quarta-feira, 29 de junho de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Pobreza, uma realidade desconcertante
Testemunho solicitado por Carlos Neves, da Cáritas Diocesana de Coimbra, para uma sebenta sobre a pobreza.
A pobreza é uma realidade complexa, com muitas facetas. Não se pode olhar para ela de uma forma simplista, nem fácil, nem descomprometida. Dando o meu testemunho, posso dizer que, por um lado, vejo a crueldade, ignorância e incompreensão de tantas pessoas; por outro lado, descubro em mim muitas barreiras que me impedem de compreender e actuar.
A desconfiança! Minha e dos outros. Pergunto-me muitas vezes: será que esta associação que me vem pedir é credível? Será que esta pessoa precisa mesmo ou me está a enganar? Também oiço muitas pessoas a dizer que não dão para este ou aquele peditório porque acham que depois nada é entregue àquele destino.
Uma culpa associada à pobreza! O caso do drogado ou do alcoólico. A desorientação daquele que se endivida comprando obsessivamente coisas supérfluas que depois não pode pagar, chegando ao ponto de haver alguns dias em que não tem dinheiro, por exemplo, para algo tão básico como almoçar! Perante estes casos surge a pergunta: é uma espécie de doença ou trata-se de uma culpa moral com o consequente castigo? Como agir quando a própria pessoa é, de algum modo, culpada pela situação de pobreza que vive? Não sei, mas é, sem dúvida, desconcertante! É fácil dizer «foi bem feito, quem o mandou meter-se naquilo?». No entanto, a caridade lembra-nos que se trata de um caso de pobreza para resolver.
A hipocrisia e a má vontade de tantas instituições responsáveis a nível local, tais como: autarquias sempre adiam “sine die” as soluções dos problemas concretos, ou que sempre encontram um oportuno entrave burocrático ou de jurisdição; assistentes sociais que deixam perpetuar casos “eternos”; comissões locais onde apenas se fala mas não se age.
A incompreensão da pobreza associada a outras misérias: álcool, droga… Destaco, sobretudo, a prostituição: na cabeça da maioria das pessoas, as prostitutas continuam a ser mulheres preguiçosas que fizeram uma opção pela vida fácil para ganhar dinheiro sem esforço ou até pelo prazer! Mas… será (sempre) assim?
Outro aspecto muito importante e que nem sempre é claro para toda a gente: a pobreza não significa necessariamente miséria! Por isso, a pobreza nem sempre é visível, por isso tantas vezes nos escapa sem que sejamos sequer capazes de a identificar. Uma pessoa ou família pode ter necessidade de alguns bens importantes e passar algumas privações mais ou menos graves sem, no entanto, viverem um grau de pobreza extrema.
A pobreza raramente é visível: tanto é real em pessoas que parecem de nada precisar como é fingida em pessoas que vivem bem embora aparentem passar miseravelmente. É uma realidade complexa e que eu sinto, acima de tudo, como algo profundamente desconcertante aos mais variados níveis.
A pobreza é uma realidade complexa, com muitas facetas. Não se pode olhar para ela de uma forma simplista, nem fácil, nem descomprometida. Dando o meu testemunho, posso dizer que, por um lado, vejo a crueldade, ignorância e incompreensão de tantas pessoas; por outro lado, descubro em mim muitas barreiras que me impedem de compreender e actuar.
A desconfiança! Minha e dos outros. Pergunto-me muitas vezes: será que esta associação que me vem pedir é credível? Será que esta pessoa precisa mesmo ou me está a enganar? Também oiço muitas pessoas a dizer que não dão para este ou aquele peditório porque acham que depois nada é entregue àquele destino.
Uma culpa associada à pobreza! O caso do drogado ou do alcoólico. A desorientação daquele que se endivida comprando obsessivamente coisas supérfluas que depois não pode pagar, chegando ao ponto de haver alguns dias em que não tem dinheiro, por exemplo, para algo tão básico como almoçar! Perante estes casos surge a pergunta: é uma espécie de doença ou trata-se de uma culpa moral com o consequente castigo? Como agir quando a própria pessoa é, de algum modo, culpada pela situação de pobreza que vive? Não sei, mas é, sem dúvida, desconcertante! É fácil dizer «foi bem feito, quem o mandou meter-se naquilo?». No entanto, a caridade lembra-nos que se trata de um caso de pobreza para resolver.
