe, casamento que é ofendido por uma nova união com outra pessoa. Ou seja, na prática, quem assim vive está a fazer os actos próprios dos cônjuges com outra pessoa que não aquela com quem estão casado.*
 
O Crisma
Os três sacramentos da iniciação cristã são três: o Baptismo; a Confirmação (ou Crisma); e a Eucaristia. Quem recebeu estes três sacramentos completou a iniciação cristã, está plenamente iniciado na Fé. Normalmente todos recebemos o Baptismo e a Eucaristia, mas, muitas vezes, nem todos fiéis adultos chegaram a receber o Crisma. Portanto, os que não foram crismados não têm a sua iniciação completa… Se não estão plenamente iniciados não faz sentido apadrinharem outra pessoa que se está a iniciar. Actualmente, pelo menos na Diocese de Coimbra, é permitido pedir a dispensa do Crisma, mas essa dispensa só é concedida mediante o compromisso (assinado) de celebrar o Crisma logo que possível.

Maiores de 16 anos
Para algumas coisas que exigem uma certa maturidade há, na Igreja, uma idade mínima (por exemplo, para ser ordenado, para casar...). Dezasseis anos é a idade mínima para casar e também para se ser padrinho: este paralelo com o casamento deve levar-nos a reflectir que ser padrinho não é uma coisa para crianças, mas uma tarefa de responsabilidade e maturidade.
 
* Todas estas irregularidades matrimoniais referidas, para além de impedirem a pessoa de ser padrinho/madrinha (de Baptismo, ou de Crisma), também a impedem de receber a Sagrada Comunhão e os restantes sacramentos, mas por razões ligeiramente diferentes: se no caso do ser padrinho está em causa o testemunho de fé e exemplo de vida cristã a dar à criança baptizada, no caso dos sacramentos está em causa o facto de a pessoa estar em estado de pecado mortal e, portanto, não preparada para receber os sacramentos. Até o sacramento da Confissão estão impedidos de receber, pois a Confissão não é válida se não houver arrependimento e propósito de emenda, e, nestes casos, essas disposições não podem existir, pois a pessoa sairia do confessionário para continuar a viver no mesmo estado de vida.
Também vale a pena referir que estas condições exigidas aos padrinhos não se aplicam aos chamados "padrinhos" de casamento porque, na verdade, no casamento não há padrinhos, mas sim testemunhas.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

