quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Festa das Famílias em Aldeia Formosa

A Festa das Famílias deste ano foi uma experiência muito positiva para todos os que passaram a tarde do passado Domingo, dia 3 de Janeiro, em Aldeia Formosa (Seixo da Beira), no salão da ARCAF. Houve uma redução do número de participantes em relação ao ano anterior (este ano estiveram presentes cerca de 150 pessoas), mas ganhámos pela qualidade e alegria do convívio. E nem por isso o salão da Associação de Aldeia Formosa deixou de ficar composto.



Pelas 13h30m, o grupo de casais, a quem coube a responsabilidade da preparação deste encontro e a confecção do almoço, iniciou a distribuição de um saboroso rancho pelas mesas cheias de pessoas que vieram um pouco de todas as sete paróquias. De facto, mesmo que com poucas pessoas nalguns casos, não houve nenhuma das nossas sete paróquias que não estivesse representada.



Depois do almoço, três jovens animaram o ambiente com as suas concertinas dando ocasião a um pouco de baile. De seguida, o grupo de casais, com a sua boa disposição e espírito de improviso, subiu ao palco e arrancou vivas gargalhadas dos presentes com uma divertida comédia sobre o atribulado Domingo de uma família de pessoas muito diferentes… E porque o improviso foi palavra de ordem, uma criança, o Afonso, de microfone em punho, surpreendeu toda a gente revelando-se um precoce candidato ao Festival da Canção! Seguiu-se um momento bastante aguardado. Na parede foram projectadas fotografias de todos os presépios das igrejas e capelas das nossas paróquias, que foram sujeitos à avaliação das coordenadoras da catequese no dia 27 de Dezembro. Depois de todos terem visto os presépios, foram revelados os vencedores: em 3º lugar, o das Seixas, com 104 pontos; em 2º lugar, o da igreja matriz de Meruge, com 110 pontos; e, em 1º lugar, os de Seixo da Beira e Vila Franca da Beira, ambos com 118 pontos.



Foi, sem dúvida, uma verdadeira tarde de encontro e de autêntico convívio, onde todos contactaram com pessoas vindas de lugares tão diferentes e que, apesar de relativamente próximos, são ainda muito desconhecidos. Foi, por isso, um encontro de verdadeiro convívio, porque conviveram as famílias e porque tomámos consciência da beleza da família alargada que são as nossas sete paróquias.

Publicado no Astrolábio, boletim das paróquias de Ervedal da Beira, Lagares da Beira, Lageosa, Lagos da Beira, Meruge, Seixo da Beira e Travanca de Lagos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O fim e o início de um ano: Vem, Senhor Jesus!

Estamos no início do ano litúrgico. A Solenidade de Cristo Rei, que celebrámos, encerra o Tempo Comum e o ano litúrgico. No Domingo é o I do Advento trocámos, na liturgia, a cor verde pela cor roxa. O Advento inicia-se quatro domingos antes do Natal e termina ao entardecer do dia 24 de Dezembro, desembocando na comemoração do nascimento de Cristo.

Os dois grandes eixos em torno dos quais gira o ano litúrgico são: o ciclo da Páscoa (Quaresma e Tempo Pascal) que vai desde as Cinzas ao Pentecostes; e o ciclo do Natal (Advento e Tempo do Natal) que vai do Domingo I do Advento até à Epifania do Senhor. A Páscoa é a solenidade mais importante, porque comemora a morte e ressurreição do Senhor. Logo a seguir vem o Natal, que comemora a encarnação de Cristo, o Verbo de Deus. O tempo restante do ano é ocupado pelo Tempo Comum que, apesar do nome, não tem nada de vazio: comemora o próprio Mistério de Cristo na sua plenitude, principalmente aos domingos. O Domingo é a Páscoa semanal, o dia central para o cristão, o dia que sempre se celebrou na Igreja, ainda antes de haver a Páscoa anual ou o Natal.