A hipocrisia e a má vontade de tantas instituições responsáveis a nível local, tais como: autarquias sempre adiam “sine die” as soluções dos problemas concretos, ou que sempre encontram um oportuno entrave burocrático ou de jurisdição; assistentes sociais que deixam perpetuar casos “eternos”; comissões locais onde apenas se fala mas não se age.
A incompreensão da pobreza associada a outras misérias: álcool, droga… Destaco, sobretudo, a prostituição: na cabeça da maioria das pessoas, as prostitutas continuam a ser mulheres preguiçosas que fizeram uma opção pela vida fácil para ganhar dinheiro sem esforço ou até pelo prazer! Mas… será (sempre) assim?
Outro aspecto muito importante e que nem sempre é claro para toda a gente: a pobreza não significa necessariamente miséria! Por isso, a pobreza nem sempre é visível, por isso tantas vezes nos escapa sem que sejamos sequer capazes de a identificar. Uma pessoa ou família pode ter necessidade de alguns bens importantes e passar algumas privações mais ou menos graves sem, no entanto, viverem um grau de pobreza extrema.
A pobreza raramente é visível: tanto é real em pessoas que parecem de nada precisar como é fingida em pessoas que vivem bem embora aparentem passar miseravelmente. É uma realidade complexa e que eu sinto, acima de tudo, como algo profundamente desconcertante aos mais variados níveis.
sábado, 9 de outubro de 2010
Domingo XXVIII do Tempo Comum, ano C
A lepra era considerada um dos piores castigos de Deus. Achava-se, na mentalidade errada da época, que Deus punia com a lepra os piores pecadores. Os leprosos eram considerados impuros, eram corridos à pedrada, viviam em lugares à parte, lugares impuros como os cemitérios. Sentiam-se rejeitados por todos: pelos homens e até por Deus.
Na 1ª leitura, Naamã é um general estrangeiro (sírio) que, leproso, recorre a Eliseu. Eliseu nem sequer se dignou vir à porta saudá-lo, mandou um criado dizer-lhe que se fosse banhar sete vezes no Jordão. Naamã ficou indignado e queria vir-se embora, mas acabou por cumprir o que o profeta lhe mandou fazer, depois de o terem convencido que não tinha a perder nada. E Naamã é curado não só da lepra da pele, mas também e principalmente da lepra da alma, porque se converteu do paganismo à fé no Deus Vivo.
No Evangelho 10 leprosos suplicam a Jesus por piedade mantendo-se à distância, como mandavam as regras de saúde e de pureza legal religiosa. Os judeus e os samaritanos não se davam, eram inimigos, mas a desgraça da lepra une judeus e samaritanos. Quando são saudáveis combatem-se; mas a consciência da sua desgraça comum torna-os solidários. A sua oração é comunitária: eles vão ter com Jesus juntos, não vai cada um por si; a salvação não é individualista, não é o intimismo do “cada um por si”. Tanto na 1ª leitura como no Evangelho o curado que se mostra agradecido é um estrangeiro: uma vez mais, os estranhos estão mais dispostos a dar glória a Deus do que os filhos do seu Povo. O estrangeiro é símbolo daquele que é diferente de nós e nos causa desconfiança, por ser desconhecido; mas é a nossa cegueira que nos impede de ver a sua riqueza. Foi o único a perceber que a oração não é só pedir e nunca é chantagem, mas é sobretudo acção de graças.
O número 10 significa a totalidade (os 10 dedos das mãos): os 10 leprosos são a humanidade inteira, que está distante de Deus (suplicam a Jesus mantendo-se à distância), porque todos nós somos impuros. Ora, a Palavra de Jesus é eficaz, actua à distância, eles não precisam de se aproximar. Por vezes, sentimos Deus longe, tal como as comunidades para quem S. Lucas escreve o Evangelho, que eram cristãos que já não tiveram o privilégio de conhecer Jesus pessoalmente. Portanto, Lucas escreve para pessoas como nós. Escreve para pessoas que se perguntam: será que Deus, lá longe no céu, se preocupa comigo? Será que Ele tem tempo para pensar em mim, ou se preocupa com o meu desespero? Será que ele ouve os nossos gritos por socorro? A Palavra de Deus é tão poderosa e eficaz que para ela não há barreiras nem distâncias. Basta que confiemos nela, porque, como diz Jesus ao samaritano curado da lepra, «a tua fé te salvou!».