sábado, 24 de março de 2012

Domingo IV da Quaresma ano B

«Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.» Se fosse para condenar o mundo, não era preciso Cristo dar-Se ao trabalho de vir ao mundo: poderia condená-lo descansadamente sentado no Seu trono eterno; por isso, se o Filho foi enviado ao mundo, não pode ter sido para outra coisa senão para salvar o mundo.
A 1ª leitura fala-nos do tempo que o povo de Deus esteve exilado na Babilónia, como consequência dos seus pecados. As palavras da leitura mostram como o povo pagou caro por ter multiplicado as suas infidelidades, por ter profanado o templo do Senhor e por ter desprezado os profetas que o Senhor lhes tinha enviado para os advertir dos seus maus caminhos. Foi o seu pecado, a sua negação de Deus que os conduziu ao desterro para a Babilónia. Mas este exílio não foi uma vingança de Deus, mas apenas a consequência do comportamento rebelde de um povo infiel à aliança: «multiplicaram as suas infidelidades, imitando os costumes abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo». Foram eles próprios que se condenaram, porque o primeiro prejudicado com o pecado é o próprio pecador. E não foi por falta de aviso. Não faltaram, e com muita antecedência, os avisos dos profetas a alertar para os riscos de tais atitudes! Mas eles não ligaram a nada disso: como diz a leitura, «escarneciam dos mensageiros de Deus, desprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas». É o que acontece hoje! E por isso estamos na situação em que estamos. O povo umas vezes, ignora os profetas, outras vezes despreza-os e não os leva a sério, e às vezes até os maltrata. Porém, o resultado está à vista, pois quando a Palavra do Senhor é ignorada e a lei de Deus é ridicularizada, desprezada ou achincalhada, quando a aliança com Deus é traída, o resultado só pode ser o mal e a destruição! Diz a 1ª leitura: «Enquanto o país não descontou os seus sábados [os sábados que andou a profanar durante tanto tempo], esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até se completarem setenta anos.» Não será isso que hoje se está a passar no nosso mundo? O povo viveu e continua a viver sem consciência de fé e sem valores humanos, e por isso paga por aquilo em que tem andado a faltar, acumulado e tudo junto!
No Evangelho de hoje, Jesus diz a Nicodemos: «Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna». Quando o povo de Deus andava no deserto, o acampamento foi infestado uma praga de serpentes venenosas que mordiam as pessoas e as matavam. Então o Senhor ordenou a Moisés que fizesse uma serpente em bronze (as Testemunhas de Jeová censuram-nos por termos imagens nas igrejas, mas o Senhor ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze) e que a fixasse no cimo de um poste; e todo aquele que fosse mordido pelas serpentes venenosas, se olhasse para a serpente de bronze, ficava curado! Esta serpente de bronze erguida no deserto é prefiguração de Cristo que, erguido na cruz, salva todo aquele que olha para Ele com fé. É dEle, só dEle, que vem a salvação. Não tenhamos a vaidade de achar que somos nós que nos salvamos, como se as nossas boas obras fossem um negócio pelo qual pudéssemos comprar a salvação; como se Deus nos ficasse a dever alguma coisa… Deus não deve nada a ninguém, quando nos salva é completamente grátis! E é isso que nos ensina a 2ª leitura de hoje. Muitos dizem: “O que interessa é fazer o bem, ir à Igreja não interessa para nada”: ora, isto não nos salva, porque a salvação é dom de Deus, não é mérito das nossas obras. Se a salvação fosse mérito das obras que fazemos, aí poderíamos gloriar-nos: “Eu fiz! Eu aconteci!...” (e pessoas com esta vaidade não faltam). Porém, S. Paulo deixa hoje bem claro na 2ª leitura que “ninguém se pode gloriar”, porque a salvação é dom de Deus, não vem de nós. Os que dizem “O que interessa é fazer o bem, ir à Igreja não interessa para nada” é porque: ou não acreditam em salvação nenhuma; ou porque têm a ilusão de que se podem salvar a si mesmos (pobres de nós!)… (Além disso, será que fazem assim tanto bem como dizem que é preciso fazer?)
«Deus amou de tal modo o mundo que entregou o Seu Filho unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna.» A esta oferta de amor, o homem é chamado a dar uma resposta: ou acredita ou não acredita (não há meio termo!). E diz o Senhor que «quem acredita não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigénito de Deus» e a causa da condenação é que a luz veio ao mundo mas os homens amaram mais as trevas, porque eram más as suas obras. Este acreditar não é apenas a um simples exercício intelectual. Acreditar não é só a aceitação de uma verdade mas a adesão a uma Pessoa. Acreditar é dar crédito a alguém. Somos chamados e convidados a acreditar não em coisas mas numa pessoa: Cristo. A salvação é um dom que Deus nos oferece. Cabe-nos aceita-la e vive-la ou rejeita-la. E esta escolha é uma escolha que se faz todos os dias. Todos os dias, nos nossos dilemas, somos chamados a dizer que acreditamos em Cristo.
Jesus Cristo, elevado no alto do mastro da cruz para atrair a Ti o nosso olhar, recebe o tributo da nossa gratidão e faz-nos saborear a salvação que nos prometes. Assim seja.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Confessar-se a um padre?