Em latim, Adventus significa vinda: era o nome dado à visita de um rei, imperador ou divindade. O Tempo do Advento possui uma dupla característica: por um lado, é um tempo de preparação para o Natal, em que comemoramos a primeira vinda do Filho de Deus; mas, por outro lado, não é tempo de ficarmos à espera da primeira vinda de Cristo, como se Ele ainda não tivesse nascido, é tempo de esperarmos e prepararmos a segunda vinda de Cristo, no fim dos tempos. Por celebrar as duas vindas do Senhor, o Advento é um tempo de piedosa expectativa da vinda do Messias, além de se apresentar como um tempo de purificação de vida, no sentido de estarmos preparados, uma vez que o Senhor vem. Por isso, a sua cor é o roxo. E, por isso, o seu “grito” próprio é «Vem, Senhor Jesus!» (cf. Apocalipse 22, 20).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Irrupções do insólito no quotidiano

Algures nos arredores de Coimbra, chegamos a certa rotunda e encontramos estas placas.
E ficamos a saber que devemos conturnar a rotunda, mas perguntamo-nos: Centro de quê?
Entremos na rotunda e dêmos uma voltinha para vermos a placa pelo outro lado e descobrirmos...
Ah! Centro de Saúde!
Afinal até nem era nada de muito importante...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Se tu visses o que eu vi!

Mas é que vi mesmo! E fotografei tal e qual, não é montagem! Aconteceu nas Secarias!
Afinal, podemos atravessar ou não? É que é por causa de hesitações destas que as pessoas e os gatos são atropelados...

domingo, 18 de outubro de 2009

Um bicho feio

Um bicho feio
Do nada aparece.
Porque o receio?
Malvado parece!
Mas não é verdade:
Na realidade,
Amizade me oferece.

sábado, 26 de setembro de 2009

A doutrina do matrimónio em Lutero e Calvino

O matrimónio é, para Martinho Lutero, uma realidade simplesmente mundana, da ordem da criação, e não um sacramento. Trata-se de um preceito divino dado ao homem («crescei e multiplicai-vos»), portanto, à excepção dos inaptos e daqueles «que Deus libertou por um dom sobrenatural»[1], todos têm a obrigação de se casarem. Mas, precisamente por ser da ordem da criação, é anterior ao Evangelho e, portanto, segundo Lutero, não depende do Evangelho. Consequentemente, não está sob a jurisdição da Igreja, mas do Estado.[2]

Lutero considera que não é possível inserir o matrimónio nos parâmetros da definição de sacramento, a saber: a promessa de graça e a instituição divina por Cristo. Tanto Lutero como Calvino afirmam com toda a veemência a incapacidade dos homens para instituir sacramentos e recusam a sacramentalidade de qualquer alegado sacramento cuja instituição não esteja clara e literalmente expressa nas páginas do Evangelho. Em relação a Ef 5, 32, Lutero afirma, com Erasmo, que a palavra «mystérion» se refere apenas a Cristo e à Igreja, e Calvino defende que a correcta tradução para latim de «mystérion» é «arcanum» (o que daria «secret» ou «mystère» em francês) e não «sacramentum». João Calvino defende que o matrimónio é sinal da união de Cristo com a Igreja, mas isso não faz dele um sacramento. Com efeito, na Institutio christiana, Calvino rejeita a sacramentalidade do matrimónio e a autoridade da Igreja sobre ele porque considera que Cristo não instituiu nenhum sinal destinado a santificar o matrimónio nem fez nenhuma promessa de graça em relação a ele.[3]

O pai do protestantismo afirma que o matrimónio depende da disciplina do Estado, ao qual é delegada a autoridade paterna. O divórcio é um pecado, conforme a doutrina da indissolubilidade proclamada no Evangelho, mas o Estado tem o poder de o regulamentar para impedir abusos, e é permitido o novo casamento da parte inocente à luz excepção de Mt 5, 32 e 19, 9. Para além dos impedimentos que são referidos no Levítico, Lutero, empenhado em refutar o poder da Igreja sobre os matrimónios dos fiéis, rejeita quaisquer outros impedimentos matrimoniais: rejeita os impedimentos de consanguinidade, de afinidade, de parentesco espiritual, de ordens sacras ou votos religiosos e de decência pública. Acusa também de inválidas, porque simoníacas e escandalosas, as dispensas de impedimentos conseguidas mediante o pagamento de taxas. Além disso, admite o divórcio com base em Mt 5, 32 e em Mt 19, 9, permitindo também o re-casamento do cônjuge inocente. Tudo porque, segundo diz, nada há na Escritura que permita concluir que o matrimónio é um sacramento, nem sequer Ef 5, onde «mystérion» deve ser traduzido por «misterium» e não por «sacramentum».[4]