Tanto na 1ª leitura como no Evangelho, a cura da lepra não é imediata: acontece ao fim de 7 banhos no Jordão ou durante o caminho. A nossa cura leva o seu tempo, a cura de qualquer mal de que soframos leva o seu tempo. Todos sofremos de lepra, isto é, todos somos impuros e estamos afastados de Deus. Todos temos na pele a marca do que sofremos e também a marca do pior que somos capazes de fazer (e fazemos de facto!). A cura acontece pelo caminho e não de repente. Na verdade, a nossa cura é sempre progressiva, não acontece de um momento para o outro. É normal que confessemos sempre os mesmo pecados, porque só fazendo caminho é que nos vamos curando, só gradualmente é que a nossa carne voltará a ser tenra como a de uma criança, como a de Naamã, depois de se banhar sete vezes. E Deus salva todos, tanto os agradecidos e como os ingratos. Cura todos gratuitamente, sabendo que apenas um voltaria para agradecer.
Pai do Céu, dá-nos um coração agradecido e ajuda-nos a viver e a agir para a tua glória. Ámen.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Vou ler para aprender
Para nós, cristãos católicos, Jesus está realmente presente no pão e no vinho consagrados: embora o pão e o vinho continuem a saber a pão e a vinho, a sua essência torna-se outra; o seu aspecto e constituição física são de pão e vinho, mas a sua essência é a pessoa do próprio Senhor Jesus, vivo e ressuscitado. Os irmãos protestantes defendem a “consubstanciação” (ou “impanação”), ou seja, dizem que a presença de Jesus no pão e no vinho é apenas simbólica e que dura apenas durante aquele momento da celebração; e que depois até se poderia deitar fora porque o Senhor já não estaria no pão e no vinho. Nós, porém, como católicos, cremos na “transubstanciação”, ou seja, defendemos que Jesus está presente no pão e no vinho realmente, e não apenas simbolicamente; e que esta presença divina dura para além da celebração, pelo que as hóstias consagradas devem ser adoradas com fé e amor e defendidas da profanação, porque elas são o próprio Deus! Na verdade, antes eram pão, mas aconteceu uma transformação do seu ser (= transubstanciação) durante a Missa, na consagração. Portanto, se alguém cometeu pecado mortal (isto é, grave) não deve comungar sem antes se purificar através de uma confissão bem feita.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Saudação a Nossa Senhora do Mont’Alto
Senhora do Mont’Alto, olha os teus filhos que aqui estão e enchem esta esplanada do teu templo. Hoje estão todos aqui. Eles são de Arganil e não só. Vieram de toda a região e de tantos lugares de Portugal e do estrangeiro. E eu vejo as imagens em que aparecemos nós todos de joelhos debaixo do teu manto e tu de mãos postas a rezar por eles e por mim. Estamos lá todos porque todos somos importantes. Estar aqui, nestas esplanadas da tua casa é como estar debaixo desse teu manto, contigo, de mãos postas, a pedir por nós.
Estão aqui todos. Ouve a prece de todos! Alguns estão desempregados. Muitos e muitas sofrem toda espécie de violência dentro da sua própria casa. Tantas pessoas que estão aqui, nesta noite, e não encontram paz nem debaixo do próprio tecto. E tantos outros que estão separados, com a família desfeita, com filhos num corrupio de casa em casa. Acolhe-nos a todos! Ouve a prece de todos!
Mãe, ensina-nos a dizer contigo: «A minha alma engrandece o Senhor, porque olhou para a humildade da sua serva.» Tu, Mãe, percebeste que só quando o Senhor é engrandecido é que nós também somos engrandecidos. Mas muitas vezes fomos enganados e pensámos que quando Deus é engrandecido nós somos humilhados. Alguém se lembrou de nos dizer que Deus é nosso concorrente. Alguém se lembrou de nos dizer, ao longo de todos estes últimos anos, que Deus é uma coisa de mortos. Alguém se lembrou de nos dizer que Deus é contra a nossa liberdade. E nós (pobres de nós!) acreditámos. Acreditámos que quando Deus é exaltado nós somos tolhidos. Acreditámos que Deus nos impediu de comer um fruto proibido só por capricho. Acreditámos que Deus é contra a nossa liberdade. E, então, criámos as nossas próprias “liberdades” que, afinal, são prisões. Achávamos que a corrupção, as cunhas e os subornos eram uma boa maneira de nos desenrascarmos, mas o único lucro foi a crise. Muitos, principalmente entre os mais jovens, procuraram a liberdade na droga, mas encontraram uma nova prisão. Queríamos liberdade, mas herdámos estilhaços. Estamos partidos, divididos, fragmentados. Ouve a prece de todos. Acolhe-nos a todos!