Alguém dizia: “Eu? Ir dizer os meus pecados a um homem como eu? Só se eu fosse burro!”; E um velho pároco respondeu: “De facto, se for dizer os seus pecados a um homem como o Sr., é muito burro, mas se os for dizer a um homem que é padre, aí será bem diferente!”
Muitos são os que têm dificuldade em entender a necessidade da confissão sacramental: “Afinal, se Deus me ouve sempre, basta pedir perdão directamente a Deus, não preciso do padre para nada”, pensam muitas pessoas. No entanto, mesmo que alguns achem que o padre não é preciso para o perdão dos pecados, todos aceitam sem discussão que o padre é preciso para a Eucaristia e que sem padre não há Missa. Porém, se o ministério do padre é indispensável para haver Missa, faz sentido que também o seja para haver o perdão dos pecados! Se precisamos do sacerdote para podermos comungar, é evidente que também precisamos dele para nos serem absolvidos os pecados, porque Aquele instituiu a Eucaristia foi Quem instituiu também o perdão dos pecados. Afinal, os que se confessam “directamente a Deus” quando desejam comungar não vão directamente a Deus!... Quem se confessa “directamente a Deus”, não pede o Pão do Céu “directamente a Deus”...
A atitude de quem pretende ir “directamente a Deus” é desencarnada, vaga, fica a pairar; é subjectiva, porque não tem nenhuma palavra nem gesto concreto que a garanta. Eu não posso salvar-me a mim mesmo nem perdoar-me a mim próprio. Posso dizer “Deus perdoa-me”, mas… como é que eu sei que Ele me perdoa? Que sinal concreto tenho que me dê a certeza desse perdão? O sacramento da confissão é esse sinal concreto, pois os sacramentos são “sinais eficazes da graça”.
Os sacramentos são sinais visíveis de uma realidade invisível, sinais que tornam visível o amor de Deus, sinais eficazes pelos quais Deus Se torna tão próximo de nós e Se entrega tão totalmente que é uma ingratidão sem nome rejeitá-los. Sim, é altamente ofensivo ao amor de Deus dizer “Eu confesso-me directamente a Deus, não preciso do sacramento da confeição para nada”. Era como se, no dia do nosso aniversário, atirássemos com o presente que recebemos à cara no amigo que o ofereceu, dizendo-lhe: “Eu faço anos todos os dias, não preciso de prendas de aniversário para nada!”.
E se o sacerdote for o pior dos pecadores? Tem capacidade de absolver os pecados dos outros, podendo ele ser, eventualmente, muito pior? Ainda bem que sim, porque eu tenho direito a ser perdoado, independentemente de conseguir para isso um padre muito santo ou muito pecador. O perdão de Deus não está dependente da santidade do ministro (embora ela seja desejável!). Sim, o sacerdote pode absolver-me e a absolvição é válida porque não é ele que me perdoa: é Cristo que me perdoa através dele!
Alguém dizia: “Eu? Ir dizer os meus pecados a um homem como eu? Só se eu fosse burro!”; E um velho pároco respondeu: “De facto, se for dizer os seus pecados a um homem como o Sr., é muito burro, mas se os for dizer a um homem que é padre, aí será bem diferente!"*.
Muitos são os que têm dificuldade em entender a necessidade da confissão sacramental: “Afinal, se Deus me ouve sempre, basta pedir perdão directamente a Deus, não preciso do padre para nada”, pensam muitas pessoas. No entanto, mesmo que alguns achem que o padre não é preciso para o perdão dos pecados, todos aceitam sem discussão que o padre é preciso para a Eucaristia e que sem padre não há Missa. Porém, se o ministério do padre é indispensável para haver Missa, faz sentido que também o seja para haver o perdão dos pecados! Se precisamos do sacerdote para podermos comungar, é evidente que também precisamos dele para nos serem absolvidos os pecados, porque Aquele instituiu a Eucaristia foi Quem instituiu também o perdão dos pecados. Afinal, os que se confessam “directamente a Deus” quando desejam comungar não vão directamente a Deus!... Quem se confessa “directamente a Deus”, não pede o Pão do Céu “directamente a Deus”...
A atitude de quem pretende ir “directamente a Deus” é desencarnada, vaga, fica a pairar; é subjectiva, porque não tem nenhuma palavra nem gesto concreto que a garanta. Eu não posso salvar-me a mim mesmo nem perdoar-me a mim próprio. Posso dizer “Deus perdoa-me”, mas… como é que eu sei que Ele me perdoa? Que sinal concreto tenho que me dê a certeza desse perdão? O sacramento da confissão é esse sinal concreto, pois os sacramentos são “sinais eficazes da graça”.
Os sacramentos são sinais visíveis de uma realidade invisível, sinais que tornam visível o amor de Deus, sinais eficazes pelos quais Deus Se torna tão próximo de nós e Se entrega tão totalmente que é uma ingratidão sem nome rejeitá-los. Sim, é altamente ofensivo ao amor de Deus dizer “Eu confesso-me directamente a Deus, não preciso do sacramento da confissão para nada”. Era como se, no dia do nosso aniversário, atirássemos com o presente que recebemos à cara no amigo que o ofereceu, dizendo-lhe: “Eu faço anos todos os dias, não preciso de prendas de aniversário para nada!”.
E se o sacerdote for o pior dos pecadores? Tem capacidade de absolver os pecados dos outros, podendo ele ser, eventualmente, muito pior? Ainda bem que sim, porque eu tenho direito a ser perdoado, independentemente de conseguir para isso um padre muito santo ou muito pecador. O perdão de Deus não está dependente da santidade do ministro (embora ela seja desejável!). Sim, o sacerdote pode absolver-me e a absolvição é válida porque não é ele que me perdoa: é Cristo que me perdoa através dele!