Tanto Lutero como Calvino insistem na obrigatoriedade da publicidade do noivado. A liturgia não é essencial ao matrimónio mas é moralmente obrigatória para quem quiser contrair matrimónio cristão.[5]


* * *


No seu pessimismo antropológico, Martinho Lutero vê o matrimónio como uma realidade corrompida pelo pecado e como remédio para a concupiscência. Martinho Lutero é profundamente influenciado pelo pessimismo antropológico de Santo Agostinho e de muitos dos seus próprios contemporâneos (é a época da «Imitação de Cristo», as procissões de penitentes autoflagelantes, etc.). Trata-se da visão de um homem radicalmente marcado pelo pecado e totalmente incapaz de algo bom. Isto é particularmente notório no que toca à sexualidade, em relação à qual esta mentalidade antropologicamente pessimista é particularmente avessa. Parece-me que a teologia matrimonial luterana é contraditória e que o matrimónio sempre foi para Lutero como uma pedra no sapato: nunca conseguiu inseri-lo convincentemente no conjunto da sua doutrina. Em 1520, Lutero, ao tratar os sacramentos no De captivitate babilonica, diz, por um lado, que o matrimónio, sendo da ordem da natureza, é de uma obrigatoriedade geral. Mas, por outro lado, diz também que permanece ligado ao pecado, sob a influência da concupiscência, não havendo sequer diferença entre a fornicação e o uso normal da sexualidade no matrimónio. Até porque, segundo Lutero, o pecado original nem sequer é apagado pelo baptismo. E é aqui que está a contradição, o grande desconcerto da doutrina matrimonial luterana: é obrigatório, mas é pecado! O pessimismo antropológico de Martinho Lutero, particularmente acentuado no que toca à sexualidade, não lhe permitiu, a meu ver, conciliar coerentemente o matrimónio e a sexualidade com a concupiscência e o pecado original, dando origem à contradição de uma concupiscência obrigatória.[6]

NOTAS:
[1] Citado por Bernard Sesboüé, O matrimónio, in História dos dogmas, tomo 3, Edições Loyola, São Paulo 2005, página 171.
[2] Cf. Bernard Sesboüé, O matrimónio, in História dos dogmas, tomo 3, Edições Loyola, São Paulo 2005, página 171.
[3] Cf. Bernard Sesboüé, O matrimónio, in História dos dogmas, tomo 3, Edições Loyola, São Paulo 2005, página 171 e Emilio Aliaga Girbés, Compendio de Teología del Matrimonio, Edicep, México – Santo Domingo – Valencia 1994, página 133.
[4] Cf. Bernard Sesboüé, O matrimónio, in História dos dogmas, tomo 3, Edições Loyola, São Paulo 2005, página 171 e Emilio Aliaga Girbés, Compendio de Teología del Matrimonio, Edicep, México – Santo Domingo – Valencia 1994, página 133.
[5] Cf. Bernard Sesboüé, O matrimónio, in História dos dogmas, tomo 3, Edições Loyola, São Paulo 2005, página 171.
[6] Cf. Emilio Aliaga Girbés, Compendio de Teología del Matrimonio, Edicep, México – Santo Domingo – Valencia 1994, página 133.

domingo, 6 de setembro de 2009

Setembro

Em Setembro finda o Estio,
Jorram do céu as primeiras chuvas.
Grandes feiras animam as praças.
Despem-se as vinhas das tintas uvas.

Tintas e brancas enchem poceiros
Em doce, pegajoso vindimar;
Acartadas em ladeiras de suor,
Pisam-se e fermentam no lagar.

Vai-se o calor mas ainda haverá
Dias felizes p'ra festejar.
Céu de prata, chuva de cristal
Refrescando a terra e o ar.