Hoje lembro quando era criança e via a nossa igreja por três vezes repleta em cada Domingo. Olha, Mãe, quantos saíram e ficaram órfãos sem se aperceberem do mal que faziam a si mesmos. E olha quantos continuam na Igreja mas com uma tal frieza que nem parecem teus filhos nem filhos de Deus. Continuam em casa mas parecem empregados da casa em vez de filhos. Hoje estão cá todos: os que nunca saíram da Igreja e cá estão sempre; e aqueles que saíram mas ainda voltam em ocasiões como esta, atraídos por ti. Vêm atraídos pelo teu suave perfume, porque cheiras a Mãe. E nós estamos órfãos, precisamos de Mãe. Mesmo aqueles que se zangaram com Deus Pai, porque pensavam que Ele era um pai tirano, ainda se lembram de ti como Mãe. Acolhe-nos a todos! Ouve a nossa prece!
Abençoa-nos, Mãe, porque agora, mais do que nunca, estamos a precisar da tua bênção! Dá-nos o teu Filho, que trazes ao colo e que é a Vida verdadeira. Abençoa as nossas empresas, maiores ou mais pequenas, e todos os que trabalham nelas ou que por conta própria lutam pelo pão de cada dia. Abençoa as nossas escolas. Que elas sejam espaço de crescimento para a verdadeira liberdade, e não lugar onde se ensine que Deus é um mito. Que as nossas escolas sejam espaços de abertura de horizontes para os nossos jovens darem o seu melhor e saírem da mediocridade. E é tão grande a tentação de ficar pela mediocridade! Tão grande! Abençoa os políticos que nos governam, para que sejam servidores interessados apenas no bem comum. Abençoa também aqueles que se dedicam à comunidade de forma voluntária, para que sejam sempre generosos e salva-os da estéril vaidade. Abençoa os nossos grupos paroquiais que se dedicam ao anúncio do Evangelho: que sejam anunciadores de Jesus Cristo, e não de si mesmos.
Mãezita, abençoa principalmente as nossas famílias. Dá-nos famílias fortes, que façam crescer homens e mulheres fortes para o futuro. Tu, que tiveste um único amor, dá-nos um coração uno, sem divisões, porque a um Deus único corresponde um amor único. E se o coração for único será forte e terá amor suficiente para todos em casa e também fora de casa. Dá-nos famílias fiéis, onde as pessoas não desistam umas das outras, porque Deus também é fiel e nunca desiste de nós!
Mãezita, há tantos casais onde o peso de uma vida a dois é todo suportado um só! E outros onde ambos deixam cair o jugo comum sem sequer se aperceberem. Mãe, tu que és mestra em questões de amor, ajuda-nos perceber que o amor não é o momento, mas é construído com o tempo. Ajuda-nos a viver o amor como uma chama que precisa de ser alimentada todos os dias para não se apagar.
Mãe, dá-nos pais e mães maduros, que saibam educar os filhos para vida como ela é. Que saibam ser pais em vez de colegas. Que se façam presentes e activos na vida dos filhos em vez de os deixarem entregues à deseducação de si mesmos.
Mãezita, olha a vida tão difícil que as famílias de hoje suportam. As exigências económicas que não deixam os casais ter muitos filhos e que são tantas vezes causa de discussão e desarmonia entre todos em casa.
Mãe, aqui viemos mais um ano, acolher-nos debaixo do teu manto. Ouve a nossa prece! Que o teu suave perfume nos atraia sempre a todos. Que estas velas que seguramos na mão (as velas do nosso baptismo!) se mantenham sempre acesas, como sinal de que somos (e queremos ser!) teus filhos. Mãezita, abençoa-nos por mais um ano. Ámen.
Estão aqui todos. Ouve a prece de todos! Alguns estão desempregados. Muitos e muitas sofrem toda espécie de violência dentro da sua própria casa. Tantas pessoas que estão aqui, nesta noite, e não encontram paz nem debaixo do próprio tecto. E tantos outros que estão separados, com a família desfeita, com filhos num corrupio de casa em casa. Acolhe-nos a todos! Ouve a prece de todos!