* Em memória do Padre Manuel das Neves Contumélias.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

Igreja e maçonaria

Para que não restem dúvidas, digamos desde já que a maçonaria é incompatível com fé cristã. Porquê?
Porque a fé cristã é uma fé num Deus pessoal; a maçonaria, mesmo quando afirma que há “um Ser Superior”, uma Inteligência, ou uma espécie de relojoeiro do universo, está sempre a confessar um deus impessoal, vago, genérico… os maçons, mesmo quando não são propriamente ateus, na prática acabam por pouco ou nada se distinguir dos ateus porque, de facto, a maçonaria nega sempre, nos seus pressupostos, no seu pensamento e na sua acção, o Deus que Se revela pessoalmente. O nosso Deus, porém, não só Se revela pessoalmente como encarna, vive a nossa vida, morre e ressuscita para nossa salvação, e isso é inconcebível para a filosofia maçónica.
Por isso, “Um católico, consciente da sua fé e que celebra a Eucaristia não pode ser maçon. E se o for convictamente, não pode celebrar a Eucaristia”, diz a Nota Pastoral de D. José Policarpo publicada em 2005.
Para a maçonaria, o fundamento da verdade não é a Revelação, mas apenas a razão natural. Diz D. Policarpo: “A Maçonaria não é um ateísmo, pois admite um “deus da razão”. Exclui qualquer revelação sobrenatural, fonte de verdades superiores ao homem, porque têm a sua fonte em Deus, não aceitando a objectividade da verdade que a revelação nos comunica, caindo na relatividade da verdade a que cada razão individual pode chegar, fundamentando aí o seu conceito de tolerância. A Igreja também aceita a tolerância, mas em relação às pessoas e não em relação à objectividade da verdade. […] A Maçonaria, sobretudo em algumas das suas “obediências”, lutará sempre contra valores inspiradores da sociedade que tenham a sua origem na dimensão sobrenatural da nossa fé.”
A declaração de 26 de Novembro de 1983 da Congregação para a Doutrina da Fé diz: “Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.”
Uma vez mais, descobrimos que ser cristão não é apenas ter uns valores morais ou apenas aceitar que exista “qualquer coisa”. Os maçons que dizem ser, ao mesmo tempo, cristãos e até católicos estão, portanto, gravemente enganados e a induzir outras pessoas em erro. Como disse alguém da nossa praça: “Ou se é maçon, o que é uma pena, ou se é católico.”

sábado, 7 de janeiro de 2012

“Fora da Igreja não há salvação”

Ao celebrar a Epifania (festa da manifestação de Deus a todos os povos) pode ser oportuno meditar sobre aquela frase (por vezes um pouco polémica) que diz: “fora da Igreja não há salvação”.
Esta é uma verdade da nossa fé que causa dúvidas e dificuldades a muitas pessoas que não a conseguem compreender.
Porém, a Igreja desde o início que tem consciência de ser sacramento universal de salvação e que fora dela não há salvação. “Então só os que pertencem à Igreja é que se salvam?”, perguntam muitas pessoas.
Talvez possamos compreender melhor se tivermos em conta que Cristo é o único Salvador e que fora dEle não há qualquer hipótese de salvação: “Ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14, 6). Na verdade, Cristo é a Cabeça da Igreja e é na Igreja que Cristo Se faz presente. O nº 171 do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica explica que a afirmação “Fora da Igreja não há salvação” significa que “toda a salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu corpo. Portanto não poderiam ser salvos os que, conhecendo a Igreja como fundada por Cristo e necessária à salvação, nela não entrassem e nela não perseverassem. Ao mesmo tempo, graças a Cristo e à sua Igreja, podem conseguir a salvação eterna todos os que, sem culpa própria, ignoram o Evangelho de Cristo e a sua Igreja mas procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade, conhecida através do que a consciência lhes dita.” (consultar também os nºs 846 a 848 do Catecismo da Igreja Católica).
Muitos não-católicos sofrem de uma ignorância em relação à Revelação e à Igreja causada pela fragilidade dos meios de comunicação, pela ineficiência da evangelização e por barreiras muitas vezes insuperáveis (barreiras intelectuais, psicológicas, culturais, sociais, religiosas…); se realmente não tiverem culpa dessa sua ignorância poderão também ser salvos mas só se procurarem sinceramente Deus e se esforçarem por cumprir a Sua vontade.
Em dia de Epifania, recordamos que a missão da Igreja no nosso tempo consiste em ser uma manifestação autêntica de Cristo, de modo que todos reconheçam no testemunho da Igreja o testemunho perene do Evangelho de Cristo.

(Publicado no Astrolábio)