Mãe, ensina-nos a dizer contigo: «A minha alma engrandece o Senhor, porque olhou para a humildade da sua serva.» Tu, Mãe, percebeste que só quando o Senhor é engrandecido é que nós também somos engrandecidos. Mas muitas vezes fomos enganados e pensámos que quando Deus é engrandecido nós somos humilhados. Alguém se lembrou de nos dizer que Deus é nosso concorrente. Alguém se lembrou de nos dizer, ao longo de todos estes últimos anos, que Deus é uma coisa de mortos. Alguém se lembrou de nos dizer que Deus é contra a nossa liberdade. E nós (pobres de nós!) acreditámos. Acreditámos que quando Deus é exaltado nós somos tolhidos. Acreditámos que Deus nos impediu de comer um fruto proibido só por capricho. Acreditámos que Deus é contra a nossa liberdade. E, então, criámos as nossas próprias “liberdades” que, afinal, são prisões. Achávamos que a corrupção, as cunhas e os subornos eram uma boa maneira de nos desenrascarmos, mas o único lucro foi a crise. Muitos, principalmente entre os mais jovens, procuraram a liberdade na droga, mas encontraram uma nova prisão. Queríamos liberdade, mas herdámos estilhaços. Estamos partidos, divididos, fragmentados. Ouve a prece de todos. Acolhe-nos a todos!
Hoje lembro quando era criança e via a nossa igreja por três vezes repleta em cada Domingo. Olha, Mãe, quantos saíram e ficaram órfãos sem se aperceberem do mal que faziam a si mesmos. E olha quantos continuam na Igreja mas com uma tal frieza que nem parecem teus filhos nem filhos de Deus. Continuam em casa mas parecem empregados da casa em vez de filhos. Hoje estão cá todos: os que nunca saíram da Igreja e cá estão sempre; e aqueles que saíram mas ainda voltam em ocasiões como esta, atraídos por ti. Vêm atraídos pelo teu suave perfume, porque cheiras a Mãe. E nós estamos órfãos, precisamos de Mãe. Mesmo aqueles que se zangaram com Deus Pai, porque pensavam que Ele era um pai tirano, ainda se lembram de ti como Mãe. Acolhe-nos a todos! Ouve a nossa prece!
Abençoa-nos, Mãe, porque agora, mais do que nunca, estamos a precisar da tua bênção! Dá-nos o teu Filho, que trazes ao colo e que é a Vida verdadeira. Abençoa as nossas empresas, maiores ou mais pequenas, e todos os que trabalham nelas ou que por conta própria lutam pelo pão de cada dia. Abençoa as nossas escolas. Que elas sejam espaço de crescimento para a verdadeira liberdade, e não lugar onde se ensine que Deus é um mito. Que as nossas escolas sejam espaços de abertura de horizontes para os nossos jovens darem o seu melhor e saírem da mediocridade. E é tão grande a tentação de ficar pela mediocridade! Tão grande! Abençoa os políticos que nos governam, para que sejam servidores interessados apenas no bem comum. Abençoa também aqueles que se dedicam à comunidade de forma voluntária, para que sejam sempre generosos e salva-os da estéril vaidade. Abençoa os nossos grupos paroquiais que se dedicam ao anúncio do Evangelho: que sejam anunciadores de Jesus Cristo, e não de si mesmos.
Mãezita, abençoa principalmente as nossas famílias. Dá-nos famílias fortes, que façam crescer homens e mulheres fortes para o futuro. Tu, que tiveste um único amor, dá-nos um coração uno, sem divisões, porque a um Deus único corresponde um amor único. E se o coração for único será forte e terá amor suficiente para todos em casa e também fora de casa. Dá-nos famílias fiéis, onde as pessoas não desistam umas das outras, porque Deus também é fiel e nunca desiste de nós!
Mãezita, há tantos casais onde o peso de uma vida a dois é todo suportado um só! E outros onde ambos deixam cair o jugo comum sem sequer se aperceberem. Mãe, tu que és mestra em questões de amor, ajuda-nos perceber que o amor não é o momento, mas é construído com o tempo. Ajuda-nos a viver o amor como uma chama que precisa de ser alimentada todos os dias para não se apagar.
Mãe, dá-nos pais e mães maduros, que saibam educar os filhos para vida como ela é. Que saibam ser pais em vez de colegas. Que se façam presentes e activos na vida dos filhos em vez de os deixarem entregues à deseducação de si mesmos.
Mãezita, olha a vida tão difícil que as famílias de hoje suportam. As exigências económicas que não deixam os casais ter muitos filhos e que são tantas vezes causa de discussão e desarmonia entre todos em casa.
Mãe, aqui viemos mais um ano, acolher-nos debaixo do teu manto. Ouve a nossa prece! Que o teu suave perfume nos atraia sempre a todos. Que estas velas que seguramos na mão (as velas do nosso baptismo!) se mantenham sempre acesas, como sinal de que somos (e queremos ser!) teus filhos. Mãezita, abençoa-nos por mais um ano. Ámen.
Mont’Alto, 15 de Agosto de 2010